Portugal tem vindo a afirmar-se como um destino preferencial para reformados britânicos que procuram estabilidade, segurança e um custo de vida mais controlado.
Espanha continua a ser uma referência histórica, mas vários fatores recentes estão a levar muitos pensionistas do Reino Unido a rever escolhas e a optar pelo lado português da Península Ibérica.
A imprensa britânica tem acompanhado esta mudança. O jornal Daily Express aponta um conjunto de razões práticas que ajudam a explicar porque Portugal está a ganhar terreno face a Espanha.
Comunidade estrangeira em crescimento
O número de residentes estrangeiros em Portugal aumentou de forma expressiva desde 2018, com um crescimento estimado em cerca de 150%. Este movimento inclui trabalhadores remotos, mas também um número crescente de reformados estrangeiros, em particular britânicos.
Este crescimento tem chamado a atenção precisamente por contrariar a tradição espanhola como destino quase automático para a reforma, mostrando uma mudança gradual nas preferências.
Custo de vida pesa na decisão
O custo de vida surge como um dos factores mais determinantes. Em várias cidades espanholas, o aumento das rendas tem vindo a pressionar os orçamentos de quem vive de uma pensão fixa. Em alguns casos, os valores pedidos por apartamentos T1 aproximam-se dos mil euros mensais, segundo relatos divulgados na imprensa britânica.
Portugal apresenta-se como uma alternativa mais acessível. Dados da plataforma HousingAnywhere indicam que as despesas mensais médias de uma pessoa a viver sozinha rondam os 1.285 euros, um valor competitivo quando comparado com outros países da Europa Ocidental.
Esta perceção é reforçada pelo portal Numbeo, que aponta para um custo de vida em Portugal cerca de 38% inferior ao do Reino Unido, permitindo uma gestão financeira mais folgada durante a reforma.
Clima e qualidade de vida continuam a contar
O clima mantém-se como um argumento forte. Portugal combina verões longos com invernos moderados, embora com diferenças claras entre regiões. Para muitos reformados, esta estabilidade climática associa-se a uma rotina mais tranquila e previsível.
A nível cultural e paisagístico, Portugal é visto como comparável a Espanha, mas com menor pressão financeira, o que acaba por pesar na decisão final.
Uma alternativa mais equilibrada
Apesar de Espanha continuar a atrair estrangeiros, o aumento do custo da habitação e das despesas correntes tem afastado parte dos reformados que procuram estabilidade a longo prazo.
Portugal surge, assim, como uma solução mais equilibrada, reunindo factores valorizados como segurança, proximidade ao mar, gastronomia e um ritmo de vida considerado mais acessível.
Saúde pública como fator decisivo
O acesso aos cuidados de saúde é outro ponto frequentemente referido. A plataforma financeira Wise destaca o sistema de saúde português como fiável e bem avaliado no contexto europeu.
O Serviço Nacional de Saúde, complementado por opções privadas, é visto como adequado às necessidades de uma população envelhecida. Cidadãos britânicos residentes podem inscrever-se no centro de saúde da área de residência e obter número de utente, garantindo acesso ao sistema público.
Tendência que ganha força
A combinação entre custos mais baixos, clima favorável, segurança e acesso à saúde ajuda a explicar porque Portugal está a ganhar protagonismo entre os reformados britânicos.
Espanha mantém uma forte capacidade de atracção, mas Portugal consolida-se como uma opção financeiramente mais sustentável e estável para quem procura viver a reforma com previsibilidade e qualidade de vida.







