Em situações de chuva extrema, cheias urbanas ou falhas graves nas infra-estruturas, a rede pública de abastecimento pode ser rapidamente afectada. Ruturas de condutas, refluxo de esgotos ou transbordos em estações de tratamento são suficientes para comprometer a qualidade da água em poucas horas.
Nesses cenários, saber transformar água imprópria em água segura deixa de ser uma técnica de campismo e passa a ser uma competência essencial para qualquer família.
O objetivo é simples: eliminar sujidade visível, microrganismos e reduzir o risco de contaminação.
Filtragem inicial: retirar partículas
Sempre que a água esteja turva, o primeiro passo deve ser remover os sedimentos.
A água pode ser passada por um pano limpo de algodão, um filtro de café ou várias camadas de papel absorvente. Este procedimento não elimina microrganismos, mas reduz a matéria em suspensão, o que torna a desinfecção seguinte mais eficaz.
Fervura: o método mais seguro
Sempre que exista possibilidade de aquecer água, a fervura continua a ser a técnica mais fiável em ambiente doméstico.
A água deve atingir ebulição plena durante, pelo menos, um minuto. Em zonas de maior altitude, o tempo deve ser prolongado para cerca de três minutos.
Depois de arrefecer, a água pode apresentar um sabor mais “plano”. Passá-la de um recipiente para outro ajuda a reintroduzir oxigénio e melhora o paladar.
Desinfecção com lixívia comum
Quando não é possível ferver a água, pode recorrer-se à lixívia doméstica sem perfume nem aditivos.
A dosagem recomendada é de duas a quatro gotas por litro de água previamente filtrada e límpida.
A mistura deve repousar durante trinta minutos.
No final, deve existir um ligeiro cheiro a cloro. Se não existir, repete-se a mesma dose e aguarda-se mais quinze minutos.
Comparação rápida dos métodos disponíveis
| Método | Elimina bactérias | Elimina vírus | Observação |
|---|---|---|---|
| Fervura | Sim | Sim | O mais eficaz em ambiente doméstico |
| Lixívia | Sim | Sim | Útil quando não há fonte de calor |
| Pastilhas de cloro ou iodo | Sim | Sim | Práticas em kits de emergência |
| Filtros portáteis | Sim | Nem sempre | Não substituem a desinfecção |
| Exposição solar (SODIS) | Sim | Parcialmente | Apenas como último recurso |
A água da chuva pode ser utilizada?
A água da chuva, apesar de parecer limpa, ao escorrer por telhados e superfícies urbanas transporta poeiras, poluentes e dejectos de aves.
Sempre que seja recolhida, deve evitar-se a água dos primeiros minutos de precipitação, que corresponde à fase de lavagem do ar e das superfícies.
Mesmo a água recolhida posteriormente deve ser sempre fervida ou tratada com lixívia antes de ser consumida.
Armazenar sem recontaminar
Um erro frequente é contaminar novamente a água já tratada.
Os recipientes devem estar bem lavados e, de preferência, previamente desinfectados.
A água deve ser guardada tapada e manuseada apenas com copos ou utensílios limpos.
Beber directamente do recipiente de armazenamento facilita a introdução de bactérias na reserva.
Uma medida simples que pode evitar doenças
Em contexto urbano, uma falha na qualidade da água pode ter consequências rápidas na saúde, sobretudo em crianças, idosos e pessoas imunodeprimidas.
Ter em casa um pequeno frasco de lixívia simples, filtros de papel e recipientes adequados permite responder de imediato a um alerta de contaminação.
Num cenário de crise, garantir água segura para beber é uma das decisões mais importantes para proteger a família.






