Num país como Portugal, onde o inverno é marcado por frio húmido e o verão por calor intenso, as janelas acabam muitas vezes por ser o ponto mais frágil do isolamento da casa. Se sente correntes de ar ou se o vidro fica gelado ao toque, há perdas térmicas evidentes.
Hoje existem várias soluções no mercado, mas nem todas fazem sentido para todas as habitações. Vidro triplo será sempre melhor? E que papel tem o gás árgon? Compreender estas diferenças ajuda a investir de forma mais acertada.
A eficiência de uma janela depende menos do vidro em si e mais do que existe entre os vidros. É a câmara intermédia que reduz a transferência de calor entre o interior e o exterior.
Vidro duplo: a solução equilibrada
O vidro duplo é composto por duas lâminas de vidro separadas por uma câmara de ar ou gás.
Reduz significativamente as perdas térmicas face ao vidro simples, podendo cortar cerca de metade da troca de calor. Para a maioria das casas em Portugal, é uma solução eficaz, com bom desempenho e custo controlado.
Vidro triplo: desempenho máximo
O vidro triplo acrescenta uma terceira lâmina e uma segunda câmara de isolamento.
O resultado é um isolamento térmico e acústico superior, muito usado em países com climas mais rigorosos. No entanto, é mais pesado, exige caixilharia mais robusta e encarece a solução. Pode também reduzir ligeiramente a entrada de luz e de calor solar no inverno.
Em Portugal, tende a justificar-se apenas em zonas de altitude elevada ou em locais com ruído exterior muito intenso.
O papel do gás árgon
Muitas janelas modernas substituem o ar da câmara por gás árgon, um gás nobre mais denso.
Por circular menos dentro da câmara, o árgon dificulta ainda mais a passagem de calor. Na prática, pode melhorar a eficiência térmica em cerca de 10% a 15%. É um reforço relativamente económico e, na maioria dos casos, compensa.
Comparação de desempenho térmico (valor U)
Quanto mais baixo for o valor U, melhor é o isolamento.
| Tipo de vidro | Valor U (W/m²K) | Isolamento |
|---|---|---|
| Vidro simples antigo | 5,8 | Muito fraco |
| Vidro duplo comum | 2,8 | Médio |
| Vidro duplo + árgon + baixo emissivo | 1,1 a 1,4 | Elevado |
| Vidro triplo + árgon | 0,6 a 0,8 | Muito elevado |
O detalhe que faz a diferença: vidro baixo emissivo
Mais importante do que escolher entre vidro duplo ou triplo é garantir que o vidro tem tratamento baixo emissivo (Low-E).
Este revestimento invisível reflete o calor para o interior no inverno e limita a entrada de calor no verão, sem comprometer a luminosidade. É um elemento essencial para o conforto térmico ao longo do ano.
Para a maioria das habitações em Portugal, a solução mais equilibrada é o vidro duplo com tratamento baixo emissivo e câmara com gás árgon. Oferece um bom nível de isolamento sem custos excessivos.
O vidro triplo pode ser tecnicamente superior, mas nem sempre se traduz em ganhos proporcionais ao investimento no nosso clima. Importa ainda lembrar que o vidro, por si só, não resolve tudo: uma caixilharia de fraca qualidade pode anular grande parte dos benefícios.







