O arroz de pato ocupa um lugar central na cozinha portuguesa. Combina uma carne intensa com um arroz que deve ficar húmido mas definido, nunca empapado. A diferença entre um prato banal e outro bem conseguido nasce logo no caldo e continua na forma como o arroz é preparado e levado ao forno.
Mais do que uma receita rígida, é um processo de construção de sabor.
Um caldo que vale metade do prato
Cozer o pato apenas em água e sal resulta num arroz pouco expressivo. O líquido de cozedura será absorvido pelo arroz, por isso deve ser aromático.
Junte ao tacho:
- cebola com cravinho
- cenoura
- alho
- louro e salsa
- chouriço
- pequena tira de bacon
Um copo de vinho tinto ajuda a dar profundidade e cor. No final, reserve o caldo e desfie a carne ainda morna.
Aproveitar a gordura do pato
Ao arrefecer, o caldo forma uma camada de gordura à superfície. Não deve ser descartada.
Use parte dessa gordura no refogado inicial em vez de apenas azeite. É ela que dá brilho e o sabor característico ao arroz.
Proporções certas
Para um resultado equilibrado:
- 1 medida de arroz para 2 de caldo
- arroz agulha para ficar mais solto
- arroz carolino para absorver mais sabor
O forno servirá apenas para secar ligeiramente e dourar, não para terminar toda a cozedura.
Selar o arroz antes do caldo
Depois do refogado de cebola, junte o arroz cru e mexa até os grãos ficarem translúcidos. Este passo reduz a libertação excessiva de amido e ajuda a manter a separação dos grãos.
Só depois se adiciona o caldo quente.
Desfiar e montar
O pato deve ficar em lascas médias, não em fios finos.
Num tabuleiro:
- camada de arroz
- pato desfiado e chouriço cozido picado
- nova camada de arroz
Por cima coloque rodelas de chouriço e, se desejar, um pouco da gordura reservada para dourar melhor.
Um toque de frescura
Para equilibrar a riqueza da carne, pode juntar ligeiramente sumo de laranja ao caldo ou colocar algumas rodelas no topo antes do forno. Não altera o carácter do prato e ajuda a limpar o paladar.
O papel do forno
O arroz já deve estar praticamente cozido antes de entrar no forno. Este passo serve apenas para unir sabores e criar uma superfície tostada, mantendo o interior húmido.
O resultado ideal apresenta contraste: topo seco e dourado, interior suculento.







