É uma pergunta que muitos adiam até ser inevitável. Com o aumento do custo de vida e as mudanças nas regras da Segurança Social, a ideia de que a reforma garante, por si só, tranquilidade financeira está cada vez mais distante da realidade. Em 2026, planear tornou-se essencial.
A idade legal de reforma aproxima-se dos 67 anos, mas a pensão atribuída pelo Estado raramente substitui o rendimento de uma vida de trabalho. Para manter um padrão de vida semelhante, é necessário saber quanto custa viver — e quanto deve estar reservado.
Quanto custa viver na reforma em 2026
Fora dos grandes centros urbanos, um casal de reformados em Portugal precisa, em média, de 1.200 a 1.500 euros por mês para uma vida estável, sem luxos excessivos.
Este valor resulta, de forma aproximada, da seguinte distribuição:
- Habitação e energia: 150 a 200 euros (assumindo casa própria, sem renda)
- Alimentação: cerca de 450 euros
- Saúde: 150 a 200 euros, entre seguros, consultas e medicação
- Transportes, comunicações e outros serviços: valores variáveis, mas cada vez mais relevantes
A saúde é, regra geral, a rubrica que mais cresce após a reforma.
A quebra entre salário e pensão
A chamada taxa de substituição — a percentagem do último salário que passa a ser recebida como pensão — situa-se hoje entre 70% e 75% para carreiras contributivas completas, com tendência descendente.
Exemplo prático:
- Último salário líquido: 1.500 euros
- Pensão estimada: cerca de 1.100 euros
Isto representa um défice mensal de 400 euros.
Se esse valor tiver de ser compensado durante cerca de 20 anos de reforma, o montante total necessário ronda os 96.000 euros em poupança complementar.
A regra dos 25: um cálculo simples
Uma forma prática de estimar o capital necessário passa pela chamada regra dos 25.
- Determina-se o valor anual que se pretende retirar do complemento de poupança.
- Multiplica-se esse valor por 25.
Exemplo:
- Complemento desejado: 500 euros por mês (6.000 euros por ano)
- 6.000 € × 25 = 150.000 euros
Este seria o valor aproximado a ter investido para garantir esse complemento ao longo da reforma.
O peso da inflação
Em 2026, as pensões foram actualizadas entre 2,02% e 2,8%, mas vários bens essenciais subiram acima desse ritmo. Alimentação, serviços e cuidados de saúde continuam a pressionar o orçamento dos reformados, reduzindo o poder de compra real, mesmo quando há aumentos nominais.
Metas de poupança realistas
Especialistas em planeamento financeiro apontam, de forma indicativa, para as seguintes metas de poupança individual aos 67 anos:
| Perfil | Estilo de vida | Poupança acumulada |
|---|---|---|
| Básico | Despesas essenciais | 30.000 € a 50.000 € |
| Confortável | Algum lazer e cuidados de saúde reforçados | 100.000 € a 150.000 € |
| Tranquilo | Liberdade financeira e viagens regulares | mais de 250.000 € |
Como atingir estes valores
O factor decisivo não é apenas o montante poupado, mas o tempo disponível.
- Começar aos 30 anos pode significar poupar 100 euros por mês.
- Começar aos 50 implica esforços muito maiores, frequentemente acima dos 500 euros mensais.
Conclusão
Em 2026, a reforma garante subsistência, mas não assegura, por si só, conforto nem liberdade financeira. O verdadeiro descanso constrói-se ao longo da vida activa, com planeamento e poupança consistente. Adiar esta reflexão tem custos elevados; antecipá-la continua a ser a decisão mais sensata.







