Conduzir em dias de chuva intensa ou após cheias localizadas pode colocar o automóvel em risco sério, sobretudo quando surge uma zona de estrada parcialmente inundada. O problema não é apenas ficar imobilizado no meio da via, mas provocar danos graves e imediatos no motor.
O maior perigo chama-se calço hidráulico e, na maioria dos casos, transforma uma decisão de segundos num prejuízo de milhares de euros.
Porque é que a água pode destruir um motor
O motor de combustão comprime ar e combustível dentro dos cilindros. A água, ao contrário do ar, não se comprime.
Se a água for aspirada pela admissão e atingir os cilindros, o motor bloqueia de forma abrupta. Esse bloqueio pode provocar:
- empeno das bielas;
- danos nos pistões;
- fissuras no bloco do motor.
Na prática, quando ocorre calço hidráulico, a reparação passa muitas vezes pela substituição total do motor.
Avaliar a profundidade antes de avançar
A primeira decisão deve ser sempre visual.
Uma regra simples continua a ser válida:
- se a água atingir cerca de meia altura da roda, não é aconselhável atravessar.
Outro aspeto crítico é a posição da entrada de ar do motor. Em muitos automóveis atuais, a admissão encontra-se numa zona relativamente baixa da frente do veículo, o que aumenta o risco de aspiração de água mesmo quando a lâmina parece pouco profunda.
Como atravessar apenas quando a água é pouco profunda
Se, depois de observar o local, concluir que a travessia é inevitável e aparentemente segura, a forma de condução é decisiva.
| Procedimento | O que fazer | Objetivo |
|---|---|---|
| Engrenar mudança baixa | Utilizar 1.ª velocidade ou modo manual | Manter rotação estável |
| Velocidade | Avançar devagar e sem paragens | Criar uma pequena onda à frente do carro |
| Caixa de velocidades | Não mudar de relação no interior da água | Evitar falhas de tração e entrada de água |
| Após sair da zona inundada | Travar suavemente várias vezes | Secar discos e pastilhas |
Parar a meio da travessia aumenta muito o risco de entrada de água pelo sistema de admissão e pelo escape.
O erro mais grave: tentar voltar a ligar o motor
Se o motor se desligar durante a travessia, o procedimento correto é simples: não tentar ligar novamente o carro.
Se o desligar tiver ocorrido por entrada de água no motor, uma nova tentativa de arranque força os componentes internos contra água acumulada, agravando de forma irreversível os danos.
O mais seguro é:
- colocar a viatura em ponto morto;
- sair com cuidado, se as condições o permitirem;
- chamar assistência em viagem.
Antes de qualquer novo arranque, é necessário que um mecânico verifique a presença de água no motor.
Cuidados depois de atravessar uma zona alagada
Mesmo quando tudo parece normal, a água pode provocar danos que só se manifestam dias ou semanas depois.
Convém estar atento a:
- embaciamento ou água no interior dos faróis;
- ruídos anormais vindos de correias, rolamentos ou alternador;
- funcionamento irregular de sistemas eletrónicos.
Em travessias mais profundas, é prudente verificar o estado do óleo do motor e, em certos casos, também o da caixa de velocidades, uma vez que a contaminação com água compromete seriamente a lubrificação.
Conclusão
Perante uma estrada inundada, a decisão mais segura continua a ser evitar a passagem sempre que exista alternativa.
Atravessar uma zona alagada é um risco mecânico elevado, mesmo quando a água parece inofensiva. Um pequeno desvio no percurso pode evitar um dano grave no motor e uma reparação de elevado custo.
Em situações deste tipo, a regra prática mantém-se: na dúvida, não avançar.







