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Os 12 melhores trilhos para descobrir a Serra da Estrela

Gosta de caminhar enquanto descobre as maravilhas da Natureza? Estes são os melhores trilhos pedestres para descobrir a Serra da Estrela.

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Serra da Estrela
Serra da Estrela

Uma das melhores formas de descobrir todo o esplendor da Serra da Estrela é, sem dúvida, através da realização de caminhadas. Existem diversos percursos pedestres bem sinalizados em toda a região do Parque Natural. São trilhos que foram desenhados de forma a passarem por vários locais de interesse, tanto em termos naturais como de monumentos e construções humanas. Assim, consoante o percurso pedestre que escolha realizar, pode passar por locais emblemáticos como o Covão da Ametade, o Vale Glaciar do Zêzere ou a cascata do Poço do Inferno, por exemplo.

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Serra da Estrela (Foto: Manuel Ferreira)

Tenha sempre em conta que, sendo a Serra da Estrela uma montanha com altitude muito elevada, é necessário estar em boa forma física para realizar estes percursos pedestres, especialmente os de maior duração. Além disso, recomenda-se sempre a utilização de roupa e calçado adequados, assim como beber muita água e comer regularmente.

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Serra da Estrela (Foto: Manuel Ferreira)

Por fim, e também muito importante, respeite sempre a sinalização dos trilhos. Lembre-se que, apesar de todos os prazeres associados a uma caminhada ao ar livre, todo o cuidado é pouco quando não conhecemos o percurso e quando os trilhos estão localizados em zonas potencialmente perigosas. Descubra 12 fantásticos percursos pedestres para descobrir a Serra da Estrela.

 

1. Trilho do Javali

Rota do Javali
Rota do Javali

Designação: Rota do Javali (folheto do percurso)

Tipo: Circular

Coordenadas início W: 7º32’14,02″W 40º23’42,85″N

Altitude início: 722 m

Altitude mínima: 720 m

Altitude máxima: 1306 m

Sentido aconselhado: Ponteiros do relógio

Dificuldade: Média

Extensão: 11km

BTT: Não

Início do percurso: junto ao bairro de Santo António, em Manteigas.

A Rota do Javali permite vislumbrar a paisagem humanizada com uma vista panorâmica sobre a Vila de Manteigas, cruzar o interior de florestas magníficas, subir ao topo da ribeira de Leandres e sentir a cascata do “Poço do Inferno”.

Percorrer o caminho feito por Horácio quando se lançou em busca de uma vida melhor. Esta personagem, do romance neo-realista de Ferreira de Casto – A Lã e a Neve, travou duras caminhadas entre Manteigas e a Covilhã na procura de emprego na indústria tecelã, que lhe permitisse comprar casa e poder desposar Idalina, a sua amada. Nesta obra, o autor descreve os lugares por onde Horácio passa de uma forma muito fiel à realidade do património natural de Manteigas, retratando a força da personagem em pleno cenário da Segunda Guerra Mundial, num contraste entre o mundo rural e o proletariado.

No decorrer do percurso surgem estruturas de relevante interesse, como a Casa do Guarda-florestal dos Carvalhais ou o Viveiro Florestal das Moitas. A Administração Florestal da Serra da Estrela (Perímetro de Manteigas), criada em 1888, constitui um dos primeiros perímetros florestais de serras, desempenhando os Serviços Florestais um papel fulcral na sua arborização e gestão. Face à degradação a que chegara o coberto vegetal e os problemas de erosão do Concelho de Manteigas, a Câmara Municipal, em sessão de 13 de Outubro de 1888, decidiu ceder para arborização aos Serviços Florestais os baldios que ainda possuía. Tal medida encontrou séria resistência pelos pastores uma vez que os baldios eram utilizados principalmente como pastagens, tendo sido necessária, a determinada altura, a intervenção de uma força militar.

No que reporta a linhas de água, destaca-se a Ribeira de Leandres, que corre rápida por entre escarpas e vales encaixados e o Poço do Inferno, uma cascata natural de 10 metros de altura. Estes espaços naturais contribuem para o desenvolvimento da vegetação local e permitem contemplar uma bela mancha florestal que enche os horizontes de cor – tons suaves de castanho no Inverno/Primavera, verde com flores brancas no Verão, amarelo e laranja que se fundem na folhagem de Outono.

