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Branda da Aveleira: cardenhas, transumância e tradição às portas do Gerês

A Branda da Aveleira, em Melgaço, é uma antiga aldeia de pastores a mais de 1100 metros no Gerês. As cardenhas foram recuperadas para turismo rural sem perder a traça original.

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Mar 30, 2026
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Branda da Aveleira: um segredo para descobrir às portas do Gerês

Branda da Aveleira: um segredo para descobrir às portas do Gerês

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No Parque Nacional da Peneda-Gerês, a uma altitude que ultrapassa os 1100 metros, existe um pequeno conjunto de casas de granito que durante séculos só esteve habitado metade do ano. A outra metade, ficava vazia — os pastores desciam com o gado para as inverneiras nos vales mais baixos, e a Branda da Aveleira ficava entregue ao vento e à neve.

É esta lógica de ocupação sazonal, a transumância, que explica a existência de lugares como este no Gerês. E é ela que, paradoxalmente, os preservou.

O que é uma branda

As brandas eram aglomerados de altitude onde as famílias serranas passavam os meses quentes — de primavera ao fim do verão — enquanto o gado aproveitava os pastos de montanha. Em outubro, desciam. Os campos das brandas ficavam livres, os das inverneiras enchiam-se de gente e de animais durante o inverno.

A transumância não era uma escolha estética. Era a resposta a um território de condições extremas, onde a sobrevivência dependia de usar cada zona no momento certo.

A Branda da Aveleira, em Melgaço, existe pelo menos desde o século XII — oitocentos anos de subidas e descidas sazonais que moldaram tanto as casas como os caminhos que as ligavam aos vales.

Hoje a transumância é rara. Em Fafião, ainda se transporta o gado para a montanha a cada primavera — uma das últimas aldeias do parque que mantém a prática. Na Branda da Aveleira, a última geração de pastores saiu nas décadas de 60 e 70, quando a emigração esvaziou a aldeia quase por completo.

As cardenhas reconvertidas

As casas tradicionais da branda chamam-se cardenhas. Tinham uma lógica vertical simples: o gado ficava no rés-do-chão, os pastores no andar de cima. O calor dos animais subia e aquecia os aposentos durante as noites frias de agosto na montanha — uma solução de engenharia doméstica que não precisava de explicação teórica.

Quando os habitantes que tinham emigrado voltaram para recuperar a aldeia, mantiveram essa estrutura. As cardenhas foram restauradas com a traça original e transformadas em alojamento de turismo rural. O rés-do-chão já não tem gado, mas as paredes de granito, os telhados de lousa e a escala comprimida das divisões continuam iguais.

Há um restaurante na aldeia — apoio ao turismo e ponto de paragem para quem passa. E o Trilho da Branda da Aveleira, com oito quilómetros, sai diretamente daqui.

O que fica em redor

Imediatamente ao lado fica Vale de Poldros — outra antiga branda, com uma particularidade que se tornou famosa: tem um único habitante e um restaurante. A lógica da desproporcionalidade parece ser uma característica da região.

Rouças, Gavieira e o Miradouro do Tibo ficam a curta distância de carro. O Santuário de Nossa Senhora da Peneda também, encaixado nas rochas mais à frente na mesma estrada.

Sistelo — com os socalcos que sobem pelas encostas em camadas — fica a quarenta minutos pelas estradas serpenteantes da montanha. É uma das paisagens mais fotografadas do Alto Minho, e a partir da Branda da Aveleira é uma extensão natural de qualquer visita à região.

No inverno, quando a neve cobre os cumes e a aldeia fica novamente em silêncio, a Branda da Aveleira tem a aparência que sempre teve nesta época do ano. Vazia, fria, à espera. A diferença é que agora há luz nas janelas das cardenhas — e alguém que decidiu ficar o ano inteiro.

Parque Nacional da Peneda-Gerês · Melgaço
Branda da Aveleira
Aldeia sazonal de altitude · casas de granito · transumância
+1100 m
altitude
Primavera–verão
época tradicional de ocupação
Cardenhas
casas tradicionais convertidas em turismo rural
8 km
trilho da Branda da Aveleira
Melgaço
concelho · Alto Minho
Século XII
origem documentada
Primavera / verão
Aldeia ocupada. Pastores na montanha com o gado nos pastos de altitude.
Outono / inverno
Aldeia vazia. Descida para as inverneiras nos vales mais baixos.
Aldeias e lugares próximos
Vale de Poldros Rouças Gavieira Miradouro do Tibo Santuário da Peneda Sistelo Fafião
Cronologia — da transumância ao turismo
Século XII
Primeiras referências documentadas à Branda da Aveleira. A aldeia já existe como ponto de altitude na rota sazonal dos pastores de Melgaço.
Séculos XII–XIX
Ciclo contínuo de transumância: primavera e verão na branda com o gado nos pastos de montanha; outono e inverno na inverneira nos vales. As cardenhas — casas de granito com gado no rés-do-chão e pastores no andar de cima — são construídas e aperfeiçoadas ao longo de gerações.
Anos 1960–70
A emigração esvazia a aldeia quase por completo. A última geração de pastores abandona a prática da transumância na Branda da Aveleira. As cardenhas ficam desertas.
Final do século XX
Habitantes emigrados regressam e recuperam a aldeia. As cardenhas são restauradas com a traça original — paredes de granito, telhados de lousa — e convertidas em turismo rural. A lógica vertical (gado em baixo, pessoas em cima) mantém-se na arquitetura, sem o gado.
Hoje
A aldeia está habitada o ano inteiro pela primeira vez em séculos. A transumância sobrevive em Fafião — uma das últimas aldeias do parque que ainda transporta o gado para a montanha a cada primavera.
Paradoxo preservado
A transumância — que durante séculos deixou a aldeia vazia metade do ano — foi precisamente o que a preservou. Sem ocupação permanente e sem pressão de modernização, as cardenhas chegaram ao século XXI quase intactas.
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