Com a chegada do frio, a comparação entre a biomassa tradicional e as soluções mais recentes volta ao centro das decisões familiares.
A lenha continua a fazer parte do quotidiano de muitas casas, mas os pellets afirmaram-se pela regularidade do desempenho, pela limpeza e pela facilidade de utilização.
Hoje, escolher entre estes dois combustíveis implica ir além do preço por saco ou por metro de madeira. Importa perceber o rendimento real, a autonomia dos equipamentos e o nível de trabalho diário que cada solução exige.
Pellets: rendimento elevado e utilização simples
Os pellets são produzidos a partir de resíduos de madeira prensados, com um teor de humidade muito baixo, normalmente inferior a 10%.
Esta característica permite uma combustão mais controlada e previsível.
Na prática, as salamandras a pellets atingem facilmente rendimentos superiores a 90%, mantendo a temperatura de forma estável e com consumo regular.
Outro ponto decisivo é a autonomia:
- o equipamento alimenta-se sozinho a partir do depósito;
- é possível programar horários de funcionamento;
- um carregamento pode durar, consoante o modelo e a potência utilizada, entre 12 e 36 horas.
Para quem valoriza conforto e previsibilidade, este é um dos maiores argumentos a favor dos pellets.
Lenha: tradição, custo direto mais baixo e maior intervenção
A lenha continua a ser uma solução muito presente, sobretudo fora dos grandes centros urbanos.
No entanto, o seu desempenho depende fortemente da qualidade da madeira e, acima de tudo, do grau de secagem.
Uma lareira aberta perde a maior parte do calor pela chaminé. Já um recuperador de calor a lenha moderno consegue aproveitar cerca de 70% a 75% da energia produzida.
Quando a madeira ainda contém muita humidade, parte significativa da energia é desperdiçada a evaporar água, o que se traduz em:
- menor aquecimento da divisão;
- maior produção de fumo;
- acumulação de creosoto na chaminé.
Além disso, a lenha exige acompanhamento frequente do fogo, transporte manual dos troncos e espaço generoso para armazenamento.
Comparativo prático
| Critério | Pellets | Lenha |
|---|---|---|
| Custo de compra | Mais elevado por tonelada | Geralmente mais baixo |
| Rendimento térmico | Elevado e muito constante | Depende da madeira e da secagem |
| Autonomia | Automática e programável | Carregamento manual frequente |
| Instalação | Tubo de fumos de menor diâmetro | Chaminé com boa tiragem |
| Manutenção | Cinzas e revisão anual do equipamento | Limpeza de cinzas e chaminé com maior regularidade |
| Espaço de armazenamento | Reduzido (sacos de pellets) | Elevado |
Afinal, qual compensa mais hoje?
Apesar de os pellets terem um custo por quilo superior, a eficiência do sistema acaba por equilibrar a conta ao final do mês. Para obter a mesma quantidade de calor útil, é necessário consumir menos combustível do que numa lareira tradicional a lenha.
Por outro lado, quem dispõe de acesso fácil a madeira — terrenos próprios ou fornecimento local a baixo custo — continua a encontrar na lenha uma solução economicamente muito competitiva.
Em contexto urbano ou em habitações com limitações de espaço e de armazenamento, os pellets acabam por ser, na maioria dos casos, a opção mais prática.
Impacto ambiental e qualidade do ar
Ambos os combustíveis são considerados renováveis, por terem origem na biomassa.
Ainda assim, há diferenças relevantes:
- os pellets permitem uma combustão mais limpa, com menor libertação de partículas;
- a lenha, sobretudo quando é resinosa ou mal seca, produz mais fumo e resíduos, com impacto direto na qualidade do ar e na segurança da chaminé.
Conclusão: eficiência moderna ou tradição bem executada
A decisão depende essencialmente do modo de vida. Para quem valoriza programação, autonomia e menor trabalho diário, os pellets apresentam hoje uma clara vantagem.
Para quem prefere o ambiente visual da chama e tem condições para utilizar madeira bem seca num recuperador de calor eficiente, a lenha continua a ser uma solução sólida e economicamente interessante.
Na realidade atual, para a maioria das famílias em contexto urbano, o equilíbrio tende a favorecer os pellets, sobretudo pelo rendimento térmico mais elevado e pela simplicificação do uso diário.






