Com o inverno e as chuvas, o desumidificador passa a ser um aliado essencial em muitas casas portuguesas. Ainda assim, escolher um modelo ao acaso pode resultar num aparelho ruidoso, pouco eficaz ou com impacto elevado na fatura da eletricidade.
Para evitar arrependimentos, importa olhar para três critérios-chave — o chamado “triângulo de ouro”: capacidade, ruído e consumo energético.
Capacidade: quantos litros fazem sentido?
A capacidade de um desumidificador é indicada em litros de água extraídos por dia (L/24h) e não deve ser confundida com o tamanho do depósito.
- Até 10–12 litros: Adequado para casas de banho, roupeiros ou quartos pequenos até cerca de 15 m².
- 16 a 20 litros: A opção mais versátil, indicada para quartos grandes ou salas médias entre 20 e 30 m².
- 25 litros ou mais: Pensado para caves, casas antigas com humidade persistente ou espaços amplos e abertos.
Convém ter em conta que os valores anunciados são medidos em condições ideais de laboratório. No inverno português, com temperaturas mais baixas, a quantidade de água retirada tende a ser inferior à indicada pelo fabricante.
Ruído: conforto no dia a dia
O nível de ruído é frequentemente desvalorizado no momento da compra, mas acaba por ser decisivo na utilização diária. Um desumidificador funciona com ventoinha e, na maioria dos casos, com compressor, o que gera som contínuo.
- Para quartos: Idealmente abaixo dos 40 dB, sobretudo para funcionar durante a noite. Muitos modelos incluem um modo noturno, mais silencioso.
- Para salas: Valores entre 45 e 50 dB são geralmente aceitáveis e semelhantes ao som de um frigorífico moderno.
- Alternativa silenciosa: Os modelos dessecantes, sem compressor, produzem menos ruído, mas consomem mais energia.
Consumo energético: impacto na fatura
Em casas húmidas, o desumidificador pode estar ligado várias horas por dia, pelo que o consumo não deve ser ignorado.
- Modelos com compressor: Consomem, em média, entre 200 e 400 W e são os mais equilibrados para a maioria das casas em Portugal.
- Modelos dessecantes: Podem ultrapassar os 600 W, sendo mais indicados para ambientes muito frios, onde os compressores perdem eficácia.
Para poupar energia, é importante optar por um modelo com higrómetro digital. Assim, é possível definir um nível de humidade — por exemplo, 55% — e o aparelho desliga-se automaticamente quando o atinge.
Funcionalidades que fazem a diferença
Além dos três critérios principais, há detalhes que aumentam bastante a utilidade do aparelho:
- Modo lavandaria: Essencial para quem seca roupa dentro de casa.
- Drenagem contínua: Permite ligar uma mangueira a um ralo e evitar esvaziar o depósito.
- Filtros adicionais: Úteis para quem sofre de alergias, ao melhorar a qualidade do ar.
- Rodas e pegas: Um pormenor importante, já que muitos modelos pesam mais de 10 kg.
Guia rápido de escolha
| Tipo de divisão | Capacidade recomendada | Ruído ideal |
|---|---|---|
| WC / closet | 10 L | < 40 dB |
| Quarto | 12–16 L | 38–42 dB |
| Sala / open space | 20–30 L | 45–50 dB |
Comprar melhor para usar melhor
Escolher um desumidificador não é apenas olhar para o preço ou para o número de litros indicado na caixa. Avaliar a capacidade certa para o espaço, o nível de ruído e o consumo energético garante um aparelho mais eficaz, confortável e económico no dia a dia — especialmente durante os meses mais frios e húmidos.