Neste percurso várias espécies autóctones estão presentes, tais como o castanheiro, o freixo, o carvalho-negral, o salgueiro e o amieiro-negro. Merecem especial destaque a gilbardeira, que possuiu estatuto de conservação, o vidoeiro e a tramazeira. O equilíbrio existente entre espécies de folhosas e resinosas, aliadas à presença das linhas de água e de zonas de matos, tornam esta área num dos habitats preferenciais para diversas espécies animais. O traçado da Rota do Javali apresenta habitats frequentados pelo coelho-bravo, pela raposa, pelo javali e pelo ouriço-cacheiro. Das aves de rapina, destacam-se o tartaranhão-caçador e o peneireiro.

Quanto aos répteis, pode encontrar-se a cobra-de-água-de-colar e o lagarto-de-água. A lontra é também um dos animais que habita esta zona. A sua presença é detectada pelas pegadas em forma estrelada.

No decorrer do percurso é de salientar a paisagem provocada pelo fenómeno das cascalheiras – depósitos de fragmentos rochosos grosseiros, normalmente localizados em pendentes de inclinação moderada a forte, gerados por crioclastia (fender das rochas com a transição da água do estado líquido para o estado sólido).

 

2. Trilho do Poço do Inferno

Poço do Inferno
Poço do Inferno

Designação: Rota do Poço do Inferno (folheto do percurso)

Tipo: Circular

Coordenadas início W: 7º31’03,88″W 40º22’24,81″N

Altitude início: 1081 m

Altitude mínima: 1081 m

Altitude máxima: 1150 m

Sentido aconselhado: Contrário ao dos ponteiros do relógio

Dificuldade: Média

Extensão: 2,5 km

BTT: Não

Início do percurso: junto ao parque de estacionamento do Poço do Inferno.

Ao percorrer a Rota do Poço do Inferno verifica-se um dualismo de paisagem, natural e humanizada, marcada pelo diferente tipo de vegetação, com florestas de folhosas e resinosas, onde os sentidos despertam diferentes emoções ao longo do trilho.

Devido aos cumes xistosos mais altos, formados pelas rochas corneanas (fenómeno que ocorre quando o magma quente e plástico ascende atravessando as rochas pré-existentes), predominam paisagens íngremes, onde nascem linhas de água como a cascata do Poço do Inferno. Esta cascata natural tem cerca de 10 metros e chega a transformar-se em gelo nos Invernos mais rigorosos. É um monumento geológico de extrema beleza e um dos pontos de maior interesse desta rota, sendo um dos ex-líbris do Concelho de Manteigas e da Serra da Estrela.

Quanto à paisagem, o caminheiro pode contemplar a vista sobre o Vale do Rio Zêzere e o Vale da Ribeira de Leandres. Na paisagem humanizada predominam os socalcos e algumas “cortes” – edificações de apoio à actividade agrícola.

Das variadíssimas espécies possíveis de encontrar é de salientar o narciso, o vidoeiro, a azinheira e a tramazeira, de grande valor ecológico. O teixo, também presente, é extremamente raro e só se encontra em Manteigas e na Serra da Peneda-Gerês. Para além destes exemplares, neste trilho predomina ainda o plátano-bastardo, a faia, o pinheiro-do-oregon e o abeto.

A diversidade de fauna existente na rota do Poço do Inferno deriva das áreas florestais e das linhas de água existentes nesta zona. São característicos, o coelho-bravo, a raposa, a lagartixa do mato e a salamandra-lusitânia. Quanto à avifauna estão presentes o guarda-rios e o peneireiro.

 

3. Trilho do Carvão

Vale do Rossim
Vale do Rossim

Designação: Rota do Carvão (folheto do percurso)

Tipo: Circular

Coordenadas início W: 7º32’28,35″W 40º24’2,22″N

Altitude início: 767 m

Altitude mínima: 767 m

Altitude máxima: 1683 m

Sentido aconselhado: Contrário ao dos ponteiros do relógio

Dificuldade: Difícil

Extensão: 20 km

BTT: Não

Início do percurso: junto ao Arquivo Municipal de Manteigas.

