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10 formas infalíveis de provar a um lisboeta que ele também tem sotaque

Já algumas vez entrou em discussão com um amigo alfacinha tentando-o convencer que ele também tem sotaque. Descubra 10 formas infalíveis de fazê-lo.

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sotaque lisboeta
Pintura de Clara Ferreira

10 formas infalíveis de provar a um lisboeta que ele também tem sotaque

Muitas pessoas de Lisboa pensam que não têm sotaque. Toda a gente do Porto sabe que fala à Porto, mas muitas pessoas de Lisboa pensam que não têm um sotaque específico, que falam “um português neutro”… Ora o sotaque de Lisboa é um sotaque como outro qualquer. Como o de Beja ou de Portimão ou da Malveira da Serra.

Há muitas pessoas (sobretudo de fora de Lisboa, naturalmente) que pensam que, sobretudo com a força uniformizadora da televisão, o português de Lisboa está a ser imposto ao resto do país e a dar cabo dos falares regionais. É verdade até certo ponto. É verdade que a variante do português que se está a espalhar é o falar das classes “cultas” da capital e não há nisso nada de extraordinário: normalmente o falar “culto” da cidade ou da zona mais importante é o que se impõe. É assim a vida…

Lisboa
Lisboa

1. Uma característica daquilo a que se chama o “verdadeiro sotaque da Lisboa” é a abertura de certos oo: não se diz tourada, mas sim tòrada; nem se diz ourives, mas sim òrives; não se diz chouriço, mas sim chòriço; não se diz ouvir, mas sim òvir; etc. E não são só os -ou- que se pronunciam ó – também au- e até al-, às vezes: “Vais ó Ògueirão? Òguenta aí, qu’eu vou contigo!”

Lisboa
Lisboa

2. “Piscina” diz-se “pichina”, “disciplina” diz-se “dichiplina”. E a mesma anomalia de pronúncia se verifica geralmente em todos os grupos “sce” ou “sci”: “crecher” em vez de “crescer”, “seichentos” em vez de “seiscentos”, e assim por diante.

3. O mesmo sucede quando uma palavra terminada em “s” é seguida de outra começada por “si” ou “se”. Por exemplo, a expressão “os sintomas” sai algo parecido com “uchintomas”, “dois sistemas” como “doichistemas”.

Lisboa
Lisboa

4. Há também muitos ii que não se pronunciam. Se alguém lhe disser que é “de Lisboa”, pode achar esquisito, porque em Lisboa diz-se L’sboa, não se diz Lisboa… E nem é esquisito que você acha, é ‘squ’sito. Aliás, às vezes nem é ‘squ’sito que se diz, é chq’sito, depende. Ora aí têm mais uma característica do sotaque de Lisboa: pronunciar os ss em fim de sílaba como ss explosivos de início de sílaba. Por outras palavras, pronunciar da mesma maneira chefia e esfia.

5. Como nos outros sotaques do Sul, também se transforma, em Lisboa, o ditongo -ei- numa vogal só. Só que, em vez de se o reduzir a ê, como nos sotaques saloio, alentejano ou algarvio, transforma-se-o antes em â: peixe diz-se pâxecoelho diz-se coâlho e assim sucessivamente…

Lisboa
Lisboa

6. Há também palavras isoladas que têm uma pronúncia especial. Não existe o advérbio muito mas só uma variação bizarra desse advérbio, muita (muitas vezes pronunciado m’ta): muita grande, muita pequeno, muita giro, etc. E o mesmo se passa com o quantificador de nome: muita peso, muita dinheiro, sempre muita… Também não existe também, mas sempre e só tamém. E não se diz mesmo, mas antes memo. O adjectivo grande, quando vem anteposto a um nome, pronuncia-se sempre ganda: ganda pintaganda problema, etc.

