O arroz de marisco é um dos grandes clássicos da cozinha portuguesa, sobretudo nas regiões costeiras. Mais do que a variedade de marisco utilizada, é a intensidade do caldo e a textura do arroz que distinguem um prato bem executado de uma simples combinação de arroz com peixe e crustáceos.
Um verdadeiro arroz de marisco nunca é seco. Deve apresentar-se solto, mas envolvido por um caldo concentrado, servido no ponto certo para ser comido à colher.
Hoje, com marisco fresco ou ultracongelado de boa qualidade facilmente disponível, a diferença está quase toda na técnica e no controlo dos tempos.
O caldo é a base de todo o sabor
Um dos erros mais comuns é recorrer a água ou a caldos prontos. Num arroz de marisco bem feito, o caldo deve ser preparado a partir das próprias cascas e cabeças.
Salteiam-se as cascas de camarão em azeite e alho, esmagando-as ligeiramente para libertar os sucos. Junta-se água, cebola e alguns pés de coentros e deixa-se ferver cerca de vinte minutos. No final, coa-se ou tritura-se. É este líquido que vai definir a cor e a profundidade do prato.
O grão certo faz toda a diferença
Tal como acontece noutros arrozes tradicionais, o tipo de arroz é determinante. O arroz carolino continua a ser a opção mais adequada, porque absorve bem o caldo e liberta amido suficiente para criar uma textura ligada.
O uso de arroz agulha resulta, quase sempre, num arroz mais solto e com menos capacidade de fixar o sabor do marisco.
A ordem de entrada dos ingredientes
Num arroz de marisco equilibrado, cada ingrediente entra na panela no momento certo, respeitando o seu tempo de cozedura:
- Refogado de cebola e alho – no início, para criar a base aromática.
- Arroz – logo após o refogado, para ser envolvido na gordura e ganhar alguma resistência.
- Caldo de marisco – de seguida, numa proporção aproximada de três partes de caldo para uma de arroz.
- Marisco de cozedura mais longa (como sapateira ou búzios) – a meio do processo, para libertar sabor.
- Camarão e amêijoa – apenas nos últimos minutos, evitando que fiquem rijos.
Um refogado bem construído
O refogado deve ser feito com tempo e sem pressas. A cebola deve cozinhar lentamente em azeite, até ficar macia e translúcida. O alho entra apenas no final, para não queimar.
É comum juntar um pouco de polpa de tomate ou tomate maduro bem triturado, bem como uma pequena quantidade de massa de pimentão, que ajudam a reforçar a cor e a complexidade do sabor.
Um pequeno toque de vinho branco seco, adicionado antes do arroz, permite soltar os sabores do fundo da panela. O álcool deve evaporar por completo antes de se avançar para a etapa seguinte.
O ponto do arroz “malandrinho”
O arroz de marisco deve ser servido de imediato. O lume deve ser desligado quando o grão ainda apresenta uma ligeira resistência ao centro.
O calor do próprio caldo termina a cozedura já fora do fogão. Se se esperar que o arroz esteja totalmente cozido antes de desligar, o resultado final tende a ficar demasiado aberto e sem estrutura.
Coentros e picante no momento certo
Os coentros devem ser adicionados apenas no final, já fora do lume, para manterem o aroma e a cor. Uma pequena quantidade de picante, ajustada ao gosto, completa o prato sem se sobrepor ao sabor do marisco.
Organização antes de começar
Ter o caldo pronto, o marisco preparado e todos os ingredientes separados permite concentrar a atenção no ponto do arroz, que é o verdadeiro momento crítico da receita.
Num prato que depende tanto do tempo e da sequência, a preparação prévia continua a ser um dos maiores aliados de quem cozinha.







