VortexMag
  • Cultura
  • Sociedade
  • História
  • Viagens
  • Gastronomia
  • Lifestyle
No Result
View All Result
VortexMag
No Result
View All Result
Home Notícias

O dia em que os pescadores de Olhão venceram as tropas de Napoleão

Em junho de 1808, pescadores de Olhão sem armas nem exército derrotaram os franceses e inspiraram a revolta em todo o país. A história que os manuais quase não contam.

VxMag by VxMag
Jun 8, 2026
in Notícias
0
O dia em que os pescadores de Olhão venceram as tropas de Napoleão

O dia em que os pescadores de Olhão venceram as tropas de Napoleão

Partilhar no FacebookGuardar no Pinterest

ArtigosRelacionados

No tempo em que Portugal era apenas uma ilha e D. António I era o seu Rei

No tempo em que Portugal era apenas uma ilha e D. António I era o seu Rei

Jun 8, 2026
A mais misteriosa das igrejas de Portugal

A mais misteriosa das igrejas de Portugal

Jun 7, 2026
D. Martinho I: o Rei português que não aparece nos livros de história

D. Martinho I: o Rei português que não aparece nos livros de história

Jun 7, 2026
1769: quando Portugal transferiu uma cidade inteira de África para o Brasil

1769: quando Portugal transferiu uma cidade inteira de África para o Brasil

Jun 7, 2026

A 12 de junho de 1808, João Rosa, escrivão do Compromisso Marítimo de Olhão, entrou na igreja para a missa e fez algo simples e perigoso: destapou as armas de Portugal que os franceses tinham mandado cobrir. A notícia correu pela aldeia. Todas as embarcações na praia e em terra levantaram a bandeira portuguesa.

Era uma declaração de guerra feita por pescadores sem exército, sem comando militar, sem plano.

Quatro dias depois, José Lopes de Sousa — o governador de Vila Real de Santo António que os franceses tinham destituído por não ceder — rasgou publicamente os editais franceses e chamou o povo a seguir-lhe.

O povo seguiu. Alguns atiraram-se ao mar para recuperar peças de artilharia enterradas nas ilhas. Outros pegaram no que havia — paus, espadas velhas, forcados, pedras. Mulheres, padres, pescadores. Olhão levantou-se.

O que tinha acontecido antes

Em novembro de 1807, a corte portuguesa tinha embarcado para o Brasil enquanto os franceses entravam em Portugal. Olhão era uma aldeia pobre de pescadores, sem grande peso político ou militar — exatamente o tipo de lugar que as grandes narrativas da história tendem a ignorar. Mas os impostos que a ocupação impunha pesavam em toda a parte, e em Olhão pesavam sobre gente que já vivia com pouca margem.

O ressentimento acumulara-se durante meses. João Rosa e a sua destapagem das armas de Portugal foram o gatilho — mas a pólvora estava há muito carregada.

A batalha da Ponte de Quelfes

Os franceses pediram reforços de Tavira e Vila Real de Santo António. Não chegou a tempo de mudar o resultado. O momento mais intenso da contenda deu-se na Ponte de Quelfes, onde as perseguições se misturaram com os tiros: dezoito franceses mortos, dois feridos. Do lado português, uma baixa durante o combate — embora os franceses, na retirada, tenham morto mais dois rapazes.

Os olhanenses procuraram apoio na armada inglesa ao largo da costa, aprisionaram três barcos franceses com os respectivos ocupantes, e conseguiram bloquear o reforço do contingente francês em Faro. Tudo isto sem exército, sem oficiais, sem cadeia de comando formal.

Os dias foram duros. Sem mantimentos externos, sem descanso, sem poder ir ao mar. Quando perceberam que a força não bastava, os franceses tentaram comprar a rendição com isenções e privilégios. Olhão recusou.

Quando tentaram arrasar a localidade, já era tarde: Faro, Tavira e outras vilas algarvias tinham começado a revoltar-se também. O Alentejo seguiu. Depois o resto do país. Em setembro de 1808, terminava a primeira invasão francesa em Portugal — e tinha começado numa aldeia de pescadores no Algarve.

O caíque que foi ao Brasil sem instrumentos de navegação

A história não ficou por aqui. O povo de Olhão decidiu que a notícia da vitória devia chegar ao rei, que estava no Rio de Janeiro desde a fuga da corte. E tomou a tarefa nas suas próprias mãos.

A 6 de julho de 1808, saiu de Olhão o caíque Bom Sucesso — uma embarcação de pesca completamente desadequada para uma travessia transatlântica. Levava dezoito homens, nenhum deles com experiência em viagens de longo curso. Sem instrumentos de navegação. Com cartas marítimas incompletas. Orientavam-se pelas correntes e pelas estrelas.

Chegaram ao Rio de Janeiro a 22 de setembro, sãos e salvos, sob o comando do piloto Manuel de Oliveira Nobre.

D. João VI recebeu-os, ouviu a história, e concedeu a Olhão o estatuto de vila, com todos os privilégios e liberdades das restantes vilas do reino. Os tripulantes do Bom Sucesso receberam tenças e medalhas.

Em menos de um século, um aglomerado de cabanas de pescadores tinha-se tornado vila — não por decreto, não por linhagem, não por riqueza. A pulso, como costumam dizer em Olhão.

VxMag

VxMag

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

No tempo em que Portugal era apenas uma ilha e D. António I era o seu Rei
Notícias

No tempo em que Portugal era apenas uma ilha e D. António I era o seu Rei

by VxMag
Jun 8, 2026
0

A 24 de julho de 1580, D. António, Prior do Crato, foi aclamado rei de Portugal no castelo de Santarém....

Read moreDetails
O dia em que os pescadores de Olhão venceram as tropas de Napoleão

O dia em que os pescadores de Olhão venceram as tropas de Napoleão

Jun 8, 2026
A mais misteriosa das igrejas de Portugal

A mais misteriosa das igrejas de Portugal

Jun 7, 2026
D. Martinho I: o Rei português que não aparece nos livros de história

D. Martinho I: o Rei português que não aparece nos livros de história

Jun 7, 2026
1769: quando Portugal transferiu uma cidade inteira de África para o Brasil

1769: quando Portugal transferiu uma cidade inteira de África para o Brasil

Jun 7, 2026
Freixo de Numão: castelos e ruínas romanas para descobrir no Norte de Portugal

Freixo de Numão: castelos e ruínas romanas para descobrir no Norte de Portugal

Jun 7, 2026

© 2024 Vortex Magazine

Mais infomação

  • Ficha Técnica
  • Quem somos
  • Política de privacidade
  • Estatuto editorial

Redes Sociais

No Result
View All Result
  • Cultura
  • Sociedade
  • História
  • Viagens
  • Gastronomia
  • Lifestyle

© 2024 Vortex Magazine