A Rota do Carvão conta uma parte da história de Manteigas, intimamente relacionada com a pastorícia, o centeio e a floresta. Na zona de maior altitude do percurso, além do aproveitamento dos pastos naturais para o gado, que ainda hoje é aí pastoreado, era produzido carvão para venda na Vila de Manteigas através da queima da raiz da urze, popularmente designado de borralho.

A beleza da paisagem natural que o percurso proporciona é comprovada pela presença de Matos e Matagais e por Florestas de Folhosas, em contraposição com as esculturas naturais concebidas nas escarpas rochosas, como a Fraga da Cruz – majestoso cabeço granítico, o Fragão do Corvo e a Pedra Sobreposta.

Este percurso, além de atravessar as Penhas Douradas – pequena aldeia de montanha que teve a sua origem no tratamento em altitude de doenças do foro respiratório, dá a conhecer a Nave da Mestra – depressão topográfica que apresenta um largo plano rodeado por um maciço granítico muito fracturado. O privilégio de se conhecerem estes locais é completado pelo Vale das Éguas, pelo espelho de água do Vale Rossim, pela Charca do Perdigueiro, pela panorâmica incrível para o Vale Glaciar e para o acumular de serras que se estendem até Espanha.

O percurso engloba também o Observatório Meteorológico das Penhas Douradas, construído há mais de um século para monitorizar as condições meteorológicas da região.

Ao percorrer o andar basal, intermédio e superior da Serra, o trilho apresenta uma enorme variedade de vegetação e fauna. O salgueiro-branco, o plátano-bastardo, o cervum, a consolda-vermelha, o jacinto dos campos, a faia, o castanheiro e o carvalho-negral compõem parte do conjunto da vegetação. Realça-se o valor da tramazeira, do zimbro e do vidoeiro, devido à sua raridade em Portugal. Também é possível encontrar a caldoneira que detém o estatuto de conservação pela Directiva Habitats.

O leque de espécies animais é imenso e extremamente variado. Neste traçado habitam o javali, a raposa, a toupeira, o ouriço-cacheiro e a lebre. Quanto aos répteis, o sardão e a lagartixa-do-mato estão presentes. As linhas de água fomentam a existência de anfíbios como a rã-iberica, a rã-verde e o lagarto-de-água. O peneireiro, a coruja das torres e o tartaranhão-caçador são as aves que dominam os altos céus da Rota do Carvão. Com menor porte, temos o melro-azul, o melro das rochas, o andorinhão-preto e o guarda-rios.

 

4. Trilho Glaciar

Manteigas
Manteigas

Designação: Rota do Glaciar (folheto do percurso)

Tipo: Linear

Coordenadas início W: Na Vila: 7º32’22,79″W / 40º24’00,70″N

Na Torre: 7º36’44.99″W / 40º19’20.04″N

Altitude início: Na Vila: 755 m Na Torre: 1986 m

Altitude mínima: 755 m

Altitude máxima: 1989 m

Sentido aconselhado: N/D

Dificuldade: Média

Extensão: 17,2 km

BTT: Sim (com limitações)

Início do percurso: junto à Igreja de São Pedro, na Vila de Manteigas, ou na Torre.

Finalista das 7 maravilhas naturais de Portugal, o Vale Glaciar do Zêzere faz-se percorrer pelo seu interior ao longo da Rota do Glaciar, desbravando um caminho de singular beleza. O percurso acompanha o refrescante Rio Zêzere, entre quadros que emolduram o azul do céu e o verde do Vale.

Ao longo da Rota do Glaciar é possível contemplar o Vale Glaciar do Zêzere, um dos melhores exemplos da modelação da paisagem pelos glaciares, em forma de “U”. Apesar de se tratar de um vale glaciar e por isso muito aberto, as encostas são muito íngremes, cobertas de bolas graníticas e caos de blocos, principalmente na base das linhas de água.

