A cerca de quatro quilómetros de Piódão, no concelho de Arganil, Foz d’Égua surge encaixada na encosta como um prolongamento natural da montanha. No coração da Serra do Açor, é um daqueles lugares que parecem existir à margem do tempo.
Apesar de partilhar a mesma matriz construtiva em xisto, não integra a rede oficial das Aldeias do Xisto. A identidade construiu-se por outros caminhos: pela paisagem, pela escala reduzida e pela forma como as casas se adaptam ao relevo.
Um anfiteatro de pedra e água
O traço mais distintivo é o encontro das ribeiras de Piódão e de Chãs d’Égua, que ali formam uma pequena praia fluvial antes de seguirem para o rio Alvoco. A aldeia organiza-se em redor dessa confluência, como um anfiteatro natural.
Duas pontes de pedra, discretas e bem integradas, ligam as margens. São talvez o elemento mais fotografado do lugar, sobretudo nos meses quentes, quando a água convida a um mergulho e a encosta ganha movimento.
No inverno, o cenário muda: o caudal aumenta, a vegetação adensa-se e o silêncio volta a dominar.
Casas, moinhos e pequenos detalhes
O casario mantém a traça tradicional, com paredes de xisto e telhados de lousa. Entre habitações recuperadas e outras devolutas, surgem vestígios de antigos moinhos e socalcos agrícolas que recordam uma economia de subsistência.
No topo da aldeia, um pequeno altar em forma de presépio observa o vale. É um detalhe simples, mas ajuda a perceber a dimensão comunitária do lugar.
A comparação frequente com cenários de fantasia deve-se à escala e à harmonia com a paisagem. Aqui, a arquitetura não se impõe; acompanha o terreno.
Caminhar entre aldeias
Uma das formas mais interessantes de chegar é a pé, através do percurso que liga Piódão a Foz d’Égua. O trilho circular, com início no Largo Cónego Manuel Nogueira, atravessa encostas e pequenas manchas florestais, com declive moderado e sinalização adequada.
A Serra do Açor oferece ainda outros percursos pedestres, permitindo explorar vales, linhas de água e zonas de vegetação autóctone ao longo de todo o ano.
Informação prática
O acesso faz-se por estrada estreita e sinuosa, típica das aldeias serranas. Nos meses de verão, a afluência aumenta e o estacionamento pode ser limitado, pelo que convém chegar cedo.
Existem algumas unidades de alojamento local na aldeia e na envolvente, enquanto a oferta de restauração é mais consistente em Piódão ou noutras localidades do concelho de Arganil.
Um desvio que vale a pena
Foz d’Égua não é extensa nem monumental. A experiência faz-se de pormenores: o som da água sob as pontes, o contraste entre a pedra escura e o verde da encosta, a sensação de abrigo que o vale proporciona.
A poucos minutos de Piódão, mas com carácter próprio, é um daqueles lugares que se descobrem melhor devagar — onde a paisagem conduz a visita e a simplicidade é parte do encanto.






