Início Viagens Os 12 melhores trilhos para descobrir a Serra da Estrela

Os 12 melhores trilhos para descobrir a Serra da Estrela

Gosta de caminhar enquanto descobre as maravilhas da Natureza? Estes são os melhores trilhos pedestres para descobrir a Serra da Estrela.

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5. Trilho dos Poios Brancos

Covão da Ametade
Covão da Ametade

Designação: Rota dos Poios Brancos (folheto do percurso)

Tipo: Circular

Coordenadas início W: 7º34’14.01″W 40º19’36.26″N

Altitude início: 1520 m

Altitude mínima: 1440 m

Altitude máxima: 1680 m

Sentido aconselhado: Ponteiros do relógio

Dificuldade: Média

Extensão: 7,9 km | 25,4 km (com derivações)

BTT: Sim

Início do percurso: entre o Covão d´Ametade e a Nave de Santo António, no cruzamento para a Serra de Baixo.

A Rota dos Poios Brancos deve a sua designação ao facto de atravessar, no seu ponto mais elevado, o aglomerado granítico dos Poios Brancos, que nas primeiras neves do ano se veste de branco, dando um sinal claro à povoação de Manteigas que o inverno chegou.

Os Poios Brancos correspondem a um Tor – forma granítica típica em que os blocos se acumulam in situ, respeitando o sistema de diaclases do granito. Neste local encontra-se a cadeira do Viriato, como um autêntico trono feito pelas mãos da natureza.

São as características intrínsecas dos granitos que conferem à paisagem da Serra da Estrela peculiaridades únicas, como se por lá tivesse passado a mão humana a “ajeitar” as pedras que sobressaem altivas em direcção ao céu.

A Nave de Santo António, ou a Argenteira, cumpre uma importante função ecológica, regulando a absorção e libertação gradual da água pelo cervum – planta herbácea que também constitui um importante recurso para o gado. Neste local encontra-se um fontanário e uma edificação utilizada pelos pastores como local de abrigo.

“No alto d´esta Serra pastam mais de doze mil ovelhas desd´a Primavera, em que vêem do Alentejo, onde vão ter o Inverno, até ao Outono, em que tornam para lá sem para tão grande numero de gados faltarem por todo este tempo pastos, porque d´elles é a Serra povoada na mais excessiva abundância, em tal forma, que só em uma relva sita ao pé da Ermida de Santo António de Argenteira, acima relatada, chamada por esta razão a Nave de Santo António, por todo este referido tempo pastam mais de quinhentas ovelhas sem pelo mesmo tempo sentirem a mínima falta de pastos. E se conta, que os pastos são tão puros, que não só são alimentares para os gados, mas tão bem medicina para curar os achaques que elles padecem, os quaes se lhes desfazem com o uso de taes pastos. Há tão bem n´esta serra criação de lobos, raposas, coelhos, perdizes e de Águias Reaes, que vivem nas penhas d´ellas.” Padre Manuel Cabral de Pina (séc. XVIII).

Ainda na paisagem natural surge o Covão d’Ametade, depressão de origem glaciar, que se encontra a jusante do Covão Cimeiro, outrora uma pastagem de cervunal, que foi arborizada com vidoeiros ao longo das margens do Rio Zêzere.

Na derivação para o Poço do Inferno surge a magnífica paisagem do Covão da Abelha, onde se avista no fundo do desfiladeiro, na confluência de duas linhas de água que dão origem à Ribeira de Beijames, o Aguilhão – considerável maciço rochoso encimado por grande pedras que se sobrepõem umas às outras. A água corre calmamente, pura e cristalina, por entre vertentes sobranceiras cobertas por cascalheiras.

Junto ao trilho encontra-se um dos muitos monumentos religiosos existentes no Concelho de Manteigas e um importante vestígio da arte popular portuguesa – Almas. É frequente encontrar velas e lamparinas acesas, deixadas pelas pessoas que passam no local, ou mesmo oferendas de flores.

O teixo, o zimbro-rasteiro, o vidoeiro, a macieira-brava, a tramazeira, o arando e a fava-de-água são alguns exemplos de espécies que se encontram presentes na rota. A águia de Bonelli, o melro-das-rochas e o falcão-peregrino são as aves que enfrentam um risco de extinção muito elevado. A toupeira-de-água, a lagartixa-da-montanha e a Víbora-cornuda também estão presentes.

