Há pratos que resistem ao tempo sem perder relevância. O frango assado no forno é um deles. Presente em almoços de família e refeições de domingo, continua a ser uma escolha segura. Ainda assim, alcançar o equilíbrio entre pele dourada e estaladiça e carne húmida, especialmente no peito, não é tão automático quanto parece.
O problema mais comum repete-se: exterior bem tostado, interior desigual — peito seco, articulações pouco cozinhadas. A diferença entre um frango banal e um resultado consistente está, quase sempre, na preparação e no controlo da temperatura.
Temperatura: começar antes de ligar o forno
Colocar o frango diretamente do frigorífico no forno cria um desfasamento térmico. O exterior cozinha depressa, enquanto o interior permanece frio, o que compromete a uniformidade.
O ideal é retirar o frango do frio 30 a 45 minutos antes de o levar ao forno. Este simples gesto favorece uma cozedura mais equilibrada e reduz o risco de secar as partes mais delicadas.
Pele seca, resultado mais crocante
A humidade é inimiga da textura estaladiça. Antes de temperar, é essencial secar cuidadosamente toda a superfície com papel absorvente, incluindo as zonas menos visíveis.
Uma prática cada vez mais comum consiste em deixar o frango destapado no frigorífico durante a noite anterior. O ar circula e ajuda a desidratar a pele, o que facilita a formação daquela camada dourada e firme após a assadura.
Gordura e aroma: mais do que um simples tempero
A gordura funciona como veículo de sabor. Manteiga, banha ou azeite não servem apenas para dourar; ajudam a transportar ervas e especiarias para a carne.
- Manteiga ou banha: conferem sabor e suculência. Podem ser misturadas com ervas e colocadas sob a pele do peito.
- Azeite: aplicado no exterior, favorece a selagem e a coloração.
- Limão: colocado no interior, cria vapor aromático e contribui para equilibrar o conjunto.
- Alho e louro: clássicos que estruturam o perfil aromático, sobretudo quando o alho é ligeiramente esmagado, com casca, para evitar queimar.
Temperar sob a pele faz a diferença
Limitar o tempero à superfície significa perder intensidade no interior. Ao separar cuidadosamente a pele do peito com os dedos, cria-se espaço para introduzir manteiga temperada com sal, alho e ervas como tomilho ou alecrim. Durante a assadura, essa gordura vai fundir-se e penetrar na carne, protegendo-a da secura.
Mudar a posição a meio do processo
Outra técnica relevante passa pela rotação. Começar com o frango de peito voltado para baixo permite que os sucos escorram para a parte mais magra. A meio do tempo, vira-se o frango para cima, garantindo a douradura da pele e o acabamento visual.
O termómetro e o descanso final
O uso de um termómetro de cozinha elimina dúvidas. O frango está no ponto quando a zona mais espessa da coxa atinge entre 74 °C e 75 °C.
Depois de sair do forno, há um último passo decisivo: o repouso. Dez a quinze minutos, ligeiramente coberto com folha de alumínio, permitem que os sucos se redistribuam. Cortar de imediato compromete o resultado.
Técnica acima de tudo
Não são necessários ingredientes raros nem processos complexos. A diferença está na atenção aos detalhes: temperatura inicial, pele bem seca, tempero sob a pele e tempo de descanso. Num prato tão simples, é a técnica que determina o resultado final.







