Natureza

Como se formam as estalactites e as estalagmites nas grutas

Como se formam as estalactites e as estalagmites nas grutas
Como se formam as estalactites e as estalagmites nas grutas

Uma gruta calcária, escura e silenciosa, esconde estruturas que demoraram milénios a ganhar a forma que hoje vemos — resultado de uma reação química tão lenta que praticamente escapa a qualquer escala de tempo humana.

Tudo começa com chuva ligeiramente ácida

A água da chuva absorve dióxido de carbono do ar e do solo por onde passa, tornando-se ligeiramente ácida — uma solução fraca chamada ácido carbónico.

Ao infiltrar-se através de fendas em rochas calcárias, este ácido dissolve pequenas quantidades de carbonato de cálcio da rocha, transportando-o dissolvido na própria água à medida que continua a descer.

O que acontece quando a água chega à gruta

Quando esta água carregada de minerais atinge o teto de uma gruta e goteja para o ar, perde parte do dióxido de carbono dissolvido — um fenómeno semelhante ao de abrir uma lata de refrigerante com gás.

Essa perda de dióxido de carbono reduz a acidez da água, o que faz o carbonato de cálcio precipitar novamente, depositando-se sob a forma sólida de calcite. Repetido gota a gota, ao longo de milhares de anos, este processo forma as estalactites — as estruturas que pendem do teto, como pequenos pingentes de pedra.

E no chão nasce o reflexo: as estalagmites

Uma parte da água, ao gotejar do teto, chega ao chão da gruta ainda com minerais dissolvidos. Aí, o mesmo processo repete-se, mas de baixo para cima: a deposição gradual de calcite cria as estalagmites, colunas que crescem a partir do solo.

Um truque simples para nunca confundir as duas: “estalactite” tem “c” de “ceiling” (teto, em inglês) e “estalagmite” tem “g” de “ground” (chão).

Uma velocidade de crescimento quase impossível de imaginar

O ritmo de crescimento destas formações é extraordinariamente lento e variável: algumas estalactites crescem apenas cerca de 2,5 centímetros a cada 4.000 anos, segundo registos geológicos, embora em condições excecionais — maior fluxo de água, maior concentração mineral — algumas tenham crescido até 7,6 centímetros em apenas dez anos.

Quando as duas se encontram

Ao longo de milhares, ou até milhões de anos, uma estalactite e uma estalagmite que crescem exatamente no mesmo eixo vertical podem eventualmente encontrar-se, fundindo-se numa única coluna contínua, do teto ao chão — um dos marcos visuais mais impressionantes em qualquer gruta calcária madura.

Estruturas frágeis, com uma história imensa

Apesar de parecerem sólidas e permanentes, estas formações são extremamente frágeis e podem ser danificadas de forma irreversível por um simples toque humano, já que os óleos da pele interrompem o processo natural de deposição mineral.

Cada estalactite e cada estalagmite é, no fundo, um relógio geológico silencioso — um registo físico e extraordinariamente lento de milhares de anos de água a atravessar rocha, gota a gota, sem pressa nenhuma.

Sobre o autor

Fernando Alves

Fernando Alves é professor e editor, com formação em Ciências Naturais e mais de duas décadas de experiência a escrever e a ensinar. Assina na VortexMag artigos sobre natureza, viagens, história e atualidade, sempre com o mesmo cuidado de verificar cada facto antes de o publicar.