As rotundas continuam a ser um dos pontos mais problemáticos da circulação rodoviária em Portugal. Apesar de as regras terem sido clarificadas com a revisão do Código da Estrada em 2014, muitos condutores mantêm hábitos antigos, circulando pela via da direita sem necessidade.
Esse comportamento, além de gerar conflitos, pode resultar em coimas elevadas e responsabilidade em caso de acidente. Conhecer as regras é essencial para circular em segurança e evitar multas.
A regra fundamental da circulação em rotundas
O princípio base é simples: a via da direita da rotunda destina-se apenas a quem vai sair na primeira saída. Para todas as restantes saídas, a circulação deve ser feita pelas vias interiores.
Saída na primeira saída
Quem pretende sair imediatamente deve aproximar-se da rotunda pela via da direita. A entrada faz-se diretamente para essa via, sinalizando a intenção de sair com o pisca à direita logo após a entrada, ou antes, caso a saída seja muito próxima.
Saída na segunda ou seguintes
Quando a intenção é seguir para a segunda saída ou para qualquer uma das seguintes, a aproximação deve ser feita pela via da esquerda, ou pela via mais adequada ao destino, quando existam mais de duas.
A entrada na rotunda faz-se pelas vias interiores. A mudança para a via da direita só deve ocorrer depois de ultrapassada a saída imediatamente anterior àquela que se pretende utilizar. Esta manobra deve ser sempre sinalizada com o pisca à direita e realizada apenas quando existirem condições de segurança.
Inversão de marcha na rotunda
Para inverter o sentido de marcha, o veículo deve ocupar a via mais à esquerda, junto ao centro da rotunda. A aproximação à via da direita só deve começar após passar a saída anterior à pretendida, respeitando as mesmas regras de sinalização e segurança.
As exceções previstas na lei
O Código da Estrada prevê exceções para alguns tipos de veículos. Veículos de tração animal, bicicletas e veículos pesados podem circular pela via da direita mesmo que não saiam na primeira saída. Esta exceção tem em conta as suas dimensões ou menor agilidade.
Ainda assim, estes condutores devem facilitar a saída dos veículos que circulam corretamente pelas vias interiores.
Boas práticas para evitar acidentes
A utilização correta dos indicadores de mudança de direção é essencial. Enquanto circula nas vias interiores, o pisca à esquerda indica a intenção de continuar na rotunda. O pisca à direita torna-se obrigatório assim que se ultrapassa a saída anterior à pretendida.
Quem já circula dentro da rotunda tem sempre prioridade sobre quem vai entrar, salvo indicação contrária da sinalização, situação pouco comum. Se não for possível mudar de via em segurança ou se a saída for ultrapassada, a solução correta é dar mais uma volta à rotunda, nunca parar ou fazer marcha-atrás.
Coimas e responsabilidade em caso de acidente
Circular incorretamente numa rotunda, nomeadamente fazer todo o percurso pela via da direita num veículo ligeiro sem sair na primeira saída, constitui infração. A coima pode variar entre 60 e 300 euros.
Em caso de acidente, este comportamento pesa também na atribuição de responsabilidades, sendo frequente que a culpa recaia sobre quem circulava indevidamente pela via exterior.
Em resumo, respeitar as regras de circulação nas rotundas não só evita multas, como contribui para uma condução mais fluida e previsível, reduzindo conflitos e acidentes.







