Com cada vez mais bicicletas a circular nas estradas portuguesas, a dúvida repete-se entre muitos condutores: quem tem, afinal, prioridade — os automóveis ou os ciclistas?
A resposta não depende do tipo de veículo, mas das regras gerais de prioridade previstas no Código da Estrada. Carros e bicicletas partilham a via pública e, juridicamente, os velocípedes são equiparados a veículos, embora os seus utilizadores sejam classificados como utilizadores vulneráveis.
Perceber esta diferença é essencial para uma convivência mais segura.
Porque há mais bicicletas na estrada
O aumento do número de ciclistas resulta de vários factores: custos elevados dos combustíveis, dificuldades de estacionamento, tempos de deslocação cada vez maiores nas cidades e incentivos à mobilidade sustentável. Para muitos percursos curtos, a bicicleta tornou-se uma alternativa prática.
Este novo contexto obriga condutores e ciclistas a conhecerem melhor as regras de circulação.
Carros e bicicletas estão sujeitos às mesmas regras
Desde a revisão do Código da Estrada que entrou em vigor em 2014, os velocípedes passaram a estar formalmente equiparados aos restantes veículos.
Na prática, isto significa que:
- os ciclistas têm o direito de circular na faixa de rodagem;
- estão sujeitos às mesmas regras de prioridade;
- devem cumprir a sinalização e as normas de circulação, tal como qualquer condutor.
A lei sublinha, no entanto, que os ciclistas são utilizadores vulneráveis, o que exige maior prudência por parte de todos.
Onde podem circular os ciclistas
As bicicletas não devem circular nos passeios, que estão reservados aos peões. A única excepção aplica-se a crianças até aos 10 anos.
Sempre que exista berma, os ciclistas podem utilizá-la, desde que não prejudiquem a circulação de peões. Quando circulam na estrada, fazem-no como qualquer outro veículo.
É também permitido circular a par, lado a lado, desde que não seja afectada a fluidez do trânsito — nunca mais do que dois ciclistas em simultâneo.
A regra da prioridade mantém-se
A prioridade é determinada pelas regras gerais:
- quem circula pela direita tem prioridade, esteja num automóvel ou numa bicicleta;
- esta regra aplica-se igualmente nas rotundas.
Ou seja, um ciclista não perde prioridade por ser ciclista. É tratado, para efeitos de circulação, como qualquer outro veículo.
Atenção especial nas rotundas
As bicicletas podem circular na via da direita da rotunda, mesmo que não pretendam sair de imediato. No entanto, sempre que um condutor vai abandonar a rotunda, o ciclista deve ceder passagem.
Este é um dos pontos onde surgem mais conflitos e onde a antecipação dos movimentos é particularmente importante.
Ultrapassagens: distância mínima obrigatória
Sempre que um condutor ultrapasse um ou mais ciclistas, deve garantir uma distância lateral mínima de 1,5 metros.
A ultrapassagem deve ser feita com redução de velocidade e com especial cuidado, precisamente porque se trata de utilizadores mais expostos ao risco.
Passadeiras para velocípedes
Nas passagens próprias para bicicletas, e na ausência de sinalização que indique o contrário, os condutores devem ceder a passagem aos ciclistas que estejam a atravessar.
Telemóvel e iluminação: regras iguais para todos
Tanto condutores como ciclistas estão proibidos de utilizar o telemóvel durante a condução.
A utilização de iluminação adequada é obrigatória sempre que exista fraca visibilidade ou condições meteorológicas adversas. O incumprimento pode dar origem a coimas entre 60 e 300 euros.
E se houver um acidente?
Os ciclistas não precisam de carta de condução, mas devem identificar-se com o cartão de cidadão. Ao contrário dos automóveis, não é obrigatório que tenham seguro de responsabilidade civil.
Em caso de acidente, devem ser recolhidos os dados de todos os intervenientes. Se a responsabilidade for do condutor do automóvel, a participação deve ser feita à seguradora, através da declaração amigável. Se a responsabilidade for do ciclista, este responde pelos danos causados.
Afinal, quem tem prioridade?
A regra é simples: a prioridade é de quem circula pela direita, independentemente de estar num carro ou numa bicicleta.
A única diferença relevante não está na prioridade, mas no dever acrescido de atenção perante utilizadores vulneráveis. Na estrada, bicicletas e automóveis são, para efeitos legais, veículos em pé de igualdade.







