Início História Os 13 Reis Suevos que governaram Portugal antes de D. Afonso Henriques

Os 13 Reis Suevos que governaram Portugal antes de D. Afonso Henriques

Antes de D. Afonso Henriques ter fundado Portugal, andaram por aqui os Suevos. Conheça a sua história e descubra os Reis Suevos que governaram Portugal.

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Reis Suevos
Período de maior expansão do Reino Suevo

A história que aprendemos na escola é que o nosso país começou por ser um condado pertencente a Castela, o Condado Portucalense, governado por D. Henrique, pai de D. Afonso Henriques, que viria a ser o primeiro Rei de Portugal. Mas se recuarmos uns séculos, há muito ainda por contar. Portugal começou por ser a Lusitânia, que depois foi anexada pelos Romanos. Após alguns séculos de domínio Romano, a zona que hoje corresponde a Portugal foi invadida por tribos germânicas, os Suevos e os Visigodos.

Os Suevos governaram durante muitos anos todo o território que abrange a Galiza e o Norte de Portugal, embora, no seu período mais forte, tenha exercido domínio sobre uma vasta área que incluiria o Algarve e algumas zonas daquilo que hoje é a Espanha. Quem foram os Reis Suevos que governaram o território que hoje corresponde a Portugal?

Migrações dos Suevos
Migrações dos Suevos

O Reino Suevo, também denominado Reino da Galécia, foi um reino pós-romano que existiu no noroeste da Península Ibérica entre o ano 411 e 585 e um dos primeiros reinos a separar-se do Império Romano. O reino foi fundado pelos Suevos, um povo de origem germânica que, no ano 409, invadiu a Península Ibérica juntamente com os Vândalos e os Alanos.

Tendo ocupado inicialmente as regiões costeiras das províncias romanas da Galécia e do norte da Lusitânia e estabelecido a capital em Braga, o reino manteve a sua independência até 585, data em que foi anexado pelos Visigodos e convertido na sexta província do Reino Visigótico.

Reino Suevo
Reino Suevo

A começos do século V, o Império Romano de Ocidente experimentou uma grande instabilidade militar, económica e política. Desde o centro da Europa (especialmente desde o território da actual Alemanha), numerosos povos germânicos; suevos, saxões, francos, alanos e outros, começaram a atacar os postos fronteiriços romanos no rio Rhin, irrompendo finalmente no Império o 31 de Dezembro do ano 406 e assentando-se no seu interior pelas armas, mas também graças a pactos pacíficos.

Reinos Bárbaros
Reinos Bárbaros

Por volta do ano 409, dirigidos pelo seu rei Hermerico, grande parte dos suevos (estima-se que cerca 40.000 pessoas) chegaram à província romana da Galécia, onde possivelmente assentaram-se graças a um pacto com Roma, decidindo estabelecer a sua capital na cidade de Bracara Augusta (Braga, Portugal).

Este pacto chamado foedus permitia aos suevos governar a província da Galécia como um reino próprio (Galliciense Regnun), desde que estes aceitassem o imperador romano como o seu superior. O historiador galaico Idácio de Chaves narrava então que os suevos foram bem recebidos pela população galaico-romana, pois aliviaram os impostos.

Ibéria no ano 455
Ibéria no ano 455

Após a morte de Hermerico, o seu filho Réquila (438-448) assumiu o trono e dirigiu expedições de saque, anexando o norte da província romana da Lusitânia, integrando-se suevos e galaico-romanos. Isto põe de manifesto a plena independência com respeito ao Império.

Réquila foi sucedido por Requiário (448-456), quem adoptou o catolicismo no ano 449, manifestação pioneira de uma nascente concepção do governo apoiada na Igreja católica. Também foi Requiário o primeiro rei europeu em a cunhar moeda própria, a qual fazia referência ao carácter galaico do Reino.

Roma enviou um exército integrado por visigodos e no ano 456 teve lugar a batalha do rio Órbigo, que enfrentou romanos e visigodos contra suevos, com a derrota destes últimos e que teve como consequência o assassinato de Requiário.

Ibéria no ano 476
Ibéria no ano 476

Após a derrota contra os visigodos, o reino suevo dividiu-se e foi governado simultaneamente pelos reis Frantano e Aguiulfo. Esta situação durou desde 456 até 457, ano no qual Maldras (457-459) reunificou o reino, mas uma conspiração romano-visigoda acabou com sua vida.

Apesar da conspiração não ter conseguido os seus autênticos propósitos -a eliminação do reino-, o reino suevo viu-se novamente dividido entre dois reis: Frumario (459-463) e Remismundo (filho de Maldras) (459-469) o qual reunificou novamente o reino do seu pai no 463 e viu-se obrigado a adoptar o arianismo no 465 devido à influência visigoda.

