Na encosta da Serra da Gardunha, no concelho do Fundão, Castelo Novo estende-se em torno de um castelo com mais de 800 anos, em ruas estreitas e labirínticas que o granito define desde o chão até às fachadas. A paisagem sobre a serra fecha-se ao fundo — frondosa, com rochas características e fontes que brotam ao longo dos caminhos.
Na primavera, as cerejeiras transformam a encosta. A cereja é o fruto que marca a região com mais intensidade — uma azáfama de colheita que enche a aldeia durante semanas e que as culturas de pêssego, nectarina e maçã prolongam ao longo do verão.
Os Templários, D. Dinis e o gótico
A história começa no reinado de D. Sancho I, quando Pedro Guterres doou as terras aos Cavaleiros Templários. O castelo estava presumivelmente em construção por essa altura — D. Dinis ordenou mais tarde a sua renovação, o que explica as características marcadamente góticas que ainda hoje são visíveis. São mais de 800 anos de estrutura que sobreviveu sem grandes alterações ao que veio depois.
A aldeia cresceu em torno das muralhas com a lógica habitual dos aglomerados medievais — casas encostadas umas às outras, ruas que seguem o perfil da encosta, granito em tudo porque era o que havia e era o que durava.
Belisandra e a procissão de setembro
Castelo Novo tem uma lenda que ainda hoje produz um ritual anual. Belisandra era uma mulher que vivia sozinha com um gato e que os habitantes desprezavam — mas a quem recorriam quando tinham um problema.
Quando se avistou ao longe uma praga de gafanhotos, os habitantes desesperaram e foram ter com ela. Belisandra sugeriu uma procissão ao Senhor da Misericórdia. A procissão ainda ia no adro quando os gafanhotos começaram a cair.
A procissão repete-se todos os anos no primeiro domingo de setembro. A lenda não confirma nem nega o que Belisandra era — apenas registou o que ela fez, e isso foi suficiente para que a aldeia não a esquecesse.
A Serra da Gardunha e o que a rodeia
A Serra da Gardunha, integrada na Rede Natura 2000, tem percursos pedestres com mais de 300 quilómetros e percursos de BTT com mais de 400.
A diversidade biológica, as rochas características e as fontes ao longo dos caminhos fazem dela uma extensão natural da visita a Castelo Novo.
Alpedrinha, nas imediações, faz parte da rede de Aldeias de Montanha e tem um centro histórico com Igreja Matriz, fontes e solares que se veem melhor a pé.
A Serra da Estrela fica a pouco mais de meia hora — com Unhais da Serra, Cortes do Meio e Loriga no caminho.
Ao longo do ano, as festas da região acrescentam argumento à visita: a Festa da Cereja de Alcongosta, a Festa do Queijo de Soalheira e o Festival do Cogumelo de Alcaide são referências no calendário da Serra da Gardunha.
Castelo Novo tem lareira no inverno, cerejeiras na primavera, procissão em setembro e granito o ano inteiro. É uma aldeia histórica que não precisa de se justificar — a Serra da Gardunha atrás, as ruas labirínticas à frente, e a lenda de Belisandra a lembrar que alguns problemas só se resolvem com uma procissão no momento certo.







