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Língua Portuguesa: a curiosa origem da palavra coco

Língua Portuguesa: a curiosa origem da palavra coco
Língua Portuguesa: a curiosa origem da palavra coco

Há palavras que usamos todos os dias sem pensar na história que carregam. Coco é uma delas. A fruta tropical que aparece em sumos, receitas e prateleiras de supermercados tem um nome com uma origem improvável — e diretamente ligada ao medo infantil e ao folclore ibérico.

O encontro no Oceano Índico

Quando os navegadores portugueses chegaram à Índia no final do século XV, durante a viagem de Vasco da Gama, depararam-se com uma palmeira que produzia um fruto grande, fibroso e completamente desconhecido na Europa.

A planta já era cultivada em partes da Ásia e de África, mas para os marinheiros portugueses era uma novidade absoluta.

Ao observarem a casca do fruto — castanha, coberta de fibras e com três orifícios na base que formam o que parece um rosto com dois olhos e uma boca aberta — os marinheiros fizeram uma associação imediata com uma figura do seu próprio imaginário.

O bicho-papão que deu nome a uma fruta

Na tradição popular portuguesa e espanhola, o Coco — também chamado Cuco — era uma entidade mística, uma espécie de bicho-papão usado para assustar crianças que não queriam dormir. A palavra remetia para uma cabeça, uma cara assustadora, uma caveira.

A casca peluda com aqueles três “buracos” fazia a fruta parecer-se com uma máscara de fantasma ou com uma cara a fazer uma careta. O nome surgiu de forma quase imediata e por associação direta: coco.

Uma palavra portuguesa que o mundo adotou

Ao contrário de muitas outras frutas tropicais cujos nomes foram adaptados de línguas locais — como ananás ou manga —, o nome do coco foi uma criação portuguesa exportada para o resto do mundo.

Em inglês, o termo foi adaptado para coconut — junção de coco com nut, que significa noz. O nome científico da palmeira, Cocos nucifera, preserva a raiz portuguesa na nomenclatura botânica oficial.

Cada vez que um biólogo ou um agrónomo escreve o nome da espécie, está, sem o saber, a invocar um bicho-papão do século XV.

Antes de os portugueses fixarem o termo, a fruta aparecia em alguns textos antigos como “noz da Índia”. Mas a força da metáfora visual foi mais forte do que qualquer descrição geográfica — e o coco sobrepôs-se a tudo o resto.

É uma das histórias mais curiosas da língua portuguesa: a fruta tropical mais consumida no mundo tem o nome de um monstro imaginário que os marinheiros de Quinhentos usavam para explicar o que os seus olhos estavam a ver.

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VxMag

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