A rede Multibanco faz parte do quotidiano dos portugueses há décadas, sendo considerada uma das mais avançadas do mundo. No entanto, o surgimento de novos meios de pagamento digitais e a evolução tecnológica têm levantado uma questão: estará o Multibanco com os dias contados?
A resposta curta é não, mas a rede que conhecemos está a passar pela maior transformação da sua história. As tradicionais caixas automáticas estão a ser substituídas por uma nova geração de máquinas inteligentes.
O conceito de “ir ao Multibanco apenas para levantar dinheiro” está a tornar-se obsoleto. O que estamos a testemunhar não é o fim da rede SIBS, mas sim a sua convergência com o mundo digital e a banca self-service total.
As novas caixas de “Geração 2026”
As novas máquinas que estão a ser instaladas em Portugal são muito mais do que simples dispensadores de notas. Estas máquinas inteligentes, muitas vezes designadas como ATMs de Reciclagem (Recycling), trazem mudanças fundamentais:
- Depósitos Imediatos: Ao contrário das máquinas antigas onde depositava envelopes que eram conferidos manualmente, as novas máquinas validam e creditam o dinheiro na conta no exato momento, 24 horas por dia.
- Ecrãs Táteis e Interface Mobile: O teclado físico está a perder espaço para ecrãs táteis semelhantes a tablets. Além disso, a integração com o smartphone é total: já pode fazer quase tudo apenas encostando o telemóvel (NFC) ou lendo um código QR.
O fim do cartão físico?
Uma das maiores mudanças é a desmaterialização. Já é possível levantar dinheiro, pagar serviços ou fazer transferências na rede Multibanco sem ter o cartão de débito consigo. Através da aplicação MB Way ou das apps dos bancos, o utilizador gera um código ou utiliza o NFC do telemóvel para “abrir” a sessão na máquina.
Menos balcões, mais funções
Com o fecho de muitas agências bancárias, as máquinas inteligentes estão a assumir o papel que antes era dos funcionários. Nas novas máquinas já é possível:
- Atualizar dados do Cartão de Cidadão.
- Entregar documentos digitalizados.
- Comprar bilhetes para espetáculos e carregar passes de transporte de forma mais intuitiva.
- Realizar operações de câmbio de moeda instantâneas.
O que muda na experiência do utilizador?
| Característica | Multibanco Tradicional | Novas Máquinas Inteligentes |
| Interação | Botões laterais e teclado. | Ecrã tátil e comandos por voz. |
| Depósitos | Envelopes (demora 24h-48h). | Notas soltas (imediato na conta). |
| Identificação | Cartão físico obrigatório. | Smartphone, Biometria ou NFC. |
| Disponibilidade | Dependente de carregamento. | Auto-suficiente (o dinheiro depositado por uns serve para os levantamentos de outros). |
A segurança reforçada
Muitos temem que a tecnologia facilite o fraude, mas as novas máquinas são mais seguras. Estão equipadas com sistemas de antiskimming avançados e câmaras de alta definição com reconhecimento de padrões suspeitos.
Além disso, a autenticação de dois fatores (ter de confirmar a operação no telemóvel) torna o levantamento indevido quase impossível.
O Multibanco e o MB Way: a fusão
O futuro da rede passa pela fusão total com o MB Way. Em breve, a distinção entre “pagar no terminal da loja” e “operar na caixa” será mínima. O Multibanco passará a ser um ponto de suporte físico para uma economia que é, cada vez mais, invisível e digital.
O Multibanco não vai acabar; vai, sim, deixar de ser uma “parede que dá dinheiro” para se tornar num quiosque digital multibiométrico. Para o utilizador, isto significa menos tempo em filas de bancos e mais autonomia.
A rede portuguesa continua a ser um caso de estudo internacional, provando que a inovação é a única forma de evitar a extinção.







