Na encosta da Serra da Lousã, no concelho de Figueiró dos Vinhos, há uma aldeia que cabe praticamente numa única rua. Casas de xisto alinhadas, portas baixas, escadas exteriores em pedra e uma fonte onde a água corre de forma contínua. Casal de São Simão é pequena na dimensão, mas ampla no cenário que a envolve.
Integrada na rede das Aldeias do Xisto, começou a ganhar nova vida nas últimas décadas graças a projetos de recuperação habitacional e ao trabalho de moradores que decidiram regressar ou reinventar ali o seu quotidiano.
O resultado é uma aldeia cuidada, onde o restauro respeita a traça original e onde o convívio ainda faz parte do ritmo local.
Entre a pedra e a água
O principal chamariz natural está poucos minutos abaixo da aldeia. Os Passadiços das Fragas de São Simão ligam Casal de São Simão ao miradouro e à praia fluvial, acompanhando a ribeira de Alge ao longo de cerca de 1,7 quilómetros.
O percurso, acessível mas com alguns desníveis, atravessa encostas cobertas por vegetação densa. Aqui subsistem vestígios de laurissilva continental, um tipo de floresta húmida que praticamente desapareceu do território continental português.
A caminhada demora cerca de 45 minutos, mais se houver paragens para fotografar o vale encaixado entre fragas quartzíticas.
No final, surge a Praia Fluvial das Fragas de São Simão, encaixada num cenário rochoso onde a água forma pequenas lagoas naturais antes de seguir em direção ao Zêzere. Nos meses quentes, é um dos refúgios mais procurados da região.
Uma aldeia que renasceu
Casal de São Simão quase ficou desabitada no século XX, como tantas outras aldeias serranas. A reabilitação começou com iniciativas locais e com o impulso do projeto Aldeias do Xisto, que ajudou a estruturar alojamento, restauração e pequenas lojas de produtos regionais.
Hoje, além da loja da rede e de um restaurante instalado numa antiga casa recuperada, a aldeia conta com alojamentos de turismo rural e com a associação “Refúgios de Pedra”, responsável por dinamizar atividades culturais e ambientais.
O ambiente mantém-se tranquilo, sobretudo fora da época alta. Ao fim da tarde, quando os visitantes regressam às cidades, a rua volta a pertencer aos residentes e ao som da água na fonte.
Trilhos e aldeias vizinhas
Para quem prefere explorar a pé, o PR1 FVN – Caminho do Xisto de Casal de São Simão percorre cerca de 5 quilómetros por antigos caminhos rurais e levadas que alimentavam moinhos. A dificuldade é baixa a moderada e permite compreender melhor a organização agrícola tradicional da serra.
A curta distância encontram-se outras aldeias recuperadas, como Ferraria de São João e Gondramaz. Um pouco mais longe, a península fluvial de Dornes oferece outra leitura do território, já em plena albufeira do Zêzere.
Nos dias de verão, além das Fragas de São Simão, há várias praias fluviais na região, como a da Louçainha ou a de Ana de Aviz, que permitem combinar património construído e natureza.
Um destino para abrandar
Casal de São Simão não exige muito tempo, mas recompensa quem permanece. A visita pode durar uma manhã ou integrar um fim de semana dedicado à Serra da Lousã. O essencial é caminhar devagar, observar os detalhes do xisto e aproveitar a envolvente natural.
Mais do que um postal, esta é uma aldeia que demonstra como o interior pode reinventar-se sem perder identidade. Entre pedra e água, a escala é pequena — mas o cenário é amplo.






