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Castelo Novo: um dos maiores segredos do Centro de Portugal

Castelo Novo, no Fundão, tem um castelo gótico de 800 anos, ruas de granito na Serra da Gardunha e uma procissão anual que começou com uma lenda de gafanhotos e uma mulher desprezada.

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Jun 4, 2026
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Na encosta da Serra da Gardunha, no concelho do Fundão, Castelo Novo estende-se em torno de um castelo com mais de 800 anos, em ruas estreitas e labirínticas que o granito define desde o chão até às fachadas. A paisagem sobre a serra fecha-se ao fundo — frondosa, com rochas características e fontes que brotam ao longo dos caminhos.

Na primavera, as cerejeiras transformam a encosta. A cereja é o fruto que marca a região com mais intensidade — uma azáfama de colheita que enche a aldeia durante semanas e que as culturas de pêssego, nectarina e maçã prolongam ao longo do verão.

Os Templários, D. Dinis e o gótico

A história começa no reinado de D. Sancho I, quando Pedro Guterres doou as terras aos Cavaleiros Templários. O castelo estava presumivelmente em construção por essa altura — D. Dinis ordenou mais tarde a sua renovação, o que explica as características marcadamente góticas que ainda hoje são visíveis. São mais de 800 anos de estrutura que sobreviveu sem grandes alterações ao que veio depois.

A aldeia cresceu em torno das muralhas com a lógica habitual dos aglomerados medievais — casas encostadas umas às outras, ruas que seguem o perfil da encosta, granito em tudo porque era o que havia e era o que durava.

Belisandra e a procissão de setembro

Castelo Novo tem uma lenda que ainda hoje produz um ritual anual. Belisandra era uma mulher que vivia sozinha com um gato e que os habitantes desprezavam — mas a quem recorriam quando tinham um problema.

Quando se avistou ao longe uma praga de gafanhotos, os habitantes desesperaram e foram ter com ela. Belisandra sugeriu uma procissão ao Senhor da Misericórdia. A procissão ainda ia no adro quando os gafanhotos começaram a cair.

A procissão repete-se todos os anos no primeiro domingo de setembro. A lenda não confirma nem nega o que Belisandra era — apenas registou o que ela fez, e isso foi suficiente para que a aldeia não a esquecesse.

A Serra da Gardunha e o que a rodeia

A Serra da Gardunha, integrada na Rede Natura 2000, tem percursos pedestres com mais de 300 quilómetros e percursos de BTT com mais de 400.

A diversidade biológica, as rochas características e as fontes ao longo dos caminhos fazem dela uma extensão natural da visita a Castelo Novo.

Alpedrinha, nas imediações, faz parte da rede de Aldeias de Montanha e tem um centro histórico com Igreja Matriz, fontes e solares que se veem melhor a pé.

A Serra da Estrela fica a pouco mais de meia hora — com Unhais da Serra, Cortes do Meio e Loriga no caminho.

Ao longo do ano, as festas da região acrescentam argumento à visita: a Festa da Cereja de Alcongosta, a Festa do Queijo de Soalheira e o Festival do Cogumelo de Alcaide são referências no calendário da Serra da Gardunha.

Castelo Novo tem lareira no inverno, cerejeiras na primavera, procissão em setembro e granito o ano inteiro. É uma aldeia histórica que não precisa de se justificar — a Serra da Gardunha atrás, as ruas labirínticas à frente, e a lenda de Belisandra a lembrar que alguns problemas só se resolvem com uma procissão no momento certo.

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