Há flores que parecem pertencer a outro tempo — cheias de elegância, com uma presença quase nobre nos jardins. As camélias são exatamente assim. Originárias da Ásia, sobretudo da China e do Japão, chegaram a Portugal há séculos e nunca mais saíram dos nossos jardins.
E percebe-se porquê: florescem quando quase tudo o resto dorme, colorem o inverno com tons de rosa, vermelho e branco, e têm uma resistência que desmente a sua aparência delicada.
Quais as espécies mais comuns em Portugal?
O género Camellia é vasto, mas há quatro espécies que dominam os jardins e viveiros portugueses:
- Camellia japonica – a mais popular de todas, com flores grandes e vistosas, simples ou dobradas, em múltiplas cores. Floresce entre o outono e o inverno.
- Camellia sasanqua – flores mais pequenas, perfumadas e delicadas; tolera melhor o calor e antecipa a floração para o final do verão e outono.
- Camellia reticulata – impressiona pelo tamanho das flores, dobradas e exuberantes; floresce entre o final do inverno e o início da primavera.
- Camellia sinensis – a planta do chá, com flores brancas e discretas. Uma curiosidade encantadora para qualquer jardim.
Além destas, existem inúmeros híbridos disponíveis em viveiros especializados, com cores e formas surpreendentes.
Como plantar: em vaso ou no jardim?
As camélias adaptam-se bem a ambas as situações — basta respeitar algumas regras essenciais.
Em vaso: escolha um recipiente fundo com boa drenagem. Use substrato ácido, rico em matéria orgânica — uma mistura de turfa, casca de pinheiro e vermiculita funciona muito bem. Posicione o vaso a meia-sombra, longe do sol direto nas horas mais quentes do dia.
No solo: prefira locais abrigados do vento, com luz filtrada. O solo deve ser ácido e bem drenado, enriquecido com composto orgânico. Evite zonas encharcadas e aplique uma camada de cobertura morta à volta da base para conservar a humidade e proteger as raízes.
Os cuidados que fazem toda a diferença
Rega: as camélias apreciam humidade constante, mas não suportam encharcamento. No verão, regue duas a três vezes por semana; no inverno, uma vez chega. Regue sempre junto à base, nunca sobre as flores.
Adubação: na primavera, aposte num composto orgânico; no verão, use um fertilizante equilibrado, como NPK 10-10-10. No outono e inverno, reduza a adubação para deixar a planta descansar.
Poda: faça-a logo após a floração. Retire ramos secos, cruzados ou excessivamente compridos, e remova as flores murchas — este gesto simples estimula novos rebentos e prepara a planta para a próxima estação.
Pragas: fique atento a afídeos e cochonilhas. Em caso de ataque, o sabão de potássio é uma solução eficaz e pouco agressiva para a planta e para o ambiente.
Como multiplicar as suas camélias
Se quer ter mais plantas — ou partilhar com amigos e vizinhos —, a multiplicação por estacas é o método mais simples e fiável. Corte ramos jovens e saudáveis com cerca de 10 a 15 centímetros, plante-os em substrato húmido e ácido, e aguarde: em dois a três meses surgem as primeiras raízes.
A propagação por semente é possível, mas mais demorada e exige estratificação a frio antes da germinação — uma aventura para os mais pacientes.
Dica final: se ainda não tem uma camélia no seu jardim ou varanda, o outono é a altura ideal para plantar. Vai agradecer a si próprio quando, em pleno inverno, ela abrir as primeiras flores.