A Rota do Glaciar, compreendida nos três andares altitudinais (basal, intermédio e superior), oferece uma perspectiva alargada das características morfológicas de Manteigas e da Serra da Estrela, vincada pelas diferentes tipologias de paisagem.

Sob o ponto de vista paisagístico, o trilho encerra um conjunto de valores naturais e culturais de interesse inestimável. Destacam-se os inúmeros vestígios da acção glaciárica e de uma vegetação natural com espécies endémicas e outras de distribuição rara, vestígios que assinalam a presença do Homem na região desde os tempos mais remotos, presença que se reflecte na forte humanização marcada na paisagem envolvente, e nas actividades tradicionais do pastoreio e da agricultura de montanha, adaptadas às exigências do território da Serra da Estrela.

No fundo do Vale Glaciar do Zêzere é possível observar os pastos verdejantes, os rebanhos de ovelhas, as casas típicas da serra – “cortes” e a Vila de Manteigas perfeitamente encaixada no vale.

A Torre, localizada no Planalto Superior da Serra da Estrela com estatuto de Reserva Biogenética pelo Conselho da Europa, em Março de 1993, é um local de notoriedade, sendo o ponto mais alto de Portugal Continental (1 993 m), onde D. João VI (1816 – 1826) mandou erigir a torre, toda em pedra, para completar os 2 000 m de altitude e onde se praticam desportos de Inverno atraindo visitantes oriundos dos mais diversos pontos do país.

Neste ambiente de horizonte amplo cresce uma vegetação arbustiva baixa e rala de onde sobressaem elementos rochosos, surgindo nas depressões, lagos, lagoachos, turfeiras e prados de montanha dominados pelo Nardus stricta (Cervum). A Nave de Santo António ou Argenteira, como também é designada, é um bom exemplo deste tipo de prados.

O Covão d’ Ametade, depressão de origem glaciar, outrora uma pastagem de cervunal, foi arborizado com vidoeiros ao longo das margens do Rio Zêzere, e suas linhas de água subsidiárias, para criar condições de abrigo aos rebanhos de ovelhas. É o encontro com um pequeno paraíso terrestre onde a micro-fauna e micro-flora da Serra revelam a sua formidável biodiversidade.

A Rota do Glaciar é muito rica em elementos emblemáticos de paisagem natural, designadamente, Covão do Ferro, Cântaro Magro, Cântaro Gordo, Espinhaço do Cão (moreia), Poio do Judeu, Pedra do Equilíbrio, Covão Cimeiro, Barroca dos Teixos.

Merece especial destaque a Senhora da Boa Estrela, no Covão do Boi, a qual se trata de uma obra de arte de cariz religioso, uma escultura dos anos 40, incrustada numa rocha dos contrafortes do Cântaro Raso. Deste local é possível observar os Cântaros Gordo, Magro e Raso, afloramentos graníticos que atingem, respectivamente, 1 875, 1 928 e 1 916 metros de altitude.

Na paisagem humanizada é ainda de evidenciar o Abrigo dos pastores e o Fontanário, na Nave de Santo António, a Fonte da Jonja, próxima do Covão d´Ametade, o Bairro fabril, junto da antiga fábrica de lanifícios e a Igreja de São Pedro, já na Vila de Manteigas.

A Estância Termal das Caldas de Manteigas é outro elemento de referência pelas suas águas sulfurosas, indicadas no tratamento de várias doenças, como reumatismo, dermatoses, vias respiratórias e doenças musco-esqueléticas.

A Rota do Glaciar encerra uma fantástica biodiversidade proporcionada por espécies florísticas e faunísticas de beleza singular.

Da fauna existente destacam-se a cia, a sombria, o guarda-rios, a Lagartixa-da-montanha, a cobra-de-água-de-colar, Toupeira-de-água, Gralha-preta, Truta , Truta arco-íris, a boga, etc.

1 COMENTÁRIO

  1. É pena que não tenham uma página em inglês. Tenho uns amigos daqui, da Dinamarca, que gostariam de visitar Portugal.

    Melhores cumprimentos
    Fernando

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