O nome sugere algo sombrio. A realidade é outra: as águas do Poço Negro são de um verde-esmeralda que a vegetação densa do bosque em redor intensifica. O nome vem da profundidade — não da cor. E é precisamente essa profundidade que torna o mergulho tão atraente e tão pouco recomendável sem cautela.
O Poço Negro fica em Manhouce, no concelho de São Pedro do Sul, num bosque junto ao rio Teixeira. A cascata que alimenta a lagoa desce com força suficiente para ter escavado a rocha ao longo de séculos — o resultado é uma piscina natural que a luz filtra de uma forma específica, consoante a hora e a estação.
Como chegar
O ponto de partida é Sernadinha, a localidade mesmo ao lado de Manhouce. Há uma placa indicativa do Poço Negro — a partir daí, o percurso é de menos de 400 metros para cada lado.
A estrada de acesso é de terra batida com declive acentuado e troços em mau estado. A recomendação prática é estacionar assim que possível após a placa e seguir a pé — o percurso total não chega a um quilómetro e meio, e a estrada não compensa o risco para carros baixos.
A pé, segue-se pela estrada de terra até uma zona mais plana com um portão, continua-se até um pequeno parque de merendas à esquerda, e a partir daí um trilho sinalizado leva diretamente ao Poço Negro. O percurso está marcado e a distância é curta — não há forma de se perder.
Quando ir e o que levar
A primavera tem a vegetação no pico do verde e a cascata com o caudal mais alto. O verão tem a temperatura da água mais convidativa para mergulho — mas a profundidade do poço exige respeito independentemente da época.
Não é um sítio para crianças pequenas sem supervisão direta, e a corrente junto à cascata pode ser mais forte do que parece à superfície.
O essencial é o mesmo de qualquer visita a um sítio assim: calçado com aderência, água, protetor solar e um saco para trazer o lixo de volta. O parque de merendas ao lado é o sítio certo para um piquenique antes ou depois.
O que fica em redor
A Cascata da Cabreia e o Poço da Barreira ficam nas imediações de Manhouce — dois pontos que completam uma visita à região sem exigir grande deslocação. A Serra da Freita está a pouca distância, com os trilhos e a paisagem de altitude que a distinguem do vale.
Viseu fica a menos de meia hora — com a Sé Catedral, o Museu Grão Vasco e o centro histórico que justifica uma tarde inteira — para quem quer combinar natureza e história no mesmo dia.
O Poço Negro não é fácil de encontrar sem saber que existe. Não tem sinalização abundante, não aparece nos roteiros turísticos principais e a estrada de acesso não encoraja a visita por acidente.
É exatamente esse conjunto de pequenos obstáculos que mantém o lugar com a qualidade que tem — verde, fundo, com o som da cascata e sem multidões.







