No concelho de Penedono, o Castelo de Penedono domina o horizonte como uma sentinela de granito. Assente num maciço rochoso que lhe dá nome, destaca-se pela verticalidade das torres e pelo desenho trabalhado das ameias, mais próximo de um palácio fortificado do que de uma fortaleza austera.
A implantação sobre o penedo é parte essencial da sua identidade. À distância, é difícil perceber onde termina a geologia e começa a construção humana. As torres parecem crescer da própria rocha, numa fusão que marca o perfil da Beira.
O Magriço e a honra de cavalaria
Falar de Penedono é evocar Álvaro Gonçalves Coutinho, figura medieval imortalizada por Luís de Camões n’Os Lusíadas. Conhecido como “O Magriço”, protagonizou o episódio lendário dos “Doze de Inglaterra”, quando doze cavaleiros portugueses partiram para terras inglesas para defender a honra de damas ofendidas.
O castelo foi casa ancestral da linhagem dos Coutinhos. Mais do que uma simples estrutura defensiva, representava o poder e o prestígio de uma família cuja história se confundia com a defesa do território.
Ao atravessar o portal, percebe-se que ali não se celebrava apenas a guerra, mas também a ideia de honra e estatuto.
Um castelo pensado para impressionar
No século XIV, sob D. Gonçalo Vasques Coutinho, a fortificação românica foi remodelada. A intervenção introduziu elementos de conforto e uma estética palaciana pouco comum em contextos tão isolados. O resultado foi um conjunto gótico elegante, com torres esguias e ameias cuidadosamente trabalhadas.
Este castelo foi projetado para ser admirado. O seu senhorio gozava de autonomia invulgar face à Coroa, o que contribuiu para preservar a traça original.
Ao contrário de outras fortificações, não sofreu adaptações profundas às exigências da artilharia moderna. Esta circunstância permitiu que a estrutura se mantivesse quase intacta, cristalizando um modelo raro de arquitetura militar-residencial.
A pedra como identidade
No interior da torre de menagem, os vestígios arqueológicos ajudam a compreender a organização doméstica medieval. Não era apenas uma guarnição; era residência senhorial. A leitura do espaço revela a dimensão social do castelo, pensado para afirmar linhagem e estatuto.
Penedono distingue-se dos grandes castelos de planície pela sua verticalidade e pela relação direta com o penedo que o sustenta. Não é vasto em extensão, mas é expressivo na forma.
Um interior que merece atenção
Visitar o Castelo de Penedono é redescobrir o interior da Beira como território de arquitetura refinada e memória cavaleiresca. Entre lenda, linhagem e granito, o monumento confirma que a história portuguesa também se escreveu nestes lugares elevados, onde a pedra se tornou símbolo de permanência.
Aqui, o castelo não é apenas vestígio militar — é afirmação estética e identidade petrificada no horizonte.







