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Mosteiro de Alcobaça: o monumento que conta a história de amor de Pedro e Inês

O Mosteiro de Alcobaça, Património UNESCO, foi onde D. Afonso IV decidiu matar Inês de Castro. Os túmulos de Pedro e Inês estão frente a frente, para se verem na ressurreição.

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Jul 1, 2026
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Mosteiro de Alcobaça

Mosteiro de Alcobaça (Maria João Gala)

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No Mosteiro de Alcobaça existe um pormenor nos túmulos de D. Pedro I e D. Inês de Castro que diz tudo sobre a intensidade do que os uniu: os dois estão colocados frente a frente, para que, quando ressuscitarem segundo a crença cristã, se possam levantar e ver-se imediatamente.

A mesma sala que guarda esse gesto do amor guarda também o resultado do ódio: foi aqui, neste mosteiro, que D. Afonso IV ouviu os conselhos dos três homens da sua confiança e decidiu mandar matar Inês.

A história de Pedro e Inês

D. Pedro estava casado com D. Constança de Castela quando se apaixonou por uma das suas aias — Inês de Castro, jovem galega de ascendência nobre do noroeste peninsular.

A relação era mal vista pelo rei, pela nobreza e pelo povo: havia a preocupação de que a influência dos irmãos de Inês pusesse em risco as relações com Castela e o próprio trono português.

D. Constança, humilhada, chegou a convidar Inês para madrinha do filho D. Luís — os costumes da época proibiam o relacionamento com comadres. D. Luís morreu poucos dias depois; D. Constança faleceu em 1345, após o parto de D. Fernando.

Sem o obstáculo do casamento, Pedro e Inês assumiram a relação e tiveram quatro filhos — D. João, D. Dinis, D. Beatriz e um que não sobreviveu.

A decisão de D. Afonso IV foi tomada em Alcobaça. Inês foi degolada em Coimbra, a 7 de janeiro de 1355, enquanto D. Pedro andava à caça.

A vingança e a lenda

Em 1356 morreu D. Afonso IV, e D. Pedro assumiu o trono. Dois dos assassinos de Inês foram capturados e mortos brutalmente — com o coração arrancado ainda em vida. O terceiro escapou.

D. Pedro mandou trasladar o corpo de Inês para um túmulo no Mosteiro de Alcobaça. A lenda acrescenta que o rei exigiu que a corte a reconhecesse como rainha postumamente, forçando o beija-mão ao cadáver e declarando que se tinha casado secretamente com ela — de modo a legitimar os filhos. Verdade ou invenção, o gesto faz parte da memória cultural portuguesa de uma forma que a documentação raramente consegue.

Os dois túmulos estão ricamente decorados, com as estátuas de cada um coroadas, e estão posicionados para o encontro descrito acima.

O mosteiro e a sua fundação

A Abadia de Santa Maria de Alcobaça nasceu da conquista de Santarém: D. Afonso Henriques ofereceu o terreno à Ordem de Cister, e o local foi construído no século XII segundo o modelo da casa da ordem em Claraval, França. Foi a primeira obra da arquitetura portuguesa inteiramente construída no estilo gótico.

Com mais de 200 metros de comprimento, o mosteiro está dividido em três corpos: uma igreja com fachada de mais de 40 metros de altura, uma ala Norte que servia o rei e a corte nas visitas, e uma ala Sul para habitação dos monges.

Está classificado como Património Mundial da UNESCO, foi considerado uma das 7 Maravilhas de Portugal, e distinguiu-se entre 794 monumentos candidatos nessa votação.


O Mosteiro de Alcobaça é simultaneamente o lugar onde uma morte foi decidida e o lugar onde o amor a sobreviveu. D. Afonso IV mandou matar Inês neste mosteiro; D. Pedro colocou os dois túmulos frente a frente.

É uma das histórias mais densas do medievalismo português, guardada em granito e numa das obras mais importantes do gótico nacional.

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