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Bayingyis: o povo de olhos verdes da Birmânia que descende dos portugueses

A milhares de quilómetros de distância, na Birmânia, vivem os Bayingyis, um povo de olhos verdes que descende dos navegadores portugueses.

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Bayingyis
Bayingyis

 

Já ouviu falar dos Bayingyis, o povo de olhos verdes da Birmânia que descende dos portugueses? Trata-se de um episódio quase desconhecido da história portuguesa e que resultou na origem de uma pequena comunidade de luso-descendentes na Birmânia que ainda hoje preserva algumas características dos portugueses, como a cor da pele mais clara e os olhos de cor verde ao azul, contrastando com os restantes habitantes da região, de cor de pele mais escura e com olhos castanhos ou pretos. A hegemonia portuguesa no Índico e no Pacífico durou perto de um século e seria profundamente abalada com a chegada dos holandeses àqueles mares.

Birmânia

Com a substituição da dominação portuguesa pela holandesa – permanecendo nas terras que as viram nascer; deportados para outras paragens; ou forçados à emigração – as cristandades mestiças euro-asiáticas do Oriente talharam a identidade colectiva de cada uma que perdurou até aos nossos dias e que assenta em dois pilares principais: a religião católica e a língua crioula.

Birmânia

Entre essas comunidades destaca-se a dos descendentes dos muitos soldados portugueses que na época de Seiscentos lutaram ao lado dos soberanos de Ava e do Pegu, reinos da antiga Birmânia, ou que faziam parte do pequeno exército de Filipe de Brito, ou do seu companheiro de armas Salvador Ribeiro de Sousa, senhores feudais em terras do Oriente, ambos empossados com o título de ‘rei do Pegu’, e que são hoje conhecidos em Myanmar (actual Birmânia) como os ‘bayingyis’.

Pegu

A comunidade luso-descendente de Myanmar, os Bayingyi, encontra-se hoje concentrada no norte do país. O Pe. Bruno U Sein Win recorda que foi Portugal que levou para lá o Catolicismo. “Infelizmente, Portugal está fora de moda”, disse o capelão ao jornalista português Joaquim Magalhães de Castro, que viajou para aquelas paragens em 2002 com o patrocínio do Instituto Internacional de Macau.

Birmânia

Filipe de Brito, que se casou com uma birmanesa que, depois de convertida ao Catolicismo, adoptou o nome de Dona Maria de Saldanha, sonhava com a criação de um Estado equivalente ao Estado da Índia, mas no Sudeste Asiático.

Birmânia

O reino de Ava, porém, antecipou-se, ocupando o reino de Tangu, onde Brito estava, em 1609, e este viu-se obrigado a refugiar-se em Sirião, conhecida hoje como a tal “ilha dos portugueses” e que foi sede do Estabelecimento Português nos primórdios do século XVII, antes de morrer por empalamento.

Birmânia

O rei de Ava, Anaukpetlun, que conquistou o Estabelecimento Português em 1613, ordenou a execução do português e do seu amigo A Nat Shin Naung, rei do Tangu. Segundo as crónicas da época, Brito terá passado “três dias em agonia antes de perecer”.

Birmânia

Os Bayingyi preservam ainda hoje traços ocidentais e características como olhos verdes ou azuis, narizes proeminentes e corpos mais peludos que os comuns birmaneses. Eles são a mais antiga comunidade católica de Myanmar e perfazem pouco mais de meio milhão de pessoas (bem mais que os Kristang de Malaca) num país predominantemente budista.

Birmânia

Tal como para os Kristang, o Catolicismo é para os Bayingyi uma senha de identidade, para além como é óbvio das suas feições ocidentais, distinguindo-os do resto do povo birmanês. E tal como os Kristang, também os Bayingyi têm orgulho da sua ascendência lusitana e identidade.

 

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