 

6. Trilho do Vale de Amoreira

Serra da Estrela
Serra da Estrela

Designação: Rota de Vale de Amoreira (folheto do percurso)

Tipo: Circular

Coordenadas início W: 7º26’33.36″W 40º24’56.78″N

Altitude início: 575 m

Altitude mínima: 550 m

Altitude máxima: 726 m

Sentido aconselhado: Ponteiros do relógio

Dificuldade: Média

Extensão: 5 km | 6,4 km (com derivações)

BTT: Sim

Início do percurso: junto à capela de Nossa Senhora da Anunciação, em Vale de Amoreira.

A Rota de Vale de Amoreira é fortemente marcada pela influência humana, permitindo aos caminheiros explorar o património natural, cultural e paisagístico da freguesia.

A sua paisagem caracteriza-se por uma grande variedade de mosaicos entrecortados por bosquetes, lameiros, manchas de vegetação arbustiva, caminhos, muros, construções em xisto, pequenos ribeiros, socalcos e florestas de resinosas.

No património humanizado é possível observar ruas estreitas, ladeadas por casas típicas, e estabelecer contacto com a cultura histórico-religiosa da população local, designadamente com a visita à Capela de Nossa Senhora da Anunciação, padroeira da freguesia, do início do séc. XIV.

A maior altitude, a Rota de Vale de Amoreira revela belíssimas panorâmicas sobre a paisagem humanizada rural, com uma vista sobre densas florestas e terrenos de produção agrícola localizados no flanco da encosta – Quintas do Vale.

A extraordinária diversidade cromática e morfológica do percurso é conferida, entre outros factores, pela variedade da vegetação. Merece especial destaque o povoamento de pinheiro bravo que surge, na região, como a exploração silvícola por excelência, suportando as mais diversas condições climáticas e pedológicas.

Consequência da influência humana presente ao longo do trilho, surgem olivais, vinhedos, milheirais e os prados de azevém, com eles alternantes.

Estas áreas florestais, juntamente com matos e linhas de água, proporcionam diversidade florísrica e faunística, podendo-se observar espécies como morcego-de-ferradura-pequeno e o morcego-de-ferradura-grande que enfrentam risco de extinção elevado. Neste percurso estão ainda presentes o tartaranhão-caçador, o coelho bravo, o corvo, o mocho-de-orelhas e o toirão, entre outros.

 

7. Trilho da Azinha

Serra da Estrela
Serra da Estrela, Guarda @easygostudio

Designação: Rota da Azinha (folheto do percurso)

Tipo: Circular

Coordenadas início W: 7º28’04.13″W 40º24’41.70″N

Altitude início: 574 m

Altitude mínima: 574 m

Altitude máxima: 1243 m

Sentido aconselhado: Contrário ao dos ponteiros do relógio

Dificuldade: Média

Extensão: 18,4 km | 20 km (com derivações)

BTT: Sim

Início do percurso: junto à ponte de madeira, no Skiparque.

Para os apreciadores de caminhadas, a Rota da Azinha é particularmente atractiva, possibilitando diversidade e profundidade de planos visuais consecutivos, conferidos pela altitude e pelo perfil transversal dos vales e das graciosas cumeadas. À multiplicidade das formas, texturas e movimento do relevo, associa-se uma vegetação rica e diversificada.

Ao longo do percurso é possível contemplar as marcas da modelação da paisagem feita pelo Homem. Destacam-se as Coanheiras – campos agrícolas situados perto da povoação de Sameiro, retirando partido da água do Rio Zêzere, que é conduzida em levadas, e que incluem prados e horticulturas (feijoca, feijão, batata, tomate, alface, cebola, alho, ervilha, couve galega, cenoura, etc.). Neste local pode observar-se a compartimentação das parcelas rurais e da linha de água, constituída principalmente por exemplares de freixo, salgueiro, salgueiro-branco, amieiro, choupo.

A maior altitude, o trilho atravessa a Quinta do Fragusto – propriedade rural de maior dimensão onde se pratica uma agricultura de montanha, baseada no pastoreio, no cultivo de centeio e na floresta, e o Cabeço da Azinha – miradouro natural que proporciona uma excelente panorâmica para um acumular de vales e serras a perder de vista, onde aliás se situa uma pista de parapente e um posto de vigia de incêndios.

A Rota da Azinha possibilita uma visita à antiga casa do Guarda-Florestal do Gorgulhão – as casas de Guarda-Florestal foram implantadas de forma a dotar os Perímetros Florestais e respectivas unidades de gestão, de infra-estruturas de apoio à actividade florestal ali desenvolvida, permitindo a fixação de Guardas-Florestais e respectivas famílias que teriam por incumbência a vigilância e fiscalização das áreas que lhe estavam atribuídas. Os Guardas-Florestais desempenharam um papel fulcral na arborização e protecção destes Perímetros Florestais que ocupam grande parte da Serra. O Gorgulhão é ainda constituído por uma área de lazer que inclui um circuito de manutenção, percurso de BTT e um parque de merendas rodeado por densas matas de resinosas.

