As burlas telefónicas estão entre os crimes que mais crescem em Portugal. Os esquemas tornaram-se mais elaborados e recorrem cada vez mais a técnicas de engenharia social, combinadas com tecnologia capaz de imitar números oficiais de bancos, empresas ou organismos públicos.
Do outro lado da linha, a voz soa segura, o discurso é convincente e a urgência parece real. O objectivo é simples: obter dados pessoais ou levar à transferência de dinheiro. Apesar da sofisticação, estas chamadas seguem padrões que permitem identificá-las a tempo.
Urgência excessiva é sinal de perigo
Um dos elementos mais comuns é a criação de pânico. O interlocutor afirma que existe uma invasão de conta em curso, um pagamento iminente ou uma operação suspeita que exige uma resposta imediata.
Na prática, nenhuma entidade bancária ou oficial pressiona clientes a tomar decisões financeiras sob stress. Sempre que a chamada provoca ansiedade ou medo, a probabilidade de se tratar de uma burla é elevada.
Pedidos de códigos ou palavras-passe
Este é o sinal mais claro de fraude. Bancos e instituições legítimas nunca solicitam códigos enviados por SMS, palavras-passe ou dados completos de acesso.
O esquema é simples: o burlão afirma estar a cancelar uma operação fraudulenta e pede o código “para confirmar”. Ao fornecê-lo, a própria vítima acaba por autorizar a transferência.
“Mudei de número”: o apelo emocional
Cada vez mais comum, esta burla explora relações familiares. A chamada ou mensagem começa com uma história plausível: telemóvel avariado, número temporário e uma urgência financeira.
A regra é clara: não fazer transferências nem pagamentos. O mais seguro é desligar e contactar o familiar através do número habitual ou colocar uma pergunta que só essa pessoa saberia responder.
A falsa “conta de segurança”
Outro argumento recorrente é a alegada necessidade de mover o dinheiro para uma conta segura, supostamente criada pelo banco para proteger os fundos.
Na realidade, não existem contas externas de salvaguarda. Se o dinheiro sai da conta por iniciativa do titular, a recuperação torna-se difícil ou impossível.
Banco legítimo vs. burlão: diferenças essenciais
| Situação | Banco legítimo | Burlão |
|---|---|---|
| Pedido de código SMS | Nunca | Frequente |
| Confirmação de IBAN/NIB | Raro | Insistente |
| Comunicação de risco | Informa | Exige acção imediata |
| Pedido de PIN do cartão | Nunca | Pode tentar |
Como agir perante uma chamada suspeita
- Evitar confirmações verbais claras logo no início da chamada
- Desligar e contactar a entidade através do número oficial
- Nunca instalar aplicações de acesso remoto a pedido de terceiros
Ferramentas como programas de controlo remoto permitem acesso total ao dispositivo e são frequentemente usadas em fraudes mais complexas.
Desconfiança é a melhor defesa
A prevenção continua a ser a arma mais eficaz contra burlas telefónicas. Sempre que o pedido é invulgar, a pressão é excessiva ou a situação parece pouco clara, desligar é a decisão mais segura. As instituições preferem confirmar contatos do que lidar com prejuízos causados por fraude.






