Notícias

Moinhos de Rei: têm 700 anos, ainda funcionam e são um segredo para descobrir no Norte de Portugal

Os moinhos que D. Dinis mandou construir ainda hoje moem
Os moinhos que D. Dinis mandou construir ainda hoje moem

Em Cabeceiras de Basto, entre colinas verdejantes da região de Basto, existem moinhos de granito mandados construir por D. Dinis — o rei que incentivou a agricultura e a indústria em Portugal e que ficou também conhecido como poeta e trovador. Foram construídos para moer cereais com a força da água. Ainda hoje funcionam.

Não é um detalhe menor. A maioria dos moinhos de água que sobreviveram em Portugal são vestígios — pedra e madeira que já não giram. Os Moinhos de Rei continuam a fazer o que sempre fizeram.

O que são e como funcionam

Cada moinho é feito de pedra e madeira, com uma roda movida pela água que faz girar as mós no interior. Junto a cada moinho há uma pequena casa anexa, onde se guardava o cereal e se fazia o pão — o ciclo completo, da farinha ao pão, num espaço pequeno e funcional.

A tecnologia moderna foi substituindo gradualmente este tipo de moagem, e o abandono era o destino mais provável. O facto de os Moinhos de Rei ainda funcionarem é resultado de uma decisão de manutenção que poucos locais semelhantes em Portugal conseguiram sustentar.

A área de lazer e o trilho da Levada da Víbora

Junto aos moinhos há uma área de lazer com mesas, bancos, churrasqueiras e parque infantil — o tipo de espaço que convida a ficar uma tarde inteira em vez de uma visita rápida.

A partir daqui parte um trilho pedestre de cerca de 6 quilómetros que segue pela antiga estrada para Busteliberne, atravessa a Serra das Torrinheiras, passa pela Fonte da Víbora e acompanha a ribeira de Busteliberne.

Ao longo do percurso encontram-se culturas agrícolas, casas típicas, pontes romanas, levadas e fontes — uma amostra condensada da paisagem rural do Norte de Portugal, com água a correr na maior parte do trajeto.

As oficinas pedagógicas

A Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto organiza periodicamente oficinas pedagógicas nos Moinhos de Rei: fazer pão à moda antiga, tecer com lã ou linho, fazer cestos ou bonecos de palha, pintar com tintas naturais.

São abertas a crianças e adultos, com inscrição prévia obrigatória — uma forma de transmitir saberes que, sem este tipo de iniciativa, ficariam apenas com as gerações mais velhas.

A gastronomia de Basto

O fumeiro de Basto, os enchidos caseiros e os queijos artesanais da região completam a visita. São produtos que se mantêm fiéis a processos tradicionais — não pela dificuldade de modernizar, mas porque a forma antiga ainda produz o resultado que a região quer manter.

Os Moinhos de Rei são um daqueles lugares onde a história não está apenas exposta — está em funcionamento. Um rei do século XIII mandou construir estes moinhos, e setecentos anos depois a água ainda faz girar as mesmas rodas. É uma continuidade rara, e talvez seja essa a razão pela qual vale a pena visitar.

Sobre o autor

VxMag

A VxMag é a assinatura editorial coletiva da Vortex Magazine. Os artigos publicados sob este nome são escritos e revistos pela equipa da redação, que cobre sociedade, cultura, viagens, tecnologia e atualidade com o mesmo compromisso de rigor e verificação de factos.