Ibéria no século VI
Ibéria no século VI

A época escura finalizou com o reinado de Carriarico (550-559) que se converteu novamente ao catolicismo no 550, facto que significava a ruptura com os visigodos. Este, foi sucedido por Teodomiro (559-570) (não se confunda com Teodomiro, rei dos ostrogodos) durante o reinado do qual celebrou-se o Primeiro Concílio de Braga (561), instituindo-se esta assembleia como órgão assessor do rei.

Destaca-se neste período a figura de Martinho de Dume pela sua participação na organização territorial (parroquiale suevorum) e na legitimação cristã de um governo estável sobre uma população plenamente integrada e unida.

Ibéria
Ibéria

Teodomiro foi sucedido por Miro (570-583). Durante o seu reinado celebrou-se o Segundo Concilio de Braga (572), consolidando-se o seu contributo à governação e estabelecimento da justiça. Aproximadamente no ano 577 iniciou-se a guerra civil visigoda na qual interveio o rei Miro, que no ano 583 organizou uma campanha de apoio a Hispalis (Sevilha) que fracassou.

Durante o regresso desta expedição o rei morreu e no reino suevo começaram a produzir-se muitas lutas internas. Eborico (583-584) foi destronado por Andeca (584-585) que errou na sua tentativa por evitar a invasão visigoda dirigida por Leovigildo que se fez efectiva finalmente no ano 585.

 

1. Hermerico

Hermerico (? – 441), rei dos Suevos, povo germânico oriental, (409–438), liderou este povo na sua migração da margem direita do Reno até à Península Ibérica, que teve início em Dezembro de 409. Associados aos Vândalos e aos Alanos, os Suevos atravessaram rapidamente a Gália, ultrapassaram os Pirenéus e atingiram a Galécia, onde obtiveram o estatuto de federados, após o juramento de fidelidade de Hermerico a Honório, imperador do Ocidente. Bracara Augusta, actualmente Braga, tornou-se a capital do reino dos Suevos. Hermerico associou ao trono o seu filho Réquila em 438.

 

2. Hermigário

Hermigário (em latim: Heremigarius; m. 429) foi um chefe militar suevo de princípios do século V. É citado na Crônica de Idácio de Chaves dirigindo uma expedição sueva na Lusitânia nos começos do ano 429, onde enfrentou o rei vândalo Genserico (r. 428–477). Isto ocorreu antes de Genserico partir com o seu povo para África, a pedido do conde Bonifácio. A batalha ocorreu numa ribeira do rio Ana (Guadiana), nas proximidades de Mérida, e acabou com a morte de Hermigário.

 

3. Réquila

Réquila (?-448) foi o segundo rei suevo da Galécia. Foi associado ao governo pelo seu pai Hermerico em 438 e sucedeu-lhe em 441. Mostrou-se muito agressivo contra os galaicos autóctones e contra a Igreja Católica. Enfrentou os bispos e favoreceu os clérigos priscilianistas, apesar de ele próprio professar o arianismo. Firmou um novo tratado de federação (federados) com Roma e estabeleceu alianças com os insurrectos das bagaudas, no norte da Península Ibérica, que lutavam contra as autoridades imperiais e os grandes proprietários[1]. Comandou várias campanhas nas quais invadiu a Lusitânia e a Bética, e em 439 conquistou Emérita Augusta. Tomou Híspalis em 441. Durante o seu curto reinado os Suevos chegaram a dominar quase toda a actual Andaluzia. Também fez incursões na Tarraconense. Faleceu em 448 e sucedeu-lhe o seu filho Requiário.

 

4. Requiário I

Requiário I (? – 456), filho de Réquila e neto de Hermerico, foi um rei suevo da Galécia. Subiu ao trono no ano de 448, sucedendo a seu pai. Como professava o catolicismo, impôs essa religião ao seu povo, que já se tinha em grande parte convertido, principalmente nas zonas urbanas.Para fortalecer sua posição, fez aliança inicial com os visigodos, o que abriu as portas de seu reino à influência visigótica, aumentada quando Requiário se casou com a filha do rei visigodo Teodorico II, em 449. Foi o primeiro rei europeu cristão a cunhar moeda em seu próprio nome.

 

5. Frantano

Frantano, rei dos Suevos, governou o norte do reino suevo da Galécia entre 456 e 457 durante a guerra civil que se seguiu à morte de Requiário. Assumiu o poder depois da morte de Agiulfo às mãos de Maldras.

 

6. Maldras

Maldras (ou Masdras; morto em Fevereiro de 460) foi Rei dos Suevos entre 457 e 459. Tomou o poder depois de assassinar Agiulfo, em Junho de 457, e da morte de Frantano, seu opositor e governante da região norte da Galécia. O seu curto reinado ficou marcado por graves confrontos entre as populações hispano-romanas e as camadas dirigentes de origem germânica. Morreu assassinado e sucedeu-lhe o seu filho Remismundo, muito embora o reino se tenha novamente dividido em nova guerra civil.

