Em Vila de Rei, distrito de Castelo Branco, a Aldeia do Xisto de Água Formosa fica aninhada entre a ribeira da Corga e a ribeira da Galega. Deve o nome a uma fonte de água no centro da povoação — e os seus habitantes continuam a ver a abundância de água como uma das maiores riquezas do lugar.
Em 2002, viviam aqui apenas 4 pessoas. Com a requalificação, passaram a ser 9 de forma permanente — um número pequeno, mas suficiente para que as casas fossem sendo recuperadas, novas hortas surgissem em redor, e a aldeia voltasse a ter o movimento mínimo necessário para não desaparecer completamente.
A fonte, as eiras e os fornos a lenha
A fonte no centro da aldeia continua a funcionar como ponto de encontro entre gerações — o tipo de espaço que a canalização tornou desnecessário mas que a memória comunitária manteve vivo. Junto à fonte, quase se consegue imaginar as mulheres a chegar com cântaros de barro à cabeça.
As eiras comunitárias são outro vestígio da economia agrícola que definiu a aldeia durante séculos: usadas para secar cereais e leguminosas sobre a rocha aquecida pelo sol, que continuava a libertar calor durante a noite.
Os fornos a lenha espalhados pela aldeia completam um conjunto de infraestruturas comunitárias que resistiram ao abandono.
A ponte pedonal e a perspetiva diferente
A ponte pedonal sobre a ribeira da Galega é a única ligação entre os dois lugares da povoação. Recuperada recentemente, voltou a ser segura para atravessar — o que permite ver a aldeia de um ângulo diferente, com a ribeira por baixo e o xisto das casas refletido na água.
O Centro Geodésico e as praias fluviais
A 10 quilómetros de Água Formosa fica o Centro Geodésico de Portugal, no Picoto da Melriça — o ponto exato do centro do país, marcado por uma pirâmide de alvenaria de 1802.
Em dias de boa visibilidade, dali avistam-se a Serra da Lousã, a Serra da Estrela, a Serra da Gardunha, a Lezíria Ribatejana e as planícies do Alto Alentejo.
No verão, a Praia Fluvial de Cardigos é um dos destaques das imediações — considerada uma das mais bonitas do Centro de Portugal, a cerca de poucos quilómetros da aldeia.
O percurso entre Anjos e Santos, com início no Mercado Municipal de Vila de Rei, dura cerca de 3 horas e passa pelo Penedo Furado — um dos pontos mais fotogénicos e mais misteriosos da região.
Água Formosa é uma aldeia que esteve quase deserta e voltou a ter vida — não turismo massificado, mas habitantes permanentes, hortas, fornos e conversas junto à fonte. É o tipo de recuperação que não faz manchetes mas que é, provavelmente, o único tipo que dura.







