Manter a casa quente em Portugal pode tornar-se frustrante, sobretudo nos meses de inverno marcados pela humidade e por correntes de ar difíceis de controlar. Muitas vezes, aumenta-se o aquecimento, mas o conforto desaparece pouco depois de o desligar.
Uma casa sem isolamento eficaz funciona como um recipiente com fugas: por mais calor que se produza, ele acaba por escapar. O primeiro passo para resolver o problema é identificar por onde esse calor se perde.
O calor desloca-se sempre das zonas mais quentes para as mais frias. Numa casa mal isolada, existem quatro áreas críticas que concentram a maior parte das perdas.
Telhado e sótão: a maior fuga
O ar quente sobe. Se o teto não estiver bem isolado, grande parte do calor perde-se para o exterior ou acumula-se inutilmente no sótão.
Uma solução eficaz passa por aplicar lã mineral, como lã de rocha ou lã de vidro, sobre o chão do sótão. É uma intervenção relativamente simples e com impacto significativo no conforto e no consumo energético.
Paredes: superfícies extensas e frias
As paredes representam uma grande área de contacto com o exterior. Em muitas casas mais antigas, a caixa de ar existente entre paredes não tem qualquer isolamento, facilitando a transferência de frio.
A solução mais eficaz é estrutural, com insuflação de material isolante no interior dessa caixa. Em alternativa, painéis de cortiça ou revestimentos térmicos em paredes mais expostas, como as viradas a norte, ajudam a reduzir a sensação de frio.
Janelas e portas: pequenas aberturas, grandes perdas
Mesmo em casas com vidro duplo, as frinchas à volta das janelas e portas permitem a entrada de ar frio. Uma abertura mínima é suficiente para reduzir rapidamente a temperatura de uma divisão.
A calafetagem com fitas de espuma ou borracha é uma solução simples e acessível. Nas portas exteriores, um rolo de tecido na base continua a ser eficaz. As caixas de estore merecem atenção especial, já que funcionam como verdadeiras passagens de ar se não forem isoladas.
Chão: impacto direto no conforto
Embora represente uma fatia menor das perdas térmicas, o chão frio afeta diretamente a sensação de conforto, sobretudo em casas com laje de betão.
Tapetes espessos ou carpetes criam uma barreira térmica simples entre o piso e o corpo, melhorando de imediato a sensação de calor.
Investimentos simples com resultados visíveis
| Intervenção | Custo | Dificuldade | Impacto |
|---|---|---|---|
| Selar frinchas das janelas | Baixo | Muito fácil | Médio |
| Isolar caixas de estore | Baixo | Fácil | Elevado |
| Usar cortinas térmicas | Médio | Fácil | Médio |
| Isolar o sótão | Médio a elevado | Médio | Muito elevado |
Cortinas: um reforço térmico acessível
Os têxteis desempenham um papel importante no isolamento. Durante o dia, abrir as cortinas permite aproveitar o calor solar. Ao final da tarde, fechá-las ajuda a reter esse calor no interior.
Cortinas pesadas ou térmicas, que cubram toda a janela e cheguem ao chão, criam uma camada de ar parada entre o vidro e o tecido, funcionando como um reforço ao isolamento existente.
Melhorar o isolamento da casa não implica, necessariamente, obras profundas ou investimentos elevados. Intervir primeiro nas janelas, portas e caixas de estore permite obter ganhos rápidos e visíveis.
Ao reduzir as perdas de calor, o aquecimento torna-se mais eficaz, consome menos energia e contribui para um conforto mais estável ao longo do inverno.