7. Conjugar verbos também não é tarefa fácil para um lisboeta. Não há vós nem nós. Há apenas “vocês” e “a gente”. Temos que concordar que fica mais fácil, é verdade. Afinal de contas, para que dizer vós sois, vós fizestes ou vós ides quando se pode dizer vocês são, vocês fizeram e vocês vão? E depois há o uso peculiar do “a gente”. Serve para tudo e mais alguma coisa. A gente somos, a gente vamos, a gente vai, a gente foi…

Lisboa
Lisboa

8. Uma outra tendência cada vez mais vulgar é a de comer os sons, sobretudo a sílaba final, que fica reduzida a uma consoante aspirada. Por exemplo: “pov'” ou “continent'”, em vez de “povo” e de “continente”.

9. Mas essa fonofagia não se limita às sílabas finais. Se se atentar na pronúncia da palavra “Portugal”, ela soa muitas vezes como algo parecido com “P’rt’gal”.

Lisboa
Lisboa

10. E há ainda os que usam e abusam do u em vez de eliminar sons. Por isso dizem Purtugal em vez de Portugal, pêssegu em vez de pêssego, etc…

Fonte parcial: Português de Lisboa: ao que isto chegou…

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6 COMENTÁRIOS

  1. Não sei muito bem onde foste/foram buscar a ideia de que “o Português de Lisboa está a ser imposto ao resto do país e a dar cabo dos falares regionais”.
    Não sei também quem escreveu este texto, se é Lisboeta (provavel/ não), se vive/viveu em Lisboa (também ñ me parece)mas posso afirmar que, a menos que seja uma pessoa com um menor grau de literacia, (e temos em Lisboa como no resto do país…) não dizemos “chóriço” nem “órives” nem óvir”. O que poderás/poderão (ou se a minha “forma de escrever pseudo-lisboeta” for muito pouco educada)…poderá/poderão afirmar correcta/ ,é que nós (e digo nós pq…wowwww, sim sou lisboeta) “comemos” os U em algumas palavras que contenham o ditongo “ou”, ou seja dizemos “tôrada” em x de “tourada” (mas nunca, excluindo, as tais pessoas com menor grau de iliteracia, “tórada).
    Já “óguenta”, confesso que nem às pessoas com mais propensão para falarem mal pr’a c**** (peço desculpa pela minha escrita à lisboeta), alguma vez ouvi dizer. O som “sc” é bem verdade que utilizamos sempre o som “x”…mas se reparares/repararem/reparar bem….em letra à mão o “X” pode-se escrever com “sc” aglutinado….portanto, em boa verdade, o som “sc” “tornado” “x” , não está completa/ incorrecto, mas sim menos correcto.
    Boas tardes, que agora vou ali pró ògueirão comer um chóriço e ver uma tórada e depois vou para casa dar um mergulho na pixina!! 😛

    • Erica, tem toda a razão no que postou, concordo.Quem escreveu este texto, está errado… Tenho dois alfacinhas de gema, eu não nasci cá, mas é como tivesse nascido, foi em Lisboa que aprendi a falar. Se me disserem que os da Amadora, inicialmente designada como Porcalhota, falavam e ainda falam diferente, acredito. Essa forma de falar, que aqui foi definida, falávamos em gíria, (calão) normalmente nada tem a ver como falam os lisbonenses. Existem sotaques que para mim são muito difíceis de suportar, claro não menciono quais para não ferir susceptibilidades. Quem escreveu isto que reflicta e dê a não à palmatória. Sei falar calão, mas sei falar o português correcto de Lisboa.

  2. Eu acho que a razão deste comentário é só para mostrar que os Lisboetas não são tão perfeitos como se julgam ser!!! Sou Açoriana (Graciosense) e com muito orgulho, e pode vir a pessoa mais culta de Lisboa que sempre terá resposta à altura e sem nenhum sotaque!!!

  3. Para o responsável deste artigo será preciso fazer mais pesquisas no futuro. No exemplo 10: diz-se “Purtugal” e “Pêssegu” tal como se diz “Carru”, em vez de “Carró”, “Coelhu”, em vez de “Coelhó”… Isto porque se o acento principal não estiver na letra “o” esta ler-se-á como “u”. Os exemplos contrários: Bota (que se lê Bóta) ou Cola (cóla) ou Escola (escóla).

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