O Cartão de Cidadão português passa-nos pelas mãos quase todos os dias, mas raramente é observado com atenção. Muito para além de um simples cartão com chip, trata-se de um documento altamente sofisticado do ponto de vista da segurança gráfica.
Para dificultar a falsificação, a Imprensa Nacional-Casa da Moeda recorre a técnicas de impressão avançadas, muitas delas invisíveis a olho nu.
No fundo colorido do cartão existem padrões minuciosos, textos microscópicos e símbolos nacionais discretamente integrados. Cada detalhe tem uma função concreta: proteger a identidade do titular e garantir a autenticidade do documento.
Com uma lupa, sobretudo nos modelos anteriores à versão contactless, é possível descobrir um conjunto de elementos técnicos usados em documentos de alta segurança.
Padrões de guilhoches: linhas que não são aleatórias
As linhas finas e entrelaçadas que formam o fundo do cartão são conhecidas como guilhoches. Não resultam de um desenho artístico convencional, mas de cálculos matemáticos gerados por software especializado.
A sua principal função é impedir a reprodução por meios comuns, como scanners ou fotocopiadoras. No caso português, estes padrões evocam motivos ligados ao mar e à navegação, numa referência discreta à história marítima do país.
Microtexto: palavras invisíveis à primeira vista
Em várias zonas do cartão, especialmente junto às margens ou sob a fotografia, existem linhas que parecem simples traços. Sob ampliação, revelam texto legível.
Normalmente surgem expressões como “República Portuguesa” ou “Cartão de Cidadão”. A precisão da impressão é tão elevada que qualquer tentativa de reprodução digital transforma estas letras numa mancha indistinta, denunciando a falsificação.
Imagem variável a laser
Num dos cantos do cartão encontra-se uma área que muda consoante o ângulo de inclinação. Trata-se da chamada imagem variável a laser.
Dependendo da posição, é possível ver uma miniatura da fotografia ou o número de identificação civil. Esta informação é gravada a laser no interior do policarbonato, o que torna impossível alterar os dados sem danificar irreversivelmente o cartão.
Elementos de segurança visíveis e invisíveis
| Elemento | Como se deteta | Função |
|---|---|---|
| Tinta OVI | Visível ao inclinar | Mudança de cor que confirma autenticidade |
| Fundos gráficos complexos | Visível com lupa | Dificulta a reprodução |
| Marcas UV | Invisíveis a olho nu | Surgem sob luz ultravioleta |
| Relevo tátil | Percetível ao toque | Facilita a leitura e reforça a segurança |
Símbolos nacionais integrados no grafismo
No fundo do cartão é possível identificar elementos da simbologia nacional, como as quinas ou a esfera armilar, integrados de forma subtil nos padrões gráficos.
Estes símbolos recorrem frequentemente à chamada impressão íris, em que as cores transitam suavemente umas para as outras, tornando extremamente difícil a separação cromática em tentativas de falsificação.
O mapa de Portugal sob luz ultravioleta
Quando exposto a luz ultravioleta, o Cartão de Cidadão revela novos elementos invisíveis à luz normal. No verso, surge o mapa de Portugal continental e das ilhas, com cores vivas.
Este é um dos métodos mais rápidos de verificação utilizados por autoridades em contextos como aeroportos ou controlos fronteiriços.
O Cartão de Cidadão é um dos documentos de identificação mais seguros em circulação. Cada linha, símbolo ou variação de cor cumpre uma função específica na proteção da identidade. Mais do que um cartão funcional, é um exemplo de engenharia gráfica ao serviço da segurança.







