O novo Cartão de Cidadão, lançado em 2024 e generalizado em 2026, é hoje um dos documentos de identificação mais avançados a nível tecnológico. Muito para além da informação visível no cartão, existe um chip eletrónico — agora também com leitura contactless — que concentra dados, certificados e sistemas de proteção desenhados para garantir a segurança da identidade digital.
Perceber o que está guardado nesse chip ajuda a desfazer mitos e a compreender porque é tão difícil fraudar este documento.
O que está guardado no chip do Cartão de Cidadão
O chip funciona como um cofre digital dividido por níveis de acesso, cada um com regras próprias de segurança.
Dados biográficos
No chip constam todos os dados visíveis no cartão — nome, data de nascimento, filiação e números de identificação — mas também informação que não aparece impressa, como a morada completa.
É por essa razão que, ao mudar de residência, não é necessário emitir um novo cartão: basta atualizar a morada, que fica registada no chip e nas bases de dados centrais do Estado.
Dados biométricos
Esta é a área mais sensível do chip. Aqui ficam armazenados:
- A fotografia oficial em formato digital e alta resolução
- As impressões digitais (em formato de minúcias biométricas)
- A altura registada oficialmente
Estes elementos permitem confirmar, em contextos como controlos policiais ou fronteiras, que o portador do cartão corresponde efetivamente à identidade registada.
Certificados digitais
O verdadeiro núcleo tecnológico do Cartão de Cidadão está nos seus certificados digitais, que permitem usar o documento online com valor legal:
- Certificado de autenticação, usado para aceder de forma segura a serviços como Finanças, Segurança Social ou SNS
- Certificado de assinatura digital, que permite assinar documentos eletrónicos com o mesmo valor jurídico de uma assinatura manuscrita
Porque é tão difícil clonar ou espiar o cartão
Apesar de existirem receios associados à tecnologia sem contacto, o Cartão de Cidadão foi concebido com várias camadas de segurança.
Os dados mais sensíveis estão protegidos por encriptação forte, acessível apenas a entidades autorizadas. Um leitor comum ou um telemóvel não consegue, por si só, aceder a informações como impressões digitais.
Além disso, o acesso a determinados dados e funções exige sempre a introdução de códigos PIN, conhecidos apenas pelo titular. Após várias tentativas erradas, o chip bloqueia automaticamente.
Cada cartão possui ainda uma chave criptográfica única, criada no próprio chip e que nunca é copiada ou transferida, o que torna inviável a duplicação do documento.
O que muda com o contactless
A versão mais recente do Cartão de Cidadão permite comunicação por NFC, tecnologia semelhante à usada em cartões bancários.
A leitura é feita por aproximação, mas o acesso a informação sensível continua dependente de validações adicionais, como o código CAN, impresso no cartão, ou o PIN. Isto evita leituras acidentais ou abusivas, mesmo quando o cartão está na carteira.
Um pequeno computador no bolso
O chip do Cartão de Cidadão não funciona como um simples repositório de ficheiros. Tem um sistema operativo próprio, desenvolvido para gerir pedidos, validar autorizações e decidir, em tempo real, se o acesso a determinado dado é ou não permitido.
Na prática, é um pequeno computador dedicado exclusivamente à proteção da identidade digital do titular.
Mais do que um documento físico, o Cartão de Cidadão tornou-se uma peça central da relação digital com o Estado. E é precisamente a combinação entre tecnologia e segurança que explica porque é considerado um dos mais robustos sistemas de identificação da Europa.







