Escolher um desumidificador parece simples até se perceber que a temperatura real da casa influencia, de forma decisiva, o desempenho do equipamento.
É por isso que a dúvida entre modelos de compressor e modelos dessecantes surge com tanta frequência, sobretudo quando o objetivo é controlar a humidade no inverno.
Em divisões frias — como caves, garagens, quartos pouco aquecidos ou casas com fraco isolamento — a tecnologia escolhida pode fazer toda a diferença entre um aparelho eficaz e um investimento pouco útil.
Desumidificador de compressor
É o modelo mais comum no mercado. O princípio de funcionamento é idêntico ao de um frigorífico: o ar húmido passa por uma serpentina fria, a água condensa e é recolhida no depósito.
O problema surge quando a divisão é fria. A temperaturas abaixo de cerca de 15 °C, a serpentina tende a gelar, obrigando o aparelho a entrar frequentemente em ciclos de descongelação. Durante esses períodos, praticamente não remove humidade.
Na prática, quanto mais fria for a divisão, menor será a eficiência real.
Desumidificador dessecante
Nos modelos dessecantes não existe serpentina fria. O ar passa por um disco com material absorvente (normalmente sílica gel), que retém a humidade. Em seguida, um pequeno sistema de aquecimento liberta essa água para o depósito.
A grande diferença está no facto de este processo não depender da temperatura ambiente. O desempenho mantém-se estável em divisões frias, mesmo com poucos graus acima de zero.
Comparação prática para utilização em casa
| Característica | Compressor | Dessecante |
|---|---|---|
| Temperatura de funcionamento ideal | Acima de 15 °C | Funciona bem a qualquer temperatura |
| Desempenho no inverno | Fraco em casas frias | Muito eficaz |
| Consumo elétrico | Mais baixo | Mais elevado |
| Nível de ruído | Compressor + ventoinha | Essencialmente ventoinha |
| Efeito na temperatura da divisão | Neutro | Aumenta ligeiramente |
Qual faz mais sentido em ambientes frios?
A resposta depende, acima de tudo, da temperatura média da divisão onde o aparelho vai trabalhar.
Quando o dessecante é claramente a melhor opção
Em casas frias, divisões sem aquecimento regular, caves ou garagens, o modelo dessecante apresenta duas vantagens muito claras:
- mantém a capacidade de desumidificação mesmo com temperaturas muito baixas;
- liberta ar mais quente, normalmente vários graus acima da temperatura de entrada, contribuindo para um ligeiro aumento do conforto térmico.
Na prática, enquanto um modelo de compressor perde grande parte da sua eficácia em dias frios, um dessecante continua a remover a quantidade de água prevista pelo fabricante.
Quando o modelo de compressor continua a ser adequado
Se a habitação se mantém habitualmente acima dos 18 °C — por exemplo, em casas com aquecimento regular e bom isolamento — o desumidificador de compressor continua a ser uma escolha equilibrada.
Nestes cenários, apresenta:
- consumo mais reduzido;
- boa capacidade de extração de água;
- custos de utilização mais baixos a médio prazo.
Um aspeto que muitas vezes passa despercebido
A ficha técnica indica sempre a capacidade máxima diária de extração, mas esse valor é medido em laboratório, com temperaturas e níveis de humidade elevados. Em divisões frias, esse número deixa de ser realista nos modelos de compressor.
É precisamente aqui que muitos utilizadores se sentem desiludidos: o aparelho funciona, mas recolhe muito pouca água.
Conclusão
Antes de escolher um desumidificador, o critério mais importante não é o preço nem a capacidade anunciada, mas sim a temperatura habitual da divisão.
Em ambientes frios, o desumidificador dessecante é, de forma consistente, a solução mais eficaz. Em casas aquecidas e com temperaturas estáveis, o modelo de compressor continua a ser o mais eficiente em termos energéticos.
Olhar primeiro para o termómetro da casa e só depois para o catálogo continua a ser a forma mais segura de fazer uma escolha acertada.







