Em Portugal, o problema da humidade dentro de casa tem uma marca muito clara: surge sobretudo no inverno, em habitações frias, pouco isoladas e com ventilação limitada. É neste contexto que aparece a dúvida habitual — investir num desumidificador dedicado ou usar o modo “Dry” do ar condicionado?
Embora ambos consigam retirar água do ar, a eficácia, o conforto e o impacto na fatura eléctrica variam bastante quando se olha para a realidade do clima português.
Como funciona cada solução
- Desumidificador: aspira o ar da divisão, condensa a humidade e devolve-o ligeiramente mais quente. Este aumento discreto de temperatura é, no inverno, uma vantagem.
- Ar condicionado (modo Dry): remove humidade através do sistema de refrigeração. Mesmo em modo de desumidificação, tende a arrefecer o ar ou, nos modelos mais recentes, a mantê-lo neutro.
Consumo eléctrico em contexto real
Em termos de consumo por hora, o desumidificador é mais contido:
- Desumidificador doméstico: cerca de 200 a 400 W.
- Ar condicionado em modo Dry: normalmente entre 800 e 1500 W.
É verdade que o ar condicionado consegue reduzir a humidade mais depressa, mas essa rapidez raramente é determinante no inverno português, onde o objectivo é manter o ar seco durante várias horas sem tornar a casa mais fria.
O que faz mais sentido em cada situação
Inverno húmido e frio (o cenário mais comum)
Aqui, o desumidificador é claramente a opção mais ajustada.
- Remove humidade de forma contínua.
- Não arrefece o ambiente, ajudando até a torná-lo ligeiramente mais confortável.
- Pode funcionar durante várias horas com impacto controlado na fatura eléctrica.
Usar o modo “Dry” do ar condicionado neste cenário tende a agravar o desconforto térmico, obrigando depois a gastar mais energia para aquecer a casa.
Verão português
Mesmo no verão, a humidade interior em Portugal raramente é o principal problema. O desconforto está sobretudo associado à temperatura elevada.
Nessas situações, o ar condicionado faz sentido quando já está a ser usado para arrefecer, sendo a desumidificação um efeito secundário. Utilizar um desumidificador isoladamente no verão é, na maioria dos casos, pouco prático.
Secagem de roupa dentro de casa
Neste ponto, o desumidificador destaca-se claramente. A extração constante de humidade, combinada com o ligeiro aquecimento do ar, acelera a secagem e reduz o risco de condensação em paredes e janelas — algo muito comum nos meses frios.
Comparação resumida
| Aspecto | Desumidificador | Ar condicionado (Dry) |
|---|---|---|
| Consumo por hora | Baixo | Médio a elevado |
| Adequação ao inverno | Muito boa | Fraca |
| Impacto térmico | Aquece ligeiramente | Arrefece |
| Uso contínuo | Adequado | Pouco eficiente |
| Mobilidade | Fácil | Fixo |
Conclusão
No clima português, marcado por invernos húmidos e casas frias, o desumidificador é a solução mais coerente, económica e confortável para controlar a humidade. O modo “Dry” do ar condicionado deve ser visto como um complemento ocasional, útil apenas quando o equipamento já está a ser utilizado para climatização.
Independentemente da escolha, há uma regra que nunca muda: tentar desumidificar com janelas abertas é desperdiçar energia e dinheiro.







