Portugal não é um país de atividade sísmica constante, mas está longe de ser geologicamente estável. A história demonstra-o de forma clara, sobretudo com o terramoto de 1755, que marcou Lisboa e alterou profundamente o país. O risco sísmico faz parte da realidade do território e resulta da sua posição geográfica.
A sul do continente, a placa Africana desloca-se lentamente para norte, exercendo pressão sobre a placa Euroasiática, onde se insere a Península Ibérica. Essa interação gera falhas tectónicas que acumulam energia ao longo do tempo e a libertam sob a forma de sismos.
Nos Açores, o enquadramento é ainda mais complexo: o arquipélago situa-se na junção das placas Euroasiática, Norte-Americana e Africana, o que explica a frequência de atividade sísmica e vulcânica.
Magnitude e intensidade: não são o mesmo
- Magnitude mede a energia libertada pelo sismo.
- Intensidade mede os efeitos e danos provocados num determinado local.
Um sismo com a mesma magnitude pode ter impactos muito diferentes consoante a qualidade das construções, a densidade populacional e o grau de preparação.
As zonas de maior risco sísmico em Portugal
Com base na localização das principais falhas e no histórico de atividade, estas são as áreas consideradas de maior risco.
1. Lisboa (risco muito elevado)
A capital combina elevada densidade populacional com proximidade à falha do Vale Inferior do Tejo e à zona de fratura no Atlântico. Parte da Baixa foi reconstruída após 1755 com soluções inovadoras para a época, mas muitos edifícios posteriores não seguem padrões modernos de resistência sísmica.
2. Península de Setúbal (risco muito elevado)
A proximidade ao Atlântico e às estruturas tectónicas submarinas torna esta região particularmente exposta. A área do estuário do Sado e da Serra da Arrábida situa-se numa zona de complexa atividade geológica.
3. Algarve (risco muito elevado)
O sul do país encontra-se próximo da zona de fratura Açores-Gibraltar, responsável por alguns dos maiores sismos históricos registados no território. A costa algarvia integra uma área de reconhecida atividade tectónica.
Açores: risco estrutural permanente
O arquipélago dos Açores está numa zona de encontro de placas tectónicas, o que explica o risco elevado em várias ilhas:
- Ilha do Faial
- Ilha do Pico
- Ilha de São Jorge
- Ilha Graciosa
- Ilha de São Miguel
- Ilha Terceira
Com risco ligeiramente inferior, mas ainda significativo:
- Ilha do Corvo
- Ilha das Flores
- Ilha de Santa Maria
Outras zonas de risco relevante no continente
- Ribatejo — associado à falha do Vale Inferior do Tejo
- Costa Alentejana — proximidade a estruturas tectónicas atlânticas
Preparação e prevenção
Portugal dispõe atualmente de normas de construção antisísmica mais exigentes do que no passado. No entanto, uma parte significativa do edificado é anterior a essas regulamentações.
O risco sísmico não implica inevitavelmente destruição. A diferença está na qualidade das infraestruturas, no planeamento urbano e na preparação da população. Conhecer as zonas mais vulneráveis permite reforçar medidas preventivas e reduzir impactos futuros.