Ao nível da flora, encontram-se espécies tão relevantes como a azinheira, a tramazeira, o freixo, o amieiro, o carvalho-negral, a giesta-branca, a urze, o rosmaninho, o sargaço, a cerejeira, a carqueja, entre outras.

A paisagem da Rota da Azinha é caracterizada por ecossistemas que permitem a eclosão de uma vegetação diversa, ao mesmo tempo que fornece um habitat para fauna diversificada, como guarda-rios, perdiz, tartaranhão-caçador, peneireiro, gaio, coelho bravo, raposa, morcego-de-ferradura-pequeno, salamandra-de-pintas-amarelas, boga, etc.

Importa referir que a Rota da Azinha permite interacção com a Rota de Vale de Amoreira, Rota do Corredor de Mouros e Rota de Sameiro.

 

8. Trilho do Maciço Central

Covão da Ametade
Covão da Ametade

Designação: Rota do Maciço Central (folheto do percurso)

Tipo: Circular

Coordenadas início W: 7º36’23,61″W 40º19’41,06″N

Altitude início: 1931 m

Altitude mínima: 1423 m

Altitude máxima: 1931m

Sentido aconselhado: Ponteiros do relógio

Dificuldade: Difícil

Extensão: 10 km | 19,6 km (com derivações)

BTT: Não

Início do percurso: junto ao cruzamento da estrada nacional para a Torre. (Recomenda-se iniciar esta rota no Covão d´Ametade).

“Ravinas precipitosas, covões soturnos, penedias cahoticas, môrros giganteos, phantasias varias de uma creação asperrima, que se accumulam, em tropel desordenado, ali teem tambem essas notas dos contrastes delicados, com que a natureza vae dos bramidos do leão aos gorgeios do rouxinol, e do estampido pavoroso da tormenta ao dolente ciciar da brisa.” Emygdio Navarro in Quatro dias na Serra da Estrela (1884)

Majestosidade e rudeza são características que tornam a Rota do Maciço Central única em termos de traçado e de paisagem natural. Nesta rota, o caminheiro é constantemente surpreendido, podendo contemplar locais emblemáticos como o Covão d’ Ametade, o Covão Cimeiro, os Cântaros (Magro, Gordo e Raso), as Salgadeiras, a Lagoa do Peixão (ou da Paixão), a Ribeira da Candeeira, ou a Nave da Mestra (na derivação para as Penhas Douradas – Rota do Carvão).

A Torre, sendo o ponto mais alto de Portugal Continental, com 1 993 metros, onde D. João VI (1816-1826) mandou erigir uma estrutura em pedra para completar os 2 000 metros, é um dos locais importantes a visitar. Aqui existem infra-estruturas para a prática de desportos de Inverno, atraindo visitantes oriundos dos mais diversos pontos do país.

Devido à elevada precipitação e à topografia acidentada do terreno, existem nesta zona vários tipos de ambientes aquáticos que na paisagem, aparentemente monótona, acabam por constituir elementos singulares, tais como a Lagoa do Peixão e as Salgadeiras (conjunto de várias charcas).

Na paisagem surgem recortes por entre a vegetação, originados pelo pastoreio, que convive harmoniosamente com variadas espécies de fauna e flora. Devido à sua elevada altitude, o Maciço Central constituiu um local único no país, contribuindo para a existência de espécies raras e ancestrais, tais como o teixo, o zimbro-rasteiro, o vidoeiro, a tramazeira, o cervum, o arando e a fava-de-água. Os zimbrais, respondendo às condições particulares do ambiente onde se desenvolvem, crescem na horizontal, cobrindo as rochas com um autêntico manto verde.

Quanto à fauna, existem vestígios da existência de espécies com estatuto de conservação como o tartaranhão-caçador, a águia de Bonelli, o bufo-real, a águia-cobreira, o coelho-bravo e a ferreirinha-alpina. A enfrentar o risco de extinção, existem a toupeira-de-água, a lagartixa-da-montanha, a víbora-cornuda, o maçarico-das-rochas e o falcão-peregrino.

1 COMENTÁRIO

  1. É pena que não tenham uma página em inglês. Tenho uns amigos daqui, da Dinamarca, que gostariam de visitar Portugal.

    Melhores cumprimentos
    Fernando

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