Quando as temperaturas descem, escolher o aquecedor mais adequado passa a ser uma decisão prática em muitas casas portuguesas. Entre os modelos eléctricos mais comuns, o aquecedor a óleo e o convetor eléctrico surgem quase sempre como as opções mais acessíveis.
Apesar de funcionarem ambos ligados à tomada, o comportamento térmico de cada um é bastante diferente. E é precisamente aí que se encontra a resposta à pergunta mais frequente: qual continua a aquecer a divisão depois de ser desligado?
Aquecedor a óleo: a vantagem da inércia térmica
O aquecedor a óleo utiliza uma resistência eléctrica para aquecer um fluido interno. Esse óleo circula pelas colunas metálicas e aquece toda a estrutura do aparelho, que passa depois a libertar calor para o ambiente.
A grande vantagem deste sistema está na capacidade de conservar calor. O óleo e o metal acumulam energia térmica e libertam-na de forma gradual.
Na prática, após ser desligado, o aquecedor continua a emitir calor durante cerca de 30 a 45 minutos. Este comportamento torna-o especialmente indicado para quartos e salas, onde se pretende um ambiente estável ao longo de várias horas.
Convetor elétrico: aquecimento rápido, efeito curto
O convetor aquece o ar de forma direta. O ar frio entra na parte inferior do aparelho, passa por uma resistência e sai aquecido pela parte superior, criando um movimento constante de convecção.
A principal vantagem é a rapidez. Em poucos minutos, a divisão começa a aquecer.
O ponto fraco é a ausência de massa térmica. Assim que o convetor é desligado, a produção de calor termina e a temperatura desce rapidamente, porque não existe qualquer elemento que continue a libertar energia.
É por isso um equipamento mais adequado para utilizações curtas e pontuais.
Comparação de comportamento térmico
| Característica | Aquecedor a óleo | Convetor eléctrico |
|---|---|---|
| Tempo até aquecer a divisão | Mais lento (cerca de 15 a 20 min) | Muito rápido (2 a 5 min) |
| Retenção de calor após desligar | Elevada | Praticamente inexistente |
| Funcionamento | Silencioso | Silencioso (ou com ventoinha, nalguns modelos) |
| Tipo de calor | Mais estável e contínuo | Mais imediato |
| Utilização mais indicada | Salas e quartos | Casas de banho e aquecimento rápido |
Consumo de energia: há diferenças reais?
Existe uma ideia muito difundida de que um destes aparelhos consome menos eletricidade do que o outro. Na realidade, ambos transformam quase toda a energia eléctrica em calor.
A diferença surge no modo como esse calor é gerido.
No aquecedor a óleo, o termóstato desliga a resistência com maior frequência, aproveitando o calor acumulado no fluido e na estrutura metálica para manter a temperatura.
Num convetor, a resistência tem de ligar mais vezes para compensar o ar que arrefece rapidamente. Em utilização prolongada, isso tende a traduzir-se numa utilização mais contínua do aparelho.
Conforto e qualidade do ambiente
O convetor promove maior circulação de ar, o que pode contribuir para um ambiente mais seco e para a movimentação de pó.
O aquecedor a óleo, por funcionar sobretudo por radiação e convecção natural, cria um aquecimento mais homogéneo e menos turbulento, semelhante ao do aquecimento central tradicional.
Para quem passa muitas horas na mesma divisão, esta diferença acaba por ser perceptível.
Se o objetivo é manter a divisão quente durante mais tempo depois de desligar o aparelho, o aquecedor a óleo é claramente a melhor opção. A sua inércia térmica permite prolongar o conforto sem consumo adicional de eletricidade nesse período.
O convetor eléctrico continua, no entanto, a ser muito útil quando se pretende aquecer rapidamente um espaço durante poucos minutos.
Na prática, a solução mais equilibrada passa por utilizar aquecedores a óleo nas divisões principais da casa e recorrer ao convetor apenas para necessidades rápidas e pontuais.







