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História desconhecida de Portugal: o massacre de Colmeal

Foi um dos episódios mais negros da história de Portugal e praticamente desconhecido do público. Falamos do massacre do Colmeal.

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massacre de colmeal
Colmeal

A história da aldeia do Colmeal é algo que mancha a justiça portuguesa e que não pode, de forma alguma, ser esquecida. Em memória daqueles que faleceram a defender as suas terras e em memória dos que não tinham voz e foram injustiçados, contamos aqui a história do massacre do Colmeal.

O princípio do fim da aldeia do Colmeal, que daria origem à destruição da aldeia, às expulsão dos aldeões das suas casas e terras e ao massacre com algumas dezenas de mortes dos seus habitantes nativos mais resistentes contra a injustiça portuguesa tivera início já antes de 1956.

Colmeal
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Mas a 8 de Julho de 1957, eram pouco mais das dez horas da manhã, um destacamento da Guarda Nacional Republicana (GNR) composto por 25 praças e 3 oficiais (um militar para cada dois habitantes, isto só podia acontecer se toda a aldeia resistisse e estivesse a lutar pelas suas casas e terras) decididos e fortemente armados (os aldeões, pastores e camponeses inocentes não tinham armas) com metralhadoras e preparados para o pior cenário, irrompem pela aldeia e, em poucas horas, surpreende e expulsa as 14 famílias de cerca de 60 aldeões e camponeses pobres que ali viviam, descendentes de gerações e gerações de lavradores e pastores que desde sempre, desde tempos longínquos e pré-históricos tal como os seus ancestrais mais antigos, aí viveram, habitaram, trabalharam e morreram, naturalmente.

Colmeal
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Nada impediu as autoridades de rebentarem com as portas das casas e levarem os poucos haveres desta gente simples que se refugiou na maioria nos montes e aldeias em redor. Os populares não aceitaram e a GNR viu-se obrigada a intervir para expulsar os resistentes no dia 10 de Julho de 1957.

Segundo os populares houve casas queimadas e registaram-se mesmo alguns mortos entre os populares da localidade. Foi a primeira vez que tal sucedeu em Portugal, uma população ser expulsa colectivamente do de uma localidade inteira.

Colmeal
Colmeal

Da localidade restam as casas que se encontram abandonadas. Inclusive, na velha igreja quinhentista, se baptizaram, casaram e enterraram. Uma mais que discutível e injusta decisão judicial, só possível sob o autoritarismo do regime fascista de então e pela impunidade de uma elite local, transformava o Colmeal numa aldeia fantasma.

E toda a povoação desapareceu. E a maioria dos seus habitantes fugiu e refugiou-se nas aldeias vizinhas ao cobarde massacre perpetrado pelas autoridades portuguesas. Hoje, só as ruínas patrimoniais e a memória colectiva das gentes, dos poucos habitantes ainda sobreviventes e dos lugares resiste, ainda e sempre, ao invasor. Para nos contarem o pouco que se conhece.

Colmeal
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Para que o massacre nunca seja esquecido pelas gerações vindouras, para que o silêncio nunca nos esmague. Um pouco sobre as causas da história. Os factos remontam aos anos iniciais do século XX antes dos anos ’40 do século XX, quando um novo “feitor” anunciava já a desgraça, que afinal a aldeia já não era foro mas que pagavam renda.

E todos passavam a andar endividados. Porque o feitor subarrendatário não pagava a renda há quatro anos àquela que era, de acordo com uma escritura de 1912, à nova e legítima proprietária dos terrenos dos herdeiros dos condes de Belmonte.

Colmeal
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A colheita mal dava para comer quanto mais pagar ao arrendatário: eram impostos da burra, dos cães e da carroça dos machos, mais a côngrua, um alqueire de trigo…

Com efeito, em meados dos anos 50 do século XX, começa a construção da tramóia, Rosa Cunha e Silva a nova herdeira das terras onde se situava a aldeia, queria-se dona de todo o Colmeal, e sob o pretexto de que os habitantes do Colmeal, ao contrário do que até então haviam feito, se recusavam agora a pagar os foros e rendas devidos pelos trabalhos agrícolas que aí desenvolviam, moveu um processo judicial contra aquela comunidade.

Colmeal
Colmeal

O mandato de despejo é rapidamente e em força posto em pratica pela Guarda Nacional Republicana com 28 militares armados até aos dentes às coronhadas e aos tiros que, em poucas horas, forçou a saída dos habitantes das suas casas dando-lhes apenas tempo para reunirem os seus poucos e parcos haveres.

Mas houve muitos que resistiram contra a injustiça de lhes quererem roubar a sua aldeia, as suas terras, as suas casas, a sua família, a sua história, as suas vidas… E pagaram por isso. Foram assassinados e esquecidos pelo poder instalado em Portugal.

6 COMENTÁRIOS

  1. E agora é um complexo de turismo rural, com ruas abertas por entre as ruínas, casa novas erigidas e maçiços de betão dentro e à volta da capela certamente numa tentativa de a manter de pé por mais algum tempo, enfim….

  2. Olá, relativamente aos comentários do colmeal, eu entendo que só devemos falar daquilo que conhecemos e não por-nos a inventar, como é o caso de dizerem que houve mortos, que não houve mortos a quando da expulsão dos habitantes, isso não é verdade. Mas se quiser saber a verdadeira história, eu posso espenicar-lhe. Só para terminar há um ditado que diz que quem faz em mulher alheia, perde-lhe o feitio que foi o caso de quem construi em terreno que não era das pessoas.

  3. Olá Senhor Francisco Monteiro, o senhor parece conhecer o outro lado da história, vou seguir o link, mas seria bom que o senhor explicasse…………obrigado

  4. Há de facto um exagero na descrição dos factos, uma vez que não foi provado ter havido algum morto, quanto mais dezenas. Aconselho por isso aos leitores a leitura do artigo do Jornal Mapa jornalmapa.pt/2016/04/06/colmeal-a-terra-do-silencio/

  5. Pelo conteúdo do texto, e face à verdade histórica, vê-se bem a cor política de quem o escreveu.

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