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Conímbriga: 80% da cidade ainda está por escavar – e o que está à vista já impressiona

Conímbriga
Conímbriga

A 16 quilómetros de Coimbra, em Condeixa-a-Velha, as ruínas de Conímbriga são o maior sítio arqueológico romano de Portugal — e um dos mais importantes da Península Ibérica. Cerca de 100 mil pessoas visitam-nas por ano. E apenas 20% da cidade está escavada.

O que está à vista — o fórum, as termas, as domus com mosaicos no lugar, o anfiteatro, as muralhas — é suficiente para perceber a escala do que aqui existiu. O que ainda está debaixo da terra é, provavelmente, maior do que tudo isso.

De castro celta à capital da Lusitânia

O território foi habitado desde tempos pré-históricos, mas Conímbriga tem origem confirmada num castro celta da tribo dos Conii, na fase final da Idade do Ferro. As tropas romanas ocuparam o sítio em 139 a.C., e a cidade foi-se desenvolvendo até se tornar uma das principais cidades da província da Lusitânia.

Situada entre Olisipo — a atual Lisboa — e Bracara Augusta — a atual Braga — beneficiou de uma posição estratégica numa das principais rotas da rede viária romana da Península. Sob o governo do imperador Augusto, foram construídas obras fundamentais: o fórum, o anfiteatro e as termas.

As casas e os mosaicos

Muito do que torna Conímbriga memorável não são os edifícios públicos mas a arquitetura doméstica — as insulae e as sumptuosas domus que os arqueólogos foram descobrindo desde o século XIX.

Algumas destas casas têm mosaicos preservados no local original, com padrões geométricos e figuras mitológicas que sobreviveram quase dois mil anos de terra por cima.

A Casa de Cantaber, uma das domus mais bem preservadas, dá uma ideia clara do que era viver com riqueza em Conímbriga no século I.

O fim da cidade

Em 464, os Suevos tomaram Conímbriga de assalto e destruíram parte da muralha. Os habitantes que restaram fugiram, fundando Condeixa-a-Velha — uma continuidade direta entre a cidade romana abandonada e a aldeia que existe ao lado.

Quando os Visigodos venceram os Suevos, Conímbriga perdeu o estatuto episcopal para Emínio — a atual Coimbra, com melhores condições defensivas.

A cidade ficou deserta. Os primeiros contactos modernos com as ruínas começaram no século XVI. As escavações sistemáticas iniciaram-se em 1898, e as ruínas abriram ao público em 1930.

O Museu de Conímbriga

O Museu de Conímbriga, criado em 1962, tutela as ruínas e apresenta uma coleção de artefactos organizados em 31 temas, em quatro salas com focos distintos.

A primeira sala aborda a vida quotidiana. A segunda dedica-se ao fórum, com destaque para uma maqueta que reconstitui o santuário de culto imperial do último quartel do século I.

A terceira tem estátuas, mosaicos e fragmentos de estuque e frescos das casas das famílias abastadas. A quarta apresenta objetos religiosos — pagãos e cristãos — que revelam as superstições e os rituais funerários da cidade.

Entre os artefactos, moedas, objetos cirúrgicos e peças de uso quotidiano reconstituem a textura da vida em Conímbriga desde pelo menos o século IX a.C. até aos séculos VII-VIII d.C. — um período de cerca de 1600 anos de ocupação contínua no mesmo território.

Conímbriga foi habitada durante mais de um milénio e meio, foi capital de uma das províncias mais importantes do Império Romano, e foi destruída por um ataque militar.

Os habitantes que fugiram fundaram a aldeia que existe ao lado. E oito em cada dez metros quadrados da cidade ainda estão por escavar. É uma escala de passado que qualquer visita, por mais demorada que seja, apenas toca na superfície.

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