Nem todos os anglicismos são recentes, e nem todos soam a inglês. Algumas palavras vindas do inglês estão tão bem integradas no português que praticamente ninguém as reconhece como estrangeiras.
Futebol, o anglicismo mais bem disfarçado
“Futebol” é, provavelmente, o exemplo mais perfeito: vem diretamente do inglês “football”, adaptado à ortografia e à pronúncia portuguesas há mais de um século, ao ponto de a maioria das pessoas nunca associar a palavra a uma origem estrangeira.
O mesmo aconteceu com “gol” e “golo” (de “goal”), e com “clube” (de “club”) — todas tão antigas no vocabulário desportivo português que se tornaram, para todos os efeitos práticos, palavras genuinamente portuguesas.
Palavras do dia a dia com origem inglesa antiga
“Bife” vem do inglês “beef”, adaptado à pronúncia portuguesa há séculos. “Túnel” vem de “tunnel”. Mesmo “cimento”, tão comum na construção civil, tem uma trajetória que passa pelo inglês antes de chegar ao português moderno, segundo várias fontes etimológicas.
Os anglicismos mais recentes ainda soam estrangeiros
Ao contrário destes exemplos antigos, anglicismos mais recentes — “email”, “software”, “smartphone”, “online” — ainda são claramente reconhecidos como palavras inglesas, mesmo sendo usados diariamente por praticamente todos os falantes de português.
A diferença está sobretudo no tempo de uso e no grau de adaptação fonética: quanto mais tempo uma palavra estrangeira circula numa língua, e quanto mais a sua pronúncia se adapta aos sons nativos, mais depressa deixa de ser sentida como estrangeira.
Porque o inglês tem tanta influência
O inglês tornou-se, ao longo do século XX e XXI, a língua dominante em áreas como tecnologia, desporto internacional, música popular e negócios — o que explica porque continua a ser, hoje em dia, a fonte mais ativa de novos empréstimos para o português, tal como o francês foi a fonte dominante nos séculos anteriores.
Nem toda a gente concorda com esta abertura
Linguistas e académicos das línguas portuguesas discutem regularmente até que ponto esta influência deveria ser travada, ou se deveria ser aceite como parte natural da evolução de qualquer língua viva — um debate que já acompanhou, de resto, praticamente todas as vagas de empréstimos linguísticos ao longo da história do português.
Uma língua que sempre absorveu influências
O português já absorveu palavras do árabe, do francês, do italiano, do tupi e agora do inglês, em vagas sucessivas ao longo de séculos — o que sugere que, também os anglicismos de hoje, dentro de mais algumas gerações, deixarão simplesmente de ser vistos como estrangeiros.
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