Portugal iniciou uma nova fase na identificação civil com a emissão do novo Cartão de Cidadão. A mudança não se limita ao aspeto gráfico: trata-se de uma atualização tecnológica profunda, alinhada com os padrões de segurança definidos a nível europeu.
O cartão que acompanha o dia-a-dia dos cidadãos passou a integrar tecnologias semelhantes às usadas nos meios de pagamento e nos sistemas de controlo de fronteiras, assumindo-se como um verdadeiro dispositivo digital de identificação.
Novo design e fotografia de maior dimensão
A alteração mais imediata é visual. O novo cartão apresenta uma organização gráfica mais clara, pensada para facilitar a leitura dos dados essenciais.
A fotografia do titular ocupa agora uma área maior, permitindo uma identificação visual mais eficaz. Foram igualmente introduzidos elementos em relevo e pormenores tácteis, que reforçam a acessibilidade para pessoas com deficiência visual e dificultam tentativas de falsificação.
O cartão passa também a incluir a referência à União Europeia, através da bandeira europeia e da sigla “PT”, em conformidade com o regulamento europeu de uniformização dos documentos de identidade.
Leitura por aproximação: tecnologia sem contacto
A principal inovação funcional está na introdução da tecnologia de leitura por aproximação.
O chip passa a poder ser lido através de NFC, de forma semelhante ao que já acontece com cartões bancários. Isto permite utilizar o cartão sem o inserir fisicamente num leitor, bastando aproximá-lo de um terminal compatível.
Na prática, esta funcionalidade simplifica a autenticação em serviços digitais do Estado, facilita processos de identificação em determinados contextos e abre caminho à utilização direta com dispositivos móveis equipados com NFC.
Antigo e novo Cartão de Cidadão: principais diferenças
| Característica | Cartão anterior | Novo cartão |
|---|---|---|
| Leitura de dados | Apenas por inserção física | Inserção e leitura por aproximação (NFC) |
| Elementos de segurança visíveis | Gravações simples | Elementos óticos variáveis e relevos |
| Chip | Visível | Integrado no corpo do cartão |
| Utilização em controlo automático de fronteiras | Compatível de forma limitada | Totalmente compatível com sistemas de passagem automática |
Segurança reforçada ao nível dos materiais e do chip
O novo Cartão de Cidadão passa a ser produzido em policarbonato, um material mais resistente e que impede a separação de camadas. Esta característica reduz significativamente o risco de adulteração de dados.
O chip utiliza uma arquitetura de dupla interface, permitindo comunicação por contacto e por aproximação. Nele são armazenados, de forma encriptada, os dados biográficos e biométricos do titular, acessíveis apenas por entidades autorizadas.
Este nível de proteção aproxima o documento português dos padrões mais exigentes aplicados na identificação civil e na circulação internacional.
Ainda é preciso manter o leitor de cartões?
Apesar da introdução da leitura por aproximação, os leitores de cartões tradicionais continuam a ser necessários em muitos contextos.
Nem todos os computadores e serviços estão ainda preparados para a utilização de NFC. Por esse motivo, o novo cartão mantém a compatibilidade com os leitores físicos já existentes, assegurando a continuidade da autenticação e da assinatura digital nos sistemas atuais.
O novo Cartão de Cidadão marca uma evolução clara na forma como a identidade digital é gerida em Portugal. A combinação entre novos materiais, leitura sem contacto e mecanismos de segurança reforçados prepara o documento para um uso mais frequente em serviços digitais e em ambientes automatizados.
Mais do que uma atualização estética, trata-se de um cartão concebido para responder às exigências actuais de mobilidade, segurança e interoperabilidade no espaço europeu.







