VortexMag
  • Cultura
  • Sociedade
  • História
  • Viagens
  • Gastronomia
  • Lifestyle
No Result
View All Result
VortexMag
No Result
View All Result
Home Notícias

Estrímnios: o povo esquecido que habitou Portugal antes dos lusitanos

Os Estrímnios habitaram Portugal antes dos lusitanos e construíram as antas que ainda hoje existem. Quem eram e o que lhes aconteceu?

VxMag by VxMag
Mai 30, 2026
in Notícias
0
Estrímnios: o povo esquecido que habitou Portugal antes dos lusitanos

Estrímnios: o povo esquecido que habitou Portugal antes dos lusitanos

Partilhar no FacebookGuardar no Pinterest

ArtigosRelacionados

Sefes: o povo celta que pode ter estado na origem dos portugueses

Sefes: o povo celta que pode ter estado na origem dos portugueses

Mai 30, 2026
Yabura: assim era a maior cidade de Portugal no tempo dos mouros

Yabura: assim era a maior cidade de Portugal no tempo dos mouros

Mai 30, 2026
Azáleas: a planta que está a conquistar jardins e varandas com cor e elegância

Azáleas: a planta que está a conquistar jardins e varandas com cor e elegância

Mai 30, 2026
Ammaia: a cidade perdida do Alentejo

Ammaia: a cidade perdida do Alentejo

Mai 30, 2026

Conhecemos o nome porque outros povos lho deram. Os mediterrânicos chamavam-lhes Estrímnios — os habitantes do extremo ocidente, o fim do mundo conhecido. Eles próprios não deixaram registos escritos, não cunharam moeda, não construíram cidades que resistissem ao tempo com nome próprio.

O que deixaram foi outra coisa: pedras enormes, erguidas com uma precisão que ainda hoje intriga, espalhadas da Galiza ao Algarve como se alguém quisesse marcar um território para sempre.

As antas, os menires, os cromeleques — são deles. Ou pelo menos é o que a arqueologia sugere. E há algo perturbador nesse legado: construíram monumentos que duram milénios, mas quase não deixaram mais nada que nos ajude a perceber quem eram.

Um povo anterior a quase tudo

Os Estrímnios viveram no território que hoje é Portugal entre o final do Neolítico e o início da Idade do Ferro — um período vasto e mal definido, anterior à chegada dos celtas, anterior aos lusitanos, anterior a Roma. Habitavam grutas naturais ou escavadas, cultivavam cereais, criavam cabras e ovelhas, e organizavam a sua vida em torno dos ciclos da terra e das estações.

A religião era animista: veneravam os elementos, os animais, as plantas. Não há teologia escrita, não há templos — há rituais em espaços abertos, oferendas sazonais, e os monumentos megalíticos que provavelmente serviam tanto de sepultura como de lugar de encontro com o sagrado.

O problema é que quase tudo o que sabemos sobre eles vem de fontes que os olhavam de fora, com pouca simpatia. O poeta romano Avieno, no seu Ora Marítima, descreve-os como primitivos e bárbaros.

Estrabão, geógrafo grego, fala em hábitos que considera pouco civilizados — dormir no chão, comer pão de bolota. São retratos escritos por quem tinha interesse em sublinhar a diferença, não em compreender. Devem ser lidos com essa cautela.

O dia em que os Sefes chegaram

A autonomia dos Estrímnios terminou, ao que tudo indica, com a chegada dos Sefes — o povo celta vindo da Europa Central que por volta de 900 a.C. começou a instalar-se no território. A invasão não foi pacífica. Os Sefes eram militarmente superiores e organizados de forma diferente, e os Estrímnios não tinham como resistir.

Os que sobreviveram refugiaram-se em zonas isoladas, mantendo durante algum tempo elementos da sua cultura. Mas o destino de um povo cercado por outros mais organizados raramente tem um final diferente: foram sendo absorvidos, primeiro pelos Sefes, depois pelos lusitanos que se foram formando dessa fusão.

A identidade estrímniana diluiu-se sem um momento claro de ruptura — não houve uma última batalha, não houve um exílio. Houve um desaparecimento lento, quase imperceptível.

O que ficou

Ficaram as pedras. As antas do Alentejo, os menires do Algarve, o cromeleque dos Almendres, perto de Évora, com os seus noventa e cinco monólitos dispostos numa elipse que nenhuma explicação completamente satisfaz. Estruturas que implicam coordenação, conhecimento astronómico, e uma organização social mais complexa do que as descrições clássicas sugerem.

Ficou também o enigma. Porque um povo que ergueu monumentos desta escala — alguns alinhados com precisão com o sol do solstício — não era bárbaro no sentido que Avieno lhe atribuía. Era simplesmente diferente, e diferente de uma forma que os autores mediterrânicos não tinham instrumentos para apreciar.

Os Estrímnios não aparecem na história que se ensina nas escolas. Mas estão na paisagem — naquelas pedras que ninguém mandou abaixo porque ninguém sabia bem o que fazer com elas. É uma forma de permanência discreta, à sua maneira, coerente com um povo que nunca precisou de escrever o seu nome para deixar marca.

VxMag

VxMag

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Estrímnios: o povo esquecido que habitou Portugal antes dos lusitanos
Notícias

Estrímnios: o povo esquecido que habitou Portugal antes dos lusitanos

by VxMag
Mai 30, 2026
0

Conhecemos o nome porque outros povos lho deram. Os mediterrânicos chamavam-lhes Estrímnios — os habitantes do extremo ocidente, o fim...

Read moreDetails
Sefes: o povo celta que pode ter estado na origem dos portugueses

Sefes: o povo celta que pode ter estado na origem dos portugueses

Mai 30, 2026
Yabura: assim era a maior cidade de Portugal no tempo dos mouros

Yabura: assim era a maior cidade de Portugal no tempo dos mouros

Mai 30, 2026
Azáleas: a planta que está a conquistar jardins e varandas com cor e elegância

Azáleas: a planta que está a conquistar jardins e varandas com cor e elegância

Mai 30, 2026
Ammaia: a cidade perdida do Alentejo

Ammaia: a cidade perdida do Alentejo

Mai 30, 2026
Provavelmente, uma das igrejas mais bonitas de Portugal

Provavelmente, uma das igrejas mais bonitas de Portugal

Mai 29, 2026

© 2024 Vortex Magazine

Mais infomação

  • Ficha Técnica
  • Quem somos
  • Política de privacidade
  • Estatuto editorial

Redes Sociais

No Result
View All Result
  • Cultura
  • Sociedade
  • História
  • Viagens
  • Gastronomia
  • Lifestyle

© 2024 Vortex Magazine