No segundo ponto mais alto da Serra de Sintra, sobre uma rocha escarpada, o Palácio da Pena é simultaneamente um convento do século XVI, um palácio romântico do século XIX e um parque com mais de quinhentas espécies arbóreas de todo o mundo. É Monumento Nacional desde 1910 e integra a Paisagem Cultural de Sintra, classificada pela UNESCO em 1995.
Como um convento devoluto se tornou no palácio mais famoso de Portugal
Em 1838, D. Fernando II adquiriu o convento da Ordem de São Jerónimo, erguido em 1511 pelo rei D. Manuel I e abandonado desde 1834, quando se extinguiram as ordens religiosas. O edifício tinha o claustro, a capel, a sacristia e a torre sineira — hoje o núcleo norte do palácio, conhecido como Palácio Velho.
O rei começou por mandar reparar o convento, remodelando o piso superior e substituindo as celas por salas maiores com abóbadas. Por volta de 1843, decidiu ampliar o conjunto com uma nova ala — o Palácio Novo — com salas de dimensão ainda maior, como o Salão Nobre, rematada por um torreão circular junto às novas cozinhas.
Toda a obra foi dirigida pelo Barão de Eschwege. O restauro de 1994 repôs as cores originais: ocre para o Palácio Novo, rosa-velho para o antigo mosteiro.
A inspiração alemã
A forte influência do romantismo alemão no palácio não é coincidência — D. Fernando II era de origem alemã, da Casa de Saxe-Coburgo-Gota. A provável inspiração foram os castelos à beira do Reno, como Rheinstein e Stolzenfels, e a residência de Babelsberg em Potsdam.
O resultado é um edifício que combina elementos manuelinos do século XVI com uma fantasia romântica do século XIX: merlões, ameias, torres de vigia, túnel de acesso e uma ponte levadiça que envolvem as duas alas históricas como se fossem um castelo medieval imaginado.
As obras terminaram na década de 1860, com campanhas posteriores de decoração de interiores.
O Parque da Pena
D. Fernando II mandou também plantar o Parque da Pena à maneira dos jardins românticos, aproveitando o clima húmido da serra de Sintra: caminhos serpenteantes, pavilhões, bancos de pedra, e árvores e plantas de todo o mundo.
O parque tem mais de quinhentas espécies arbóreas — um resultado que o clima único desta zona da serra torna possível, com espécies tropicais a crescer lado a lado com espécies europeias.
No extremo ocidental do parque, o Chalet da Condessa d’Edla foi mandado construir por D. Fernando II para a segunda mulher, Elise Hensler — uma construção de dois pisos com inspiração alpina e relação visual expressiva com o palácio principal.
O Palácio da Pena é um dos monumentos mais visitados de Portugal não por acaso — é genuinamente único, sem comparação no território nacional e com poucos equivalentes na Europa.
Um rei de origem alemã comprou um convento abandonado, contratou um barão alemão para o transformar, inspirou-se nos castelos do Reno, e criou algo que não existia antes nem foi replicado depois.







