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Tem 700 anos e é a casa mais antiga do Porto

Casa mais antiga do Porto
Casa mais antiga do Porto

Aquela que é considerada a casa mais antiga do Porto encontra-se junto à Sé, no Beco dos Redemoinhos. Tem um aspeto flamengo, no qual se destaca a chaminé colocada acima e no meio da fachada, e pensa-se que o edifício foi construído na primeira metade do século XIV.

Antigamente, esta casa dava para um animado largo, que era delimitado a ocidente pela já desaparecida charola da catedral. O nome do Beco vem do facto de, na época, ali existirem azenhas (moinhos), já que aqui passaria um pequeno rio.

Mas, estranhamente, esta relíquia não se encontra em roteiros, nem é visitada pelos diversos turistas que acorrem ao Porto. Isto porque existe um portão, que veda o acesso ao beco onde se situa esta casa, o que a torna inacessível mesmo para os portuenses. E assim se mantém esta casa, esmaga contra a massa enorme da capela-mor seiscentista mandada construir pelo bispo D. Gonçalo de Morais, longe dos olhares da vasta maioria do público.

Casa mais antiga do Porto
Casa mais antiga do Porto

Mas nem sempre isso aconteceu. Como referimos, em tempos, a casa encontrava-se num animado largo, chamado Adro de Trás da Sé, sendo este um espaço público, muito arejado e vasto, cuja história remonta à época da construção da Sé.

Por essas alturas, o Porto era uma cidade episcopal, e o bispo detinha tanto os poderes espirituais como temporais, sendo secundado por membros do alto clero, que foram construindo residências em redor da capela-mor, o local mais sagrado da catedral.

Assim, a atual Rua de D. Hugo (que se chamava Rua do Redemoinho) foi o local de muitas e ricas residências de cónegos, sendo que algumas delas ainda hoje existem.

Por entre esta rua e o Adro de Trás da Sé (que é hoje o Beco do Redemoinho) criou-se uma frente urbana, com as habitações a terem duas fachadas. Foi nesse ambiente de elite que se construiu aquela que é a casa mais antiga do Porto, talvez no século XIV, uma habitação em pedra coroada por ameias e semelhante às torres defensivas das fortalezas. Essa tipologia habitacional foi muito abundante no Porto, subsistindo diversos exemplares até aos nossos dias. 

Casa mais antiga do Porto
Casa mais antiga do Porto

Com o passar do tempo, essas antigas torres revelaram-se desastrosas para a habitação, já que tinham poucas condições de conforto, e foram aos poucos sendo convertidas em estrebarias, palheiros, ou residência de membros de classes em ascensão. Outras foram alargadas e modernizadas, que foi o que aconteceu com a casa do Beco dos Redemoinhos. Mas já lá vamos.

Sabemos que nos finais do século XV, a casa pertenceu ao cónego Afonso Luís, tendo sido sucedido pelo cónego João Privado. A partir de 1498, passou a pertencer ao deão D. Rodrigo de Sousa, que realizou importantes obras no seu interior (por esta altura, a propriedade já abrangia um edifício contíguo).

Em finais de quinhentos, o edifício estava arruinado e, no século seguinte, estava nas mãos do genealogista Cristóvão Alão de Morais, devendo datar dessa altura a janela do peitoril do piso superior.

Quanto às ameias que encimam a torre, o atual desenho do remate pode datar de época posterior à Idade Média, talvez depois de finais do século XVI, quando o edifício estava em ruínas.

Pode ser que a ruína da torre tenha feito desmoronar a parte superior, tendo-se então optado pelas duas águas e pela linha horizontal sobre elas. Algumas incongruências na fachada parecem sugerir essa alteração, mas a verdade é que nunca o saberemos com certeza.

Como nota final, apesar de esta ser por muitos considerada a casa mais antiga do Porto, alguns autores pensam que a casa mais antiga é, na realidade, o número 5 da Rua de Baixo, também conhecida como Casa Torre do Barredo, que teria sido construída 100 anos antes da Casa do Beco dos Redemoinhos.

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VxMag

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