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Poças do Malho: o mais secreto dos paraísos do Gerês

As Poças do Malho ficam no rio Castro Laboreiro, na fronteira luso-espanhola do Gerês. Quatro quedas de água sem sinalização, acessíveis por trilho ou de carro pelo lado galego.

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Mai 27, 2026
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No extremo noroeste do Parque Nacional da Peneda-Gerês, onde o rio Castro Laboreiro faz a fronteira entre Portugal e Espanha, existem quatro poços com quatro quedas de água consecutivas.

As Poças do Malho não têm sinalização, não têm parque de estacionamento junto, e os poços em si não são acessíveis a pé — para entrar na água é necessário canyoning com empresa especializada. O que se pode fazer é chegar até ao miradouro do lado espanhol e ver as cascatas de cima.

É suficiente para perceber porque é que as pessoas fazem o esforço de chegar aqui.

Onde ficam e como se chega

As Poças do Malho situam-se entre a Mistura das Águas — onde o rio Peneda encontra o rio Laboreiro — e Ribeiro de Baixo. A última parte do percurso faz-se sempre pelo lado espanhol do parque, ao longo da margem direita do Castro Laboreiro.

Há quatro formas de chegar, com diferentes pontos de partida e distâncias:

Pelo Trilho da Mistura das Águas completo: 14 quilómetros desde o início oficial do trilho, passando pela Lagoa dos Druidas. No final, atravessa-se o leito do rio para o lado espanhol e seguem-se 3 quilómetros até às Poças. É o percurso mais longo mas também o mais completo — a Lagoa dos Druidas justifica por si só a caminhada.

Pelo mesmo trilho a partir de Tibo: entra-se no percurso apenas na aldeia portuguesa de Tibo, encurtando alguns quilómetros. O restante segue as mesmas instruções.

De carro pelo lado espanhol: conduz-se até Entrimo, na Galiza, seguindo depois para Olelas e até ao Miradouro das Poças do Malho. São 18 quilómetros desde Entrimo, percorríveis por estrada. É a opção mais rápida para quem quer ver as cascatas sem investir num dia inteiro de caminhada.

A pé desde Olelas: existe um percurso oficial circular de pouco mais de 10 quilómetros, com dificuldade moderada, que liga a aldeia galega de Olelas às Fechas do Malho. É a alternativa de caminhar sem partir de Portugal.

Em qualquer das opções, a rede de telemóvel é fraca ou inexistente em vários troços. Mapa em papel, calçado adequado e alguma experiência em terreno irregular são o mínimo — a última parte do percurso, junto ao rio, não está sinalizada e orienta-se pelas mariolas, as estruturas de pedra empilhada que os pastores usavam como referência.

O que se vê ao chegar

As quatro quedas descem em sequência pelo granito, com os poços a formar-se nos pontos onde a água abranda. A cor da água muda com a profundidade e com a luz — mais verde nas horas de sol direto, mais escura quando as encostas lançam sombra sobre os poços. Do miradouro espanhol, a perspetiva sobre o conjunto é clara e desobstruída.

Os poços são fundos e a corrente é forte — a entrada na água sem equipamento e acompanhamento adequado é genuinamente perigosa, não apenas desaconselhada.

As Poças do Malho ficam num ponto do Gerês onde o parque ainda não foi completamente descoberto pelo turismo de massa — em parte porque o acesso obriga a escolher, planear e caminhar. Quem chega, chegou porque quis mesmo.

O rio corre igual nos dois lados da fronteira, indiferente aos passaportes, e as cascatas descem como sempre desceram, antes de qualquer trilho ter sido marcado.

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