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Os 5 poemas mais bonitos escritos em português

Falada por milhões de pessoas em todos os continentes, a língua portuguesa é uma das mais belas do mundo, sendo natural que dela tenham nascidos poemas sublimes.

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poemas mais bonitos escritos em português

Todos nós sabemos que a Língua Portuguesa é uma das mais bonitas do mundo e prodigiosa na hora de recorrer a ela para escrever poemas bonitos. A poesia é uma das mais belas formas de arte e consegue expressar emoções e sentimentos que dificilmente poderíamos expressar de forma normal, por meras e simples palavras. Espalhada por 5 continentes, a Língua Portuguesa deu origem a alguns dos poetas mais talentosos do mundo. A escolha é difícil mas aceitámos o desafio e apresentamos os 5 poemas mais bonitos escritos em português.

 

1. O Monstrengo – Fernando Pessoa

O mostrengo que está no fim do mar
Na noite de breu ergueu-se a voar;
A roda da nau voou três vezes,
Voou três vezes a chiar,
E disse: «Quem é que ousou entrar
Nas minhas cavernas que não desvendo,
Meus tectos negros do fim do mundo?»
E o homem do leme disse, tremendo:
«El-Rei D. João Segundo!»

«De quem são as velas onde me roço?
De quem as quilhas que vejo e ouço?»
Disse o mostrengo, e rodou três vezes,
Três vezes rodou imundo e grosso.
«Quem vem poder o que só eu posso,
Que moro onde nunca ninguém me visse
E escorro os medos do mar sem fundo?»
E o homem do leme tremeu, e disse:
«El-Rei D. João Segundo!»

Três vezes do leme as mãos ergueu,
Três vezes ao leme as reprendeu,
E disse no fim de tremer três vezes:
«Aqui ao leme sou mais do que eu:
Sou um povo que quer o mar que é teu;
E mais que o mostrengo, que me a alma teme
E roda nas trevas do fim do mundo,
Manda a vontade, que me ata ao leme,
De El-Rei D. João Segundo!»

 

2. Língua Portuguesa – Olavo Bilac

Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela
Amo-te assim, desconhecida e obscura
Tuba de algo clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela,
E o arrolo da saudade e da ternura!
Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,
Em que da voz materna ouvi: “meu filho!”,
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho

3. Quando – Sophia de Mello Breyner

Quando o meu corpo apodrecer e eu for morta
Continuará o jardim, o céu e o mar,
E como hoje igualmente hão-de bailar
As quatro estações à minha porta.
Outros em Abril passarão no pomar
Em que eu tantas vezes passei,
Haverá longos poentes sobre o mar,
Outros amarão as coisas que eu amei.
Será o mesmo brilho, a mesma festa,
Será o mesmo jardim à minha porta,
E os cabelos doirados da floresta,
Como se eu não estivesse morta.

4. Mar português – Fernando Pessoa

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

5. Amor é fogo que arde sem se ver – Camões

Amor é um fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói, e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

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8 COMENTÁRIOS

  1. A divulgação do que se vai escrevendo em português é de louvar, pena é que não haja cuidado com o que se reproduz, perdendo-se parte da função! Não é “amo-se” mas, sim, “amo-te”. Não é “algo” mas, sim, “alto”. Para terminar, o poema de Olavo Bilac sendo um soneto deveriam ter dividido os versos em quartetos e tercetos.

  2. Estes poemas são, de facto, bonitos, mas não se pode dizer que são os mais bonitos. Há muitos mais poemas que foram escritos por outros autores e que não ficam atrás destes aqui mencionados.

  3. defacto é bonita poema. Mas não melhor do mundo ,atráz das onras dos autores existe muitas outras que meressem ser classificado por cimo das…

  4. Que a poesia é necessária ninguém discute. Mais como qualquer idioma o Português é de uma riqueza ímpar. O que acho que falta descobrir trovas populares de uma profundidade digna das Academias, como esta que me fala ao sentimento mais profundo:- “A tua saudade corta como aço de “naváia”, o coração fica “afrito”, bate uma, outra “fáia”, e os “zóio” se enche d’água, que até as vistas se “atrapáia”. (Cuitelinho-cancioneiro popular).

  5. vai fazer 8 anos que comecei a escrever romantismo, hoje já tenho a material para poder lançar um livro.
    Mas realmente são muito lindos, gostei muito.

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