A cerca de 15 quilómetros de Vila Real, a estrada EM313 sobe em direção ao Parque Natural do Alvão. A paisagem transforma-se gradualmente: o urbano dá lugar ao relevo ondulado, aos lameiros e às fragas graníticas. É neste cenário que surge Lamas de Olo, a cerca de mil metros de altitude.
Com menos de duas centenas de habitantes, a aldeia mantém uma forte ligação à agricultura e à pastorícia. As casas de granito, algumas ainda com vestígios de coberturas tradicionais, alinham-se em ruas estreitas onde o tempo parece correr a outro ritmo.
Uma entrada com paragens
O percurso desde Vila Real pode ser feito sem desvios, mas vale a pena aproveitar a subida. Borbela, pequena localidade integrada na União de Freguesias de Borbela e Lamas de Olo, é uma possível pausa para café.
Mais adiante, um miradouro oferece vista ampla sobre Vila Real e o vale envolvente. Já dentro da área protegida, surge a Barragem Cimeira do Alvão, construída na década de 1940.
O espelho de água funciona como habitat para diversas espécies e é ponto de partida para pequenos passeios ou piqueniques. Nos dias frios de inverno, a altitude pode trazer geada e, ocasionalmente, neve.
A aldeia e a paisagem
Em Lamas de Olo, o quotidiano continua ligado aos ciclos da terra. Os lameiros — prados irrigados tradicionais — desenham a paisagem e sustentam a criação de gado. O granito domina a arquitetura e integra-se na montanha quase sem contraste.
Estacionar o carro e percorrer as ruas a pé é a melhor forma de conhecer o lugar. O silêncio é interrompido apenas pelo som de água a correr ou pelo tilintar distante de chocalhos.
Fisgas e trilhos
A poucos quilómetros encontra-se um dos ex-líbris do parque: as Fisgas de Ermelo, consideradas das maiores quedas de água de Portugal continental. O trilho que conduz aos miradouros permite observar a força do rio Olo a rasgar o planalto granítico.
O parque dispõe de vários percursos pedestres sinalizados, com diferentes níveis de dificuldade. São oportunidades para explorar a geologia singular do Alvão, marcada por afloramentos rochosos e vales encaixados.
Tradições e autenticidade
Lamas de Olo integra uma região onde as tradições transmontanas continuam presentes, desde a gastronomia às festividades locais. Pratos de confeção caseira, enchidos e receitas ligadas ao forno a lenha são parte da experiência para quem decide ficar mais tempo.
A aldeia não é destino de grandes infraestruturas turísticas, e talvez por isso mantenha um carácter discreto. Existem alojamentos rurais na envolvente, permitindo uma estadia que privilegia o contacto com a natureza.
Um refúgio a descobrir
Num país onde muitos destinos rurais ganharam projeção mediática, Lamas de Olo permanece relativamente resguardada. Entre barragem, cascatas e campos cultivados, oferece um retrato consistente de Trás-os-Montes.
Visitar é aceitar a altitude, o silêncio e a paisagem aberta — e perceber como a vida serrana continua a moldar esta pequena aldeia no coração do Alvão.







