Pedir a reforma antes da idade legal — que em 2026 se fixa nos 66 anos e 7 meses — é uma decisão que muitos ponderam, mas que exige contas bem feitas. O sistema português penaliza quem sai mais cedo, embora existam cenários em que a antecipação pode compensar.
Antes de avançar, é essencial perceber o impacto real no valor da pensão e o que se ganha em troca.
Como funciona a reforma antecipada
O acesso não é automático. Pode ser feito através do regime de flexibilização (a partir dos 60 anos, com pelo menos 40 anos de descontos) ou ao abrigo de carreiras muito longas. Em ambos os casos, aplicam-se regras próprias.
O que se perde: os cortes que ficam para sempre
A reforma antecipada implica reduções permanentes na pensão. Há dois mecanismos principais:
1. Fator de sustentabilidade
Este corte reflete o aumento da esperança média de vida. Em 2024/2025 rondou os 15,8%.
No regime de flexibilização (60 anos com 40 de descontos), este fator não se aplica, mas a penalização mensal mantém-se.
2. Penalização mensal (0,5% por mês)
Por cada mês em falta até à idade legal, a pensão é reduzida em 0,5%, de forma definitiva.
Exemplo: antecipar a reforma em 24 meses implica um corte de 12% para toda a vida.
O que se ganha: tempo e previsibilidade
Apesar dos cortes, há ganhos que pesam na decisão:
- Tempo disponível: mais anos de descanso e lazer numa fase em que a saúde tende a ser melhor.
- Recebimento antecipado: começar a receber mais cedo pode compensar parte da perda mensal. Receber, por exemplo, 800 € durante dois anos representa 19.200 € que não entrariam se se esperasse pela idade legal.
- Menos despesas associadas ao trabalho: transportes, refeições fora e vestuário profissional deixam de pesar no orçamento.
Em muitos casos, são precisos 15 a 20 anos de pensão “inteira” para anular o que se recebeu a mais nos primeiros anos de reforma antecipada.
Resumo rápido: perdas vs. ganhos
| Critério | Idade legal | Reforma antecipada |
|---|---|---|
| Valor mensal | 100% da pensão | Corte de 0,5% por mês |
| Fatores de penalização | Nenhum | Pode incluir sustentabilidade |
| Tempo livre | Menor | Maior |
| Pressão laboral | Mantém-se | Reduz-se |
Quem pode escapar aos cortes
Há exceções importantes:
- Carreiras muito longas:
- Aos 60 anos, com 48 anos ou mais de descontos, não há cortes.
- Com 46 anos de descontos e início de carreira antes dos 14 anos, também não se aplicam penalizações.
- Desemprego de longa duração: regras específicas permitem acesso com reduções mais suaves, em certas condições.
Dica prática: simular antes de decidir
Na Segurança Social Direta, o simulador de pensões permite comparar valores ao cêntimo: quanto receberia se pedisse a reforma agora e quanto receberia se esperasse pela idade legal. É a ferramenta essencial para tomar uma decisão informada.
A reforma antecipada é uma troca clara entre tempo e dinheiro. Para quem tem poupanças complementares ou prioriza qualidade de vida, o tempo ganho pode justificar o corte.
Para pensões já baixas, antecipar pode comprometer o rendimento futuro. Avaliar com números concretos é indispensável antes de assinar qualquer pedido.