 

7. Remismundo

Remismundo, filho de Maldras, tornou-se rei dos Suevos em 459 e reinou até à sua morte em 469. Pouco depois da morte do seu pai foi destronado por Frumário e teve de travar um guerra civil contra este e contra Requimundo que só terminou com as mortes destes últimos em 463. O reino suevo foi então reunificado sob um único rei, Remismundo. Casou-se com a filha do rei visigodo Teodorico II. Converteu-se ao Arianismo em 465 e em 467, após o assassinato de Teodorico pelo seu irmão Eurico, mandou saquear Conímbriga. Em 468, ocupou a região de Lisboa, acrescentando a cidade e as suas cercanias ao seu já vasto domínio sobre Coimbra, Egitânia e, por conseguinte, boa parte da Lusitânia. Com a sua morte em 469, inicia-se um período obscuro na história dos Suevos, do qual existem poucos vestígios ou informações.

 

8. Frumário

Frumário viveu na mesma época de Remismundo e era opositor a este último. Foi um chefe militar suevo que acabou por destronar Remismundo, o Rei oficial, em 459 e se intitulou rei no sul do reino suevo, enquanto Requimundo fazia o mesmo no norte. Morreu em 463.

 

9. Réquila II

Réquila II. Rei dos Suevos. Subiu ao trono em 484 num período de muitos conflitos entre várias facções.

 

Período Obscuro

Depois da reunificação da Suévia em 463 e, com a morte de Remismundo em 469, surge um período obscuro ou idades das trevas. Pela escassez de registros, sabe-se muito pouco sobre este período, tem-se como certa, entretanto a sucessão dos reis: Veremundo (469-508?), Réquila II (484-?) ou Réquita II, Requiário II (508-?), Hermenerico II (?), Riciliano (?), Teodemundo (520-550). Em 550 com Carriarico ou Cararico (550-559), termina o período obscuro e o reinado entra em relativa ordem.

 

10. Teodemundo

Teodemundo, nascido em data desconhecida, morreu provavelmente em 550. Tornou-se rei dos suevos (520-550), sucedendo a Riciliano.

 

11. Carriarico

Carriarico ou Kharriarico foi um rei suevo entre 550 e 559. Com o seu reinado termina o “período obscuro”, sem referências históricas, em que caíra o reino suevo durante quase um século. Carriarico converteu-se ao catolicismo em 550. Sucedeu-lhe Teodomiro em 559. Porém, a sua historicidade é posta em dúvida, sendo somente citado por Gregório de Tours.

 

12. Teodomiro

Teodomiro foi rei dos suevos de 559 a 570. Teodomiro é tido como o primeiro monarca cristão ortodoxo dos Suevos, desde a morte de Requiário, e o responsável pela conversão de seu povo do arianismo à ortodoxia com a ajuda do missionário Martinho de Dumio. Em 561 o monarca convocou o Primeiro Concílio de Braga e em 569, o Concílio de Lugo, este de carácter provincial (sínodo) teve como intenção reestruturar a divisão de dioceses dentro da sua monarquia. Estes registos constam do Parochiale suevorum, importante manuscrito da época. No último ano do seu reinado o reino suevo foi invadido pelo rei visigodo Leovigildo. Foi um dos últimos Reis Suevos da Gallaecia e um dos primeiros católicos.

 

13. Miro

Miro, rei da Galécia sueva (559-583). Braga, juntamente com Toledo, eram, à época, importantes centros religiosos. A Diocese de Braga exercia papel importante na vida religiosa e nas decisões da Igreja, aí se deu em 571, sob a convocação do rei, o II Concílio de Braga. Nesse mesmo ano Miro levou a cabo uma campanha contra um povo do norte da Hispânia, de Cantábria ou Vascónia, chamado runcões. Esta campanha, além das suas fronteiras, provocou a reacção de Leovigildo, rei dos Visigodos, que empreendeu uma campanha, de advertência ou retaliação, contra o reino suevo. A guerra desenvolveu-se no vale do Douro entre 572 e 574, e Leovigildo conseguiu empurrar os Suevos para norte e fundar a Villa Gothorum (hoje Toro). Em seguida Leovigildo submeteu os Cântabros. O controlo de Toro e de Astorga abriu aos Visigodos o caminho da Galécia sueva, que foi invadida em 575. Tendo perdido Ourense e toda a Lusitânia, e sendo atacado nas cidades do Porto e de Braga, Miro pediu a paz, submetendo-se ao rei visigodo